RONDON: O GRANDE CHEFE

Ele foi alm da misso, ele foi ao limite do mundo at ento desconhecido, e assim, permitiu que a nossa Amaznia fosse conhecida com mais propriedade, com mais riqueza de detalhes.
Terça-Feira, 05 de Maio de 2015 - 00:14

Palavras parecem não ser suficientes para narrar a epopeia de um homem cidadão do mundo amazônico, que árdua missão assumiu para integrar este canto do mundo ao Brasil. São os “fios da história” que levarão ao povo brasileiro a possibilidade de descobrir o Brasil mais uma vez. Rondon não se limitou a erguer postes telegráficos e construir estações.

Ele foi além da missão, ele foi ao limite do mundo até então desconhecido, e assim, permitiu que a nossa Amazônia fosse conhecida com mais propriedade, com mais riqueza de detalhes e permitindo que este mundo verde não apenas fosse de fato integrado ao país, mas o inverso, sendo assim, a construção das Linhas Telegráficas da Comissão Rondon, para nós um legado histórico fantástico deixado pelo suor, dedicação e alma de um verdadeiro cidadão brasileiro.

A idéia de colocar os estados da região Norte em comunicação com o resto do país já vinha sendo discutida desde o período do Império. Com a proclamação da República, o governo colocara em prática o projeto e criara a Comissão Construtora das Linhas Telegráficas. Para chefiar a quarta e última etapa da linhas telegráficas saindo de Cuiabá, Mato Grosso ao Amazonas entre 1907 e 1915 foi escolhido o homem certo para o lugar certo: Cândido Mariano da Silva Rondon.

O Tratado de Petrópolis assinado no dia 17 de novembro de 1903 deu ao Brasil o compromisso de construir a Ferrovia Madeira-Mamoré. Em troca, anexava-se ao Brasil, as terras que hoje formam o Estado do Acre, acrescentando mais, a necessidade de se colocar a região em contato com a capital do país. Por isso, a comissão Rondon teria a missão de ligar Cuiabá a Santo Antônio do Madeira e à região do Acre. A primeira etapa dos trabalhos seria o reconhecimento, a exploração topográfica da região por onde passaria a linha telegráfica.

Para executar o reconhecimento geográfico, Rondon dividiu o projeto em três etapas. Os trabalhos de cada etapa seriam executados por expedições separadas. Sendo as etapas: primeira com a expedição que executaria o reconhecimento de Cuiabá ao rio Juruena. A segunda expedição faria o reconhecimento do rio Juruena à Serra do Norte. A terceira partiria da Serra do Norte e atingiria Santo Antônio do Madeira.

No ano de 1907 deram início aos trabalhos. A primeira expedição saíra de Cuiabá em agosto. Além de Rondon, compunha a expedição, o Tenente João Salustiano Lira, o farmacêutico Benedito, o fotógrafo Leduc e mais 12 pessoas, entre trabalhadores e soldados do exército. No dia 02 de setembro, a expedição partiu da localidade de Diamantino e seguira em direção a Serra dos Parecis e já no dia 07 de setembro, a expedição entrara em contato com os índios Parecis que já eram civilizados.

No mês de outubro, a expedição já se encontrara em território dos índios Nhambiquaras. No dia 20 de outubro, a expedição atingira as margens do Juruena. Ali próximo, havia uma aldeia dos Nhambiquaras e Rondon resolvera fazer contato com os índios, e assim o fez, mas acabou sendo flechado pelos mesmos. Mesmo sendo hostilizado, Rondon mantem a tropa segura, e não permiti que o alto grau de tensão, pudesse levar seus comandados a cometerem um massacre. Em suma, na visão de Rondon os índios defendem sua casa, a floresta.

As operações da primeira expedição duraram 89 dias. Durante esses dias foram feitos reconhecimentos entre as regiões de Diamantino e o rio Juruena. No dia 29 de novembro de 1907, a expedição chegou ao povoado de Diamantino e em seguida, retornou a Cuiabá.

A segunda expedição em 1908 era composta por 127 homens, todos armados, 90 bois cargueiros, 50 burros de cargas, mais 30 de sela, 06 cavalos, 20 bois para corte. A expedição percorreu o caminho anteriormente mapeado em 1907, em seguida atravessam os sertanistas o Rio Juruena e novamente são atacados pelos índios Nhambiquaras que naturalmente defendem sua terra. Mesmo assim, Rondon ali instalou o “Destacamento Juruena”, com 62 praças, sob o comando do Tenente Ferreira. Prosseguindo os trabalhos, finalmente Rondon chegou a Serra do Norte. Ali Rondon fincou o marco de 129 quilômetros.

De todas as expedições, a última de 1909 foi a que mais dificuldade enfrentou. A expedição se caracterizou como uma verdadeira expedição de exploração e reconhecimento. O percurso a ser reconhecido era também o mais extenso. Por ele Rondon percorreu 1.100 quilômetros via fluvial e 1.200 via terrestre. Até então no mapa do Brasil o que hoje é o Estado de Rondônia era denominado de “Terras Desconhecidas”. Essa região tratava-se do espaço situado entre a Serra do Norte e a cidade de Santo Antônio do Madeira, hoje um bairro de Porto Velho.

Essa última etapa dos trabalhos de reconhecimento, envolvia uma região onde as características geográficas praticamente, eram inexploradas. Daí também, a necessidade de serem feitos estudos envolvendo a parte do relevo, hidrografia, fauna, flora e solo da região. Consciente das suas responsabilidades, das dificuldades a serem enfrentadas, Rondon dividiu a expedição em duas turmas e denominou de “Turma do Norte” e “Turma do Sul”.

O período de construção das Linhas Telegráficas em nossa região pela Comissão Rondon ocorreu entre os anos de 1907 e 1915, sendo inaugurada oficialmente em 1° de janeiro, quando Rondon profere um grande discurso enaltecendo o Brasil, o seu povo e a integração pelos fios do telégrafo. Lembrou também do trabalho de seus comandados que encaram o grande desafio de encarar a floresta amazônica sofrendo com as doenças, ataque dos índios e outros desafios que diariamente eram apresentados aos homens que ligaram essa região da Amazônia aos centros políticos do Brasil pelos “fios da história”. 

Aleks Palitot
Historiador reconhecido pelo MEC pela portaria n° 387/87
Diploma n° 483/2007, Livro 001, Folha 098

Fonte - Aleks Palitot

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