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Sexta-Feira, 04 de Dezembro de 2020

NÚMERO DE MORADORES DE RUA EM SÃO PAULO CRESCE 16% EM SEIS ANOS

Mas existe uma notícia a se comemorar. Apesar do crescimento, os saltos diminuíram ao longo dos anos. De 2009 a 2011, o número passou de 13.666 para 14.478 e comparando 2015 com 2011, o quantitativo aumentou apenas 10%.
Segunda-Feira, 01 de Junho de 2015 - 09:11

“Não tem canto certo, arrumo um e vou deitar”, essa é a realidade de Adenildo Mariano e de outras milhares de pessoas na cidade de São Paulo que deixaram de ter profissão, família e passaram a fazer parte de uma triste estatística: a das pessoas em situação de rua. Eles já são 15.905, segundo levantamento da Fipe (Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas) divulgado no último mês.

O número é maior, por exemplo, que o de habitantes do bairro Barra Funda, na zona oeste de São Paulo (14.383). E, nos últimos seis anos, teve aumento de 16%.

Para Rubens Adorno, professor do Departamento de Saúde Ambiental da Faculdade de Saúde Pública da USP, que trabalha com a temática de moradores de rua, uma das causas do avanço, que acontece em todo o mundo, é a marginalização de parte da sociedade.

— Temos um sistema de trabalho que, cada vez mais, exige uma especialização e uma reprodução de uma pobreza que mal chega ao final do primeiro grau.

Mas existe uma notícia a se comemorar. Apesar do crescimento, os saltos diminuíram ao longo dos anos. De 2009 a 2011, o número passou de 13.666 para 14.478 e comparando 2015 com 2011, o quantitativo aumentou apenas 10%.

Já os perfis continuam sendo os mais diversos. O que aproxima essa população, muitas vezes, é a fome.

Adenildo veio da cidade de Quixaba, no interior de Pernambuco, há um ano. Em vez da mala, carrega uma mochila velha com cobertas, uma troca de roupa e uma garrafa de água. Veio parar em São Paulo após um desentendimento familiar. Aqui, reclama da chuva e sente falta do pai, já morto.

— É ruim quando chove, difícil [achar] cobertura. Passei muita fome e peguei comida do lixo.

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Ele é uma daquelas pessoas que, se deixar, fala o dia todo, emenda um assunto no outro, nem precisa perguntar porque ele já vai contando. Numa gana de colocar tudo para fora, se expressa numa velocidade de engolir as palavras. Às vezes, é preciso pedir para repetir e alguns desabafos parece já ter decorado.

 — Quando pede esmola, o cara manda a gente trabalhar, mas não tem oportunidade [...] Eu não fumo, não roubo, não bebo.

Com 39 anos, o nordestino representa bem o perfil que predomina nas praças e nas calçadas de São Paulo.  Segundo a pesquisa da Fipe, a maior parte da população de rua é do sexo masculino e tem quase 40 anos.

Para o professor Rubens Adorno, a predominância dos homens sobre as mulheres é fruto da própria organização da sociedade civil.

— Como a sociedade constrói a relação em que o homem é colocado como provedor, quando ele não consegue ser um provedor, acaba não voltando para a família.

Ele também relaciona o fato com a homossexualidade de alguns.

— Não assumem e fogem com vergonha. É visível.

Fonte - R7

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