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DESABRIGADOS DA CHEIA DE 2014 AINDA PASSAM POR SUFOCOS E HUMILHA钦ES; USINAS INFLUENCIARAM, DIZEM ESPECIALISTAS

As barragens em Porto Velho, segundo o pesquisador, influenciam at as inunda珲es na Bol韛ia.
Terça-Feira, 10 de Março de 2015 - 21:07

Felipe Corona
Especial para o News Rondônia

A enchente do Rio Madeira do ano passado ainda está bem presente na memória de muitas famílias de Porto Velho. Ainda mais, quem ainda passa sufocos e humilhações para tentar viver dignamente depois de muitas tristezas. É o caso do senhor José Ferreira, de 54 anos, ex-morador do bairro Triângulo. Ele conta que hoje sua rotina foi totalmente mudada pela marca histórica de mais de 19 metros. “Antes, meus filhos iam à pé para a escola e eu ia trabalhar próximo ao Centro. Hoje, moramos no bairro São Francisco, pegamos ônibus, estamos em uma vizinhança desconhecida e desconfiada. Com o dinheiro do aluguel social, que é 300 reais, só deu para pagar uma casinha aqui”, diz ele entristecido por morar em uma residência de quatro cômodos para sete pessoas.


Fotos: Marcos Freire

Passado um ano, a agonia ainda é maior para Girlaine Neves, de 38 anos. Ela mora com o marido e três filhos em uma pequena barraca de lona no parque dos Tanques, para onde foram encaminhadas mais de 200 famílias na cheia de 2014. “Segundo o que me disseram, só há duas famílias morando no parque. Também explicaram para a gente que não entramos nas regras para receber o aluguel social. Enquanto isso, temos que ficar numa quentura insuportável durante o dia, e quando chove, alaga tudo. Banheiro para necessidades, só químico. Para tomar banho, é um sufoco. Estou cansada dessa situação e de tenta enrolação”, desabafou ela.

Trabalho

Atualmente, a Defesa Civil de Porto Velho, ligada à Prefeitura, já retirou pelo menos 20 famílias de áreas de risco como bairros Nacional, Milagres e Baixa da União, normalmente os mais atingidos com o regime de subida e descida das águas. O coordenador municipal do setor, José Pimentel, afirmou que nesta terça-feira (10), será inaugurado o primeiro abrigo público que vai receber os desabrigados da cheia deste ano que será o prédio desativado da escola municipal Ermelindo Moura Brasil, do outro lado do Rio Madeira, logo após a ponte.

Segundo ele, não há prazo para a abertura de outro abrigo público para receber mais famílias, caso seja necessário. “Por enquanto, contamos com o apoio de Igrejas Católicas e Evangélicas que estavam abrigando essas primeiras famílias. Caso seja necessário, as novas pessoas que forem retiradas das áreas de risco serão encaminhadas para esses locais, enquanto verificamos a disponibilidade de novas áreas. Não vamos mais alocar famílias em escolas públicas. Ano passado, tivemos muitos problemas com essa situação”.

Fora de Porto Velho, em cidades como Nova Mamoré e Guajará-Mirim, o trabalho fica por conta da Secretaria Estadual de Assuntos Estratégicos (SEAE) que cadastra as famílias em áreas de risco que ainda não foram atingidas pela cheia. Mas ainda há gente com medo.


fotos google

“Estou preocupada já que a água já está bem próxima da minha casa. Ano passado, as águas cobriram minha casa e tive que ficar abrigada quase três meses em uma escola pública em Nova Mamoré. O pessoal do Governo veio em minha casa, pegou alguns dados e disse que caso a água venha, posso receber ajuda para o aluguel social. Mas, não queria ter que sair da minha casa mais uma vez”, disse Maria das Graças Souza, de 65 anos, moradora da Vila Murtinho, há cerca de 180 quilômetros de Porto Velho.

O papel de cada um não é bem claro no que fazer diante de cada cheia, mas o Governo Estadual prometeu retirar as famílias das áreas de risco e entregar novas casas no ano passado.


foto Roberto Stuckert Filho/PR

“O Governo Federal fez festa, disse que ia ajudar, mas não venho um real para nos ajudar a resolver a questão da cheia. O pouco que estamos fazendo é com recursos próprios”, falou ele à época, em entrevista em uma emissora de televisão.

Usinas têm culpa?

O pesquisador do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA), PhD. Philip Martin Fearnside concorda que os estudos ambientais feitos sobre as Usinas de Santo Antônio e Jirau são insuficientes e aponta os fatos que relacionam as hidrelétricas ao fenômeno que atingiu cidades de Rondônia e Bolívia nos últimos meses.


foto Júlio Malta

“Vários impactos que vem acontecendo não foram mencionados no estudo de impacto ambiental, como, por exemplo, a erosão da orla de Porto Velho. Uma coisa previsível porque você tem toda a energia da água descendo o rio concentrando em uma barragem que são 7 km acima da cidade de Porto Velho, enquanto que antes todos os 117 km do lago de Santo Antônio estavam liberando essa energia”, explicou ele.

Desta forma, o pesquisador garante que a velocidade da água que sai pelo vertedouro é muito maior e vai causar mais erosão. "Também mudou a direção das correntezas para jogar mais água contra a orla, como o que aconteceu logo no início quando fecharam as barragens, em 2011/ 2012, cerca de 300 casas foram destruídas. Também tem uma inundação natural com enchente que está começando de um ponto mais alto que em um rio natural”, apontou.

As barragens em Porto Velho, segundo o pesquisador, influenciam até as inundações na Bolívia. Também se tem um impacto na Bolívia em um trecho acima dos distritos de Abunã porque o nível de água em Abunã aumentou um metro nesta enchente, acima do que teria sem a barragem, segundo o estudo de um grupo francês que está trabalhando na Bolívia”, contou Philip.

O doutor em Engenharia Mecânica na área de Planejamento de Sistemas Energéticos Célio Berman explica a relação das tecnologias utilizadas nos empreendimentos com a cheia histórica.


foto Marcos Freire

Ele ainda acrescenta: “Independente da característica da usina, todas elas modificam o regime hidrológico. É possível que o fato [das usinas do Madeira] serem a fio d’água tenham reduzido os problemas que normalmente são verificados em usinas tradicionais. É difícil se afirmar que as barragens foram as únicas causadoras dos eventos, mas é possível afirmar que a existência das barragens potencializou as consequências da cheia”, finalizou ele.

Fonte - NewsRond鬾ia
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