VIDA EM REDE

Na rede social foram mais de 200 mensagens lembrando o dia. Alguns amigos do peito, indivduos com quem convivo desde pequeno, s se manifestaram por ali.
Segunda-Feira, 25 de Maio de 2015 - 12:11

No início de maio, fiz aniversário. Não sou uma pessoa de comemorações de arromba e não tenho necessidade urgente de ser saudado pela data. Ademais, alguns fenômenos interessantes aconteceram. Recebi apenas três ligações de felicitação: meu irmão, morador do interior do Rio Grande do Sul, meu orientador na faculdade e minha sogra. Outros membros de minha família me deram um abraço pessoalmente. Sou impopular? Não, tenho muitos amigos, felizmente. A maior parte deles me cumprimentou também – pelo Facebook.

Na rede social foram mais de 200 mensagens lembrando o dia. Alguns amigos do peito, indivíduos com quem convivo desde pequeno, só se manifestaram por ali. Muitas letrinhas, muitos emoticons, mas nenhuma voz ou contato afetuoso. Eu prezo as relações interpessoais e acho estranho que, a cada ano, o número de ligações no meu aniversário esteja diminuindo. Dizem que as redes sociais aproximam as pessoas. Com tantos recursos diferentes, a tese deve estar correta. Será mesmo?

Parei para pensar nessa realidade. Ninguém perdeu meu número, apenas optaram por me contatar na web. Preguiça? Algum tipo de receio? Esperavam uma festa para unir a alcateia? Não creio. Acredito, sim, que a internet, em vez de aproximar, está distanciando as pessoas. Eu não sou um algoritmo. Eu não sou uma página com uma foto. Aquilo representa, no máximo, uma extensão de meus pensamentos. Então por qual razão meus amigos congratularam um espaço inanimado em vez de se dirigirem diretamente a mim?

Este é apenas um caso entre muitos observáveis no dia a dia. As redes sociais, em minha opinião, estão pulverizando a pessoalidade. O olho no olho, os sinais emitidos por um diálogo... muito está se perdendo. Além disso, o ser, gradativamente, é substituído pelo ‘parecer ser’, ou seja, quanto mais glamour, riqueza ou ostentação a web comportar, melhor para a reputação do indivíduo. Eis que muitos usuários são pessoas extremamente introspectivas na vida real – algo bem distante daquilo que denotam online.

O que eram fotos para recordar hoje são imagens vazias que mostram a rotina diária. Este exibicionismo bobinho presta um desserviço à identidade de cada um e traz cada vez menos informação edificante. Destarte, se as pessoas que amo permanecerem perto – fisicamente – de mim, então vou ter uma vida feliz. Com atraso, recebi algumas visitas, o que atenuou um pouco meu estranhamento em relação ao Facebook. A felicidade, para mim, está em conviver com as pessoas. Saber o momento de desligar da rede é saber manter-se humano.

Fonte - Gabriel Bocorny Guidotti

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