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Terça-Feira, 24 de Novembro de 2020

POVO SEM HISTÓRIA NÃO É POVO, É BANDO

O resgate da história, como se vê, culmina por fincar balizas num campo não conhecido pelo homem, amparando-se com informações que lhe permitam, senão um caminho seguro, pelo menos algumas alternativas de procedimento, arredando aquelas comprovadamente nefastas.
Terça-Feira, 02 de Junho de 2015 - 23:17

O sítio, ou o prédio histórico, isolada ou integrada, nos dá uma medida de desenvolvimento mental de um homem ou de uma sociedade, em um determinado local, em relação a si próprio ou em relação ao conjunto cultural humano em todos os quadrantes da terra, nos dando também dimensão de suas necessidades.

O resgate do patrimônio histórico, não raro, nos oferta conclusões de suma valia para a orientação e comportamento do homem, notadamente por que uma das conclusões extraídas desse resgate nos revela naturalmente que os ciclos históricos se repetem com alguma exatidão e as atitudes dos homens, em determinadas circunstâncias, são sempre as mesmas. Daí entendemos ser história uma fonte inesgotável de exemplos de vivência e convivência.

O resgate da história, como se vê, culmina por fincar balizas num campo não conhecido pelo homem, amparando-se com informações que lhe permitam, senão um caminho seguro, pelo menos algumas alternativas de procedimento, arredando aquelas comprovadamente nefastas. E assim, conhecendo o passado, desvendando o futuro.

Assim, não temos outro modo de viver. Somos impelidos cada vez mais a procurarmos por nós mesmos, através do véu do tempo. Exemplificados pelas dificuldades modernas de estudarmos o passado, temos o compromisso moral de mantermos em pé o nosso presente para que nossos sucessores não passem pelas aflitivas situações com que temos nos deparado.

Nota-se que o estudo da história é uma tarefa superior. Por isso, a necessidade do curso de bacharelado em história pois, ele possibilita munir o historiador de ferramentas, métodos e experiência. O historiador com diploma e não o de “gaveta” é, por assim dizer, uma versão do guardião do tesouro, o responsável em possibilitar a formação de massa crítica na sociedade. A tarefa não admite a colaboração de ímpios, aliás, exatamente aqueles que pelas mais variadas razões tratam de ir apagando seus rastos ou indícios de seus inimigos. O historiador tem de ser antes de tudo imparcial, capaz de atravessar a rede de ciúmes e ódios, vaidades e ambições, tão comum aos homens.

No caso de Rondônia, o espetacular Forte Príncipe da Beira, mais do que uma breve história militar portuguesa nas selvas amazônicas, nos revela, no conjunto das edificações militares que começam com o Forte Jesus Maria José, no Rio Grande do Sul, e terminam com o Forte Macapá, a história de uma geopolítica traçada pelo Marquês de Pombal, de dominação portuguesa em regiões de disputa com a coroa espanhola.

A importância do historiador e da pesquisa na defesa do patrimônio e na sua preservação, é pois, uma colocação tão contundente que se torna axiomática; ou seja: não há quem não lhe possa avaliar o valor.

Prefiro, quando vivo numa comunidade como a nossa, lembrar da importância que temos, todos nós, transmutados em historiadores, de defendermos e preservarmos aquilo que hoje está se desintegrando entre nossos olhos, como um delito à nossa consciência de homens civilizados. Sorte a nossa que ainda temos pessoas que lutam por nossa memória, estes por alguns são “personas no gratas”, para outros defensores da nossa história e por isso, será válido frisar pessoas como a historiadora Yeda Borzacov, o historiador Marco Teixeira, o acadêmico de arqueologia Manuel Português, o museólogo Ocampo Fernandes e o arquiteto Luiz Leite.

O mais atual e importante patrimônio histórico que temos, a Ferrovia Madeira Mamoré, está abandonada. E pela mão de alguns incansáveis lutadores locais, que prefiro omitir para não fazer injustiça, pelo ânimo de ferroviários, ativistas e historiadores e pela consciência da Justiça Federal, se tornam vozes ainda ativas em prol da preservação de nossa memória.

Mas, mesmo assim, tempos negros houve por aqui, quando criaturas impatrióticas e sem escrúpulos queimaram um imenso acervo documental da ferrovia. Hoje, dela, nos restam alguns metros de trilho, algumas locomotivas e alguns registros. Mas sua vida íntima, o regaço de sua história, só poderíamos conhecer se tivéssemos esses papéis, montanhas de arquivos que foram incinerados por verdadeiras bestas transloucadas ou mal intencionadas, que levaram às cinzas uma das mais vibrantes páginas da epopeia sul americanas. Talvez, estas bestas feras tenham deixado filhos, que ainda tentam de alguma forma destruir nosso patrimônio através da omissão, sem políticas públicas para o resgate de nossa história.

Outra obra de magnitude, não pelo fausto de sua aparência externa, mas por sua importância no contexto político nacional, e que hoje já quase não existe, é a linha telegráfica de Rondon.

Cabe ao historiador dar o grito de alarme e ir elaborando uma rota de trabalho cuja a espinha dorsal seja a descoberta e perfeita delineação daquilo que entendemos que deve ser preservado para o conhecimento das gerações vindouras.

E quando digo historiador, não me refiro aos memorialistas, não me refiro àqueles estereótipos de pesquisador sem técnicas, metodologias e vida acadêmica. É necessário levar a sério o patrimônio histórico e a profissão de historiador. O homem comum, ou não tem tempo, ou não tem interesse por essas coisas. Ou ainda, não têm capacidade mental para entender-lhes o valor. Mas as grandes obras da humanidade não foram idealizadas pelos homens comuns, em que pesem terem sido destruídos por ele.

Não nos tornemos homens comuns, e dentre eles, trabalhemos, no sentido de lhes emprestar razão suficiente para entender em que a pobreza de um passado, antes de mais nada e acima de tudo, significar que só nos aguarda um pobre futuro.

Aleks Palitot
Historiador reconhecido pelo MEC pela portaria n° 387/87
Diploma n° 483/2007, Livro 001, Folha 098

Fonte - Aleks Palitot
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