MORADORES DE PORTO VELHO RECLAMAM DA FALTA DE ESTRUTURA

Classificado na 98 colocao entre os 100 maiores municpios do Brasil, o Portal Amaznia flagrou o reflexo da falta de coleta e tratamento de esgoto
Terça-Feira, 26 de Maio de 2015 - 10:04

O novo ranking do saneamento básico realizado pelo Instituto Trata Brasil aponta que a capital de Rondônia está na 98ª colocação entre os 100 maiores municípios do Brasil em referência à falta de coleta de esgoto. Apenas 2,7% dos 484.992 habitantes têm acesso ao serviço, segundo a pesquisa. A única herança vem da centenária Estrada de Ferro Madeira-Mamoré e para mostrar o cenário, o Portal Amazônia apresenta uma série de reportagens sobre o saneamento básico de Porto Velho.

Parte da água usada nas residências dos portovelhenses chegam até os igarapés e rios sem tratamento. ‘‘Porto Velho tem uma rede de esgoto antiga, aproximadamente 1% apenas do que deveria ter. É uma rede que fica na região central’’, explica o diretor-técnico e operacional da Companhia de Águas e Esgotos de Rondônia (Caerd), Mauro Berberian.

O reflexo da falta de coleta e tratamento de esgoto em Porto Velho pode ser visto em todos os cantos da cidade. ‘‘Quando a gente não tem saneamento básico nas cidades faculta a utilização de fossas e sumidouros. As mesma retêm o material sólido nas fossas e o material líquido vai para os sumidouros, esses sumidouros entram em contato com a natureza e contaminam os lençóis freáticos. Na Região Norte quase tudo funciona desta forma, contaminando os lençóis freáticos’’, destaca o diretor.

A equipe do Portal Amazônia flagrou alguns exemplos da contaminação. Na galeria que corta a Estrada do Belmont, no bairro Nacional, zona Norte da cidade, além do lixo a encanação de moradias são despejadas na água que mais a frente vai encontrar o principal rio da cidade, o Madeira.

O pintor Alderi Vieira é um antigo morador do bairro e lamenta a situação da antiga área de lazer da cidade. ‘‘O saneamento básico de Porto Velho está todo mal feito. Água do esgoto está caindo aqui dentro desse igarapé, isso aqui quando chove fica só espumando aquela água fedida, um mal cheiro horrível. A gente tinha um banho aqui, agora acabou-se’’, lamenta o morador.

Outro morador do bairro Nacional, o segurança Severino Cordeiro, mostra indignação com a falta de investimentos na rede de esgoto de Porto Velho. ‘‘Péssimo, era para ser multados prefeito, governador porque não olha para isso aí. Contamina as águas dos igarapés, do rio porque não temos saneamento básico. Acaba com tudo, acaba com o lençol freático, morre peixe, morre tudo e as doenças no povo porque nós não temos coleta’’, avalia Severino.

Situação semelhante à da galeria do bairro Nacional também é vista no córrego localizado na divisa dos bairros Conquista e Costa e Silva. Lixo e encanação de esgotos residuais transformam o local em um esgoto a céu aberto. Na galeria da rua Anita Garibaldi, ainda no bairro Costa e Silva, mais flagrantes do reflexo da falta de coleta de esgoto na cidade.

O cabeleireiro, Beto Costa, lamenta as condições do local que mora há 13 anos. ‘‘Aqui em Porto Velho como em todos os lugares o saneamento sempre foi precário. Infelizmente aqui se torna pior porque o poder público faz descaso com a população e não faz uso do dinheiro público para melhorar a vidas das pessoas’’, evidencia.

Costa também lamenta que as galerias que deveriam servir apenas para drenagem da água da chuva, sejam esgotos a céu aberto. ‘‘Aqui corre tanto a água de esgoto, água de pia, suja com resto de comida porque não tem uma estrutura bem feita de saneamento básico’’, afirma Beto.

Na rua Rio Claro, no bairro Costa e Silva, o conflito entre moradores e os residentes de um condomínio próximo é antigo e o motivo é o esgoto em frente as moradias. A dona de casa, Andreia Pereira, já convive com o problema há sete anos. ‘‘Sofremos com esse esgoto a céu aberto que deságua do condomínio, pois ele não criou nenhum tipo de tratamento. Então ele deságua na rua e a gente como morador e que sofre a consequência. É uma canaleta a céu aberto e aí não tem quem aguente’’, avalia.

Problemas de saúde

No período chuvoso, Andreia conta que a situação só piora. Além dos impactos ambientais, a exposição a água de esgoto também causa problemas de saúde. ‘‘A gente já teve inúmeros casos de dengue aqui, muitos moradores não aguentaram e se mudaram. Isso aqui é questão de saúde pública e nós, como cidadãos, não temos como resolver, é responsabilidade do governo’’, afirma.

Para a Andreia, o fato de Porto Velho ser apontada como uma das piores cidades em coleta e tratamento de esgoto está atrelada a falhas na gestão pública. ‘‘Eu acho que é uma má administração com o nosso dinheiro, é um descaso com o dinheiro público. É nosso dinheiro que está indo por água a abaixo. Ninguém aguenta mais, alguém tem que fazer alguma coisa e não o povo que tem que resolver, para isso nós botamos essas pessoas no poder, para que eles façam alguma coisa a favor do povo’’, avalia.

A vizinha de Andreia, a autônoma Margarida Maria Veiga, é outra que disse não aguentar mais conviver com o esgoto a céu aberto. ‘‘É horrível a gente conviver com isso aqui. Ninguém nem tem isso assim como um bairro, eles acham que isso aqui é uma favela, um lugar abandonado. Uma mau-cheiro horrível, as pessoas sempre doentes, com alguma coisa, algumas coceiras pelo corpo. É muito transtorno que isso aqui causa’’, aponta.

Tratamento

A Companhia de Águas e Esgotos de Rondônia (Caerd) será a responsável pela operacionalização das obras da rede de esgoto de Porto Velho. A operacionalização consiste em coletar o esgoto das residências através de adutoras e conduzir até fossas filtros. ‘‘Esse sistema é chamado de fossa filtro, sistema fechado que faz a filtragem, decantação e a Caerd operacionaliza parte deste sistema. E depois de ter feito os tratamentos que são de praxe, é lançado no rio pré-tratado’’, afirma o diretor-técnico.

O procedimento é importante pois evitaria que as águas usadas nas residências não contaminasse o meio ambiente. ‘‘A região Norte do país é uma região que há muito tempo vem convivendo com os lençóis freáticos contaminados. Isso é um prejuízo muito grande para parte ambiental da cidade’’, avalia.

Na segunda matéria, o Portal Amazônia destaca os entraves para a construção da rede de esgoto de Porto Velho que faz parte do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC I) e é planejada há mais de dez anos.

Fonte - PORTAL AMAZNIA

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