DI罵IO DA INDON蒘IA - A COBERTURA DE UMA MORTE ANUNCIADA

Atravessei boa parte do mapa pensando nisso e na avalanche de coment醨ios raivosos e cheios de raz鉶 que inundariam as redes sociais nos pr髕imos dias.
Segunda-Feira, 19 de Janeiro de 2015 - 12:32

Mal deu pra recuperar da cobertura pesada dos atentados de Paris, já estávamos num avião de novo, a caminho da Indonésia, para a cobertura de uma morte anunciada.  E cruel.


Momentos antes do pouso em Cilacap, na Ilha de Java

Logo no início das mais de vinte horas de viagem entre Londres e Jacarta, o repórter cinematográfico que trabalha comigo, um inglês, me perguntou sobre o que os brasileiros acham sobre a pena de morte. Não me convenci com a resposta que dei, de que éramos majoritariamente contra. Atravessei boa parte do mapa pensando nisso e na avalanche de comentários raivosos e cheios de razão que inundariam as redes sociais nos próximos dias.

Antes de seguir com esse raciocínio, algumas consideraçõe são importantes:

- Marco Archer não era um herói. Era um traficante confesso, que se benificiou o quanto pôde do corrupto sistema prisional da Indonésia.

- O governo brasileiro fez o que qualquer governo minimamente coerente com as posições que defende faria.

- A execução de seis prisioneiros no fim de semana não foi apenas um golpe no tráfico de drogas. Foi também um instrumento de propaganda do novo presidente eleito da Indonésia, Joko Widodo. Um Estado que mata é também um Estado mais temido, mais "respeitado" e menos questionado.

Aos que oferecem a cabeça de políticos brasileiros para a justiça indonésia, há que se levar em conta uma informação importante. No ranking da corrupção da Transparência Internacional, eles estão longe de serem exemplo. Em 2014, o Brasil ficou na posição 69, ainda bastante modesta, mas melhor que no ano anterior, quando estávamos na posição 72. A Indonésia, que mata pra fazer Justiça, está na posição 107. 

Todos os relatos que ouvi aqui em relação a isso são de uma situação bem pior daquela da qual reclamamos tanto no Brasil. Em conversa reservada, autoridades brasileiras me contaram sobre a absoluta falta de organização e de respeito com as famílias dos condenados nos últimos momentos que tinham com seus parentes. Um dos relatos dá conta de que até o motorista do ônibus da polícia que leva visitas até a área da prisão queria uma "caixinha" pra não se atrasar e não prejudicar a última conversa com os condenados antes da execução. Na esfera governamental, há pouca transparência nas contas, ao contrário do Brasil, cujos gastos são mais abertos até que a Dinamarca, segundo a organização "Open Knowledge". Isoladamente, esse dado importante não nos faz um exemplo. Estamos estagnados no combate à corrupção, de acordo com a Transparência Internacional. Mas daí a ter o cruel e desrespeitoso método dos indonésios como exemplo é outra história.


Interior do avião de 20 passageiros na viagem entre a capital Jacarta e Cilacap

O "rigor" das leis do país também não deixou mais difícil a vida de quem vende e quem compra drogas em Bali, paraíso indonésio, frequentado principalmente por jovens europeus e australianos. Aqui segue uma matéria do "The Daily Telegraph", de Sidney, sobre o assunto.

http://www.dailytelegraph.com.au/news/nsw/drugs-sex-and-schoolies-why-bali-is-every-parents-worst-nightmare/story-fni0cx12-1227131132383?nk=9a9c9c0cd562c14cc228bd6b7ece3293

O debate sobre a pena de morte é sério. Não dá pra sustentá-lo com argumentos rasos, que incluem preferências políticas e achismos momentâneos. Em muitos países que aplicam a pena capital e que frequentemente são colocados como exemplo para os nossos problemas, muitos "juízes" do "Tribunal Penal do Facebook" seriam condenados de verdade só por expressar suas opiniões - questionáveis ou não - publicamente.

A pena de morte da Indonésia não é exemplo pra nós. E quem diz que é, usa o recurso tentador do discurso popularesco, raso e enganador, algo tão cruel e violento quanto a própria pena capital.

Fonte - sergioutsch.blogspot

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