LUZ CÂMARA AÇÃO: CURTA AMAZÔNIA MUNDI VAI COMEÇAR

Ao tempo em que a turma degustava os salgadinhos, assistia o trailer do filme “A Epopeia da Comissão Rondon” que será exibido na integra no dia 1º de junho no Teatro Guaporé marcando a abertura do Curta Amazônia 2015.
Domingo, 24 de Maio de 2015 - 12:05

Na última sexta-feira 22, os produtores Carlos Levy e sua companheira Golda Barros reuniram a imprensa e convidados, num passeio de barco pelo rio Madeira, para promover o lançamento da 6ª edição do festival de cinema Curta Amazônia Mundi.

Enquanto o barco “Feliz Cidade” singrava o banzeiro do Madeira, aproveitamos para bater um papo com o Carlos Levy sobre como está sendo concebida a produção da 6ª edição do festival. Tendo a Golda como fiel escudeira, Levy nos explicou como é que um festival do porte do Curta Amazônia é produzido. “Este ano tivemos muitos apoios, inclusive do Exército via 17ª Brigada”.

Do dia 1º de junho até o dia 3, Porto Velho vai respirar cinema no Teatro Guaporé e no IFRO da Calama. Luz, Câmera, Ação o Curta Amazônia está na tela.

ENTREVISTA

Zk – Vamos começar falando sobre o objetivo do 6º Festival Curta Amazônia Mundi?

Levy – A intenção é projetar a cidade de Porto Velho/Rondônia e a Amazônia lá fora, é um marketing com relação à visibilidade que alcança o nome Amazônia. Eu coloco nos folhetos, que o festival não é só do cineasta, mas, também da cidade. É fomentar não só a cultura, mas, também o turismo.

Zk – E a 6ª edição como está?

Levy – Estamos formatando. Na última sexta feira dia 22, divulgamos os selecionados, a expectativa é muito grande, temos recebidos muitos e-mails cobrando, porque essa seleção era pra ter saído dia 20, porém, em função de muitos filmes. Chegaram 150 filmes. Veio filme de Lisboa, Avanca, filmes produzidos na Venezuela.

A gente observa diretores mandando DVD eles fazem toda uma dinâmica de encaminhar seu material via Correios e isso é muito legal, porque incentiva a gente como produtor e como realizador preocupado com a memória de Rondônia.

Zk – Qual o critério utilizado na seleção dos filmes que serão exibidos?

Levy – É um pouco complexo você tirar de um patamar como o desse ano, de 150 filmes e botar em exibição 30 filmes dentro do festival. Em função de estrutura física mesmo diminuímos a mostra. Este ano estamos com três dias, por questão financeira mesmo, apesar de termos conseguido muito apoio o que é muito importante, pois sem esses apoios seria muito difícil, mas, o principal critério é a questão da qualidade, o que o filme te passa, o que ele traduz nesse sentido, é memória isso em se falando de documentário. Em ficção é o trabalho como o ator/atriz expressam na sua forma de conduzir o filme e aquela coisa do diretor de montar o roteiro e conduzir o filme dele num espaço de curta. Quando falo de memória temos um documentário lindo “Sobrevivi ao Holocausto” um filme produzido com sobreviventes do Holocausto na Alemanha isso reporta o mundo, é uma imagem fantástica, a própria Alemanha tem seu museu do Holocausto.

Zk – E as produções regionais?

Levy – Tem uma produção muito legal feita lá na aldeia dos índios Cinta Larga em Riozinho – Cacoal, e ali a gente vê a preocupação muito grande de reportar a memória. Tem um filme chamado “Avô” que é todo na língua indígena, isso é muito legal, a gente nota que eles já estão preocupados em preservar a memória, uma coisa que o homem branco não consegue, os índios já estão preocupados nesse sentido. Isso é uma preocupação que Rondon já tinha, tanto é, que o cinegrafista que andava com ele Major Reis gravava os rituais fúnebres.

Zk – Isso está no filme a Epopéia da Comissão Rondon?

Levy – Estamos trazendo como filme convidado, por ser Rondon uma memória nacional, um herói brasileiro, pelos seus 150 anos de nascimento. Ele deixou uma história fantástica que as vezes o próprio brasileiro não conhece. Se você pega a cartografia que Rondon deixou, tinha o lado cientifico também e o etnográfico. Quando ele ia às aldeias, ele tinha a preocupação de fazer medição.

