Quarta-Feira, 01 de Abril de 2015 - 10:51 (Geral)

AFETADOS NÃO DEVEM VOLTAR ÀS CASAS

De acordo com dados da Agência Nacional de Águas (ANA), o rio sobe e desce constantemente, tornando imprevisível uma nova enchente.


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Emerson Machado
DIÁRIO DA AMAZÔNIA

Com a possibilidade cada vez menos eminente de uma cheia como a que aconteceu no ano passado em Porto Velho, moradores de áreas afetadas continuam sem voltar para casa. Algumas, aliás, nunca poderão fazê-lo. Mesmo com uma oscilação constante no nível do rio Madeira na capital de Rondônia, os números preocupam. De acordo com dados da Agência Nacional de Águas (ANA), o rio sobe e desce constantemente, tornando imprevisível uma nova enchente.

Segundo o portal da agência, ontem o rio apresentou diferentes níveis durante todo o dia. A medição, que é feita de 15 em 15 minutos e disposta em tempo real no portal, mostra que na segunda-feira (30), o nível do rio à altura de Porto Velho às 16h era de 16,31m. Apenas 15 minutos depois, às 16h15, o medidor marcava 15,73m. Ou seja: quase 60cm a menos em pouquíssimo tempo.

Números estão bem abaixo do que foi registrado no início do fim de semana, quando o nível marcava quase 17m. As inundações deste ano fizeram com que várias famílias do bairro Nacional e do Baixo e Médio Madeira fossem realocadas em outras regiões da cidade. No entanto, no local com bastante densidade de habitantes chamado de Beco Gravatal, zona Norte da cidade, algumas pessoas começaram a arriscar uma volta às residências.

FUTURO DAS FAMÍLIAS CONTINUA INCERTO

Tanto para Ângela quanto para Fátima, as características de abandono sobre o Beco Gravatal é o que mais incomoda. “Isso aqui é abandonado. Ninguém se interessa em aterrar, em melhorar a qualidade de vida das pessoas que moram aqui. Se bem que qualidade de vida aqui praticamente não existe”, desabafa Ângela.

Animais e peixes convivem em meio ao lixo sob as pinguelas de madeira. Crianças e adultos ficam expostos à doenças e condições extremas de poluição. As casas sobre palafitas estão danificadas pelas enchentes e pelos movimentos de vai e vem da água, que sobe e desce. “Eu não tenho interesse em sair daqui, pois é aqui onde moro desde 1982. Ninguém mexe com a gente. É seguro pra nós”, revela Fátima.

Já Ângela tem o desejo de se mudar caso a prefeitura esteja planejando a remoção das famílias da área para moradias definitivas. “Em fevereiro veio um pessoal aqui e pegou meu nome, CPF e alguns dados, iam colocar em um cadastro para receber moradia. Eu gostaria de morar em um lugar melhor, com mais qualidade de vida”, conclui.

No entanto, as casas do Beco Gravatal ainda estão em pé – mesmo que não se saiba por quanto tempo. E o futuro das famílias que residem no local continua incerto como o nível do rio Madeira, que muda constantemente – sem deixar ninguém dormir tranquilo. A última enchente do local não é a de 2014; aconteceu há poucos dias, no sábado de 21 de março e atingiu 170 famílias.

SITUAÇÃO DE ABANDONO NO BECO

No mês passado, a Secretaria Municipal de Programas Especiais e Defesa Civil (Sempedec) realizou a retirada de várias famílias na localidade. Na ocasião, a equipe do Diário foi informada de que os moradores da região estavam aceitando de bom grado a transferência para locais mais seguros. No entanto, muitas pessoas já retornaram às casas que ainda permanecem em pé sem liberação para ocupá-las novamente.

Segundo Fátima Gomes de Lira, moradora de uma parte mais alta do Beco Gravatal (mas que ficou bem próximo da água na enchente de 2014), algumas pessoas voltaram, pois não tinham mais para onde ir e, de acordo com ela, têm o direito de permanecer no local.

O cenário do beco é de abandono. Casas de palafitas estão em situações precárias e o lixo domina quase todo o local. As pequenas pontes de madeira improvisadas pelos próprios moradores que retornaram ao local não são seguras e, abaixo delas, há apenas destroços do que as casas guardaram um dia. “É muito lixo. Já pensamos em fazer um mutirão para retirar, mas as pessoas aqui são muito desunidas. E o medo de a água voltar faz todos ficarem desanimados com a restauração do lugar”, afirma Ângela Nobre – moradora do Beco Gravatal há mais de 30 anos.

Fonte: DIÁRIO DA AMAZONIA

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