Ele tinha essa preocupação de identificar a pessoa. Rondon tinha um acervo fantástico de filmes que se você não preserva, com o tempo eles se deterioram, hoje nos temos Graças a Deus a Cinemateca Brasileira, temos o Museu do Índio criado pelo próprio Rondon que na época criou o Sistema de Proteção aos Indígenas (SPI) que hoje é a Funai. É fantástica essa relação de preocupação com os indígenas.

Zk – E a produção nacional?

Levy – Está ótima! A produção independente que não entra nas salas de cinema, eu reporto muito isso, porque é muito pesada a mídia americana, nossa legislação ainda é muito falha com relação a qualidade. Nós temos muitas produções boas independente, rolando nos festivais de cinema que não consegue chegar a uma das 2.200 salas de cinema do país. porque é muito caro.

Zk – Vocês contam com o incentivo do governo federal?

Levy – O governo federal tem incentivado muito através do Fundo Setorial do Audiovisual com a Lei 12.485, que é justamente pra fomentar essa produção nacional com recurso financeiro, são aproximadamente 500 Milhões anuais e a gente briga para que essa distribuição atenda condignamente a Região Norte que é considerada “O Patinho Feio do Brasil”.

Zk – O Que é preciso para se firmar esse respeito para com o Norte?

Levy – É preciso ter alguém lá nos representando. Lá que digo, é junto aos órgãos responsáveis pela distribuição desses recursos. As decisões não podem vir de cima pra baixo e as nossas articulações junto ao pessoal do Sul e Sudeste é que incluam algumas coisa para a nossa região. Já temos algumas conquistas em alguns editais que prioritariamente temos um percentual maior para as produções do Norte.

Zk - Durante o festival vamos assistir o que em se falando de produção de cineastas do Norte?

Levy – Aqui tem um filme muito interessante da Festa do Divino. Um moço que mora aqui em Porto Velho foi lá e filmou, na realidade, ele fez um copião, mas, conseguiu registrar a Festa do Divino uma tradição de mais de 120 anos no Vale do Guaporé. Tem um filme da Simone Norberto que traz um poema e essa questão da memória dos índios, eles fizeram uma oficina lá dentro da aldeia Cinta Larga e tem três filmes inscritos. Tem um filme de ficção de Manaus, o Para bombou este ano, eles mandaram muitas produções. É como falei, o Fundo Setorial e onde tem a Lei de Incentivo as produções fluem muito mais. O Para e o Amazonas hoje são os maiores produtores aqui do Norte.

Zk – Por falar em Lei de Incentivo, como está a questão de Rondônia nesse naipe?

Levy – Recentemente em uma audiência pública na Assembléia Legislativa coloquei uma pauta para os deputados, para a criação da Lei de Incentivo Fiscal ou de Incentivo a Cultura.

Com a Lei de Incentivo Fiscal você vai trazer os empresários para fomentar não apenas o cinema, mas, todos os segmentos da cultura. É interessante ter essa Lei tanto do estado como do município, Porto Velho já comporta uma Lei de Incentivo Fiscal.

Zk – Este ano as exibições vão acontecer em quais locais?

Levy – Temos dois locais de exibição dos filmes classificados. A principal sala será no Teatro Guaporé uma parceira com FUNPAR e o governo de Rondônia via Secel e no IFRO da Calama.

Zk – Quando começa?

Levy – O Festival vai acontecer entre os dias 1º, 02 e 03 de junho. A abertura vai ser no dia 1º de junho as 19h00 no Teatro Guaporé quando será exibido o filme “A Epopéia da Comissão Rondon”. Os jurados somos nós da Associação, o Luiz Brito da ABD Rondônia é nosso parceiro. Temos o prêmio melhor filme rondoniense que leva o troféu jornalista Nelson Townes de Castro. Observamos se a trilha sonora é original ou não. Na realidade nos preocupamos muito com a qualidade da produção.

Zk – Qual o troféu principal e quais são os parceiros?

Levy – É o Arara Azul que é confeccionado por uma artesão rondoniense nascido em Guajará Mirim o Pedro Furtado. Como já dissemos, o governo de Rondônia, a Prefeitura através da Funcultural, Sesc/Fecomercio sempre são parceiros de primeira hora, Diário da Amazônia, Setur (Julio Olivar), 17ª Brigada, Eletronorte, Iphan, Tupy refrigerantes, ABD, Ocampo Fernandes, Central Norte, Júnior Sun, Pousa do Chicão e nossos colaborados voluntários do Curta Amazônia.

Fonte - Zé Katraca

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