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Terça-Feira, 24 de Novembro de 2020

SANTO ANTÔNIO DE MUITAS HISTÓRIAS

Santo Antônio foi elevado a município em 1908, mas só em 1912 deu-se a instalação; eis que sob a liderança do primeiro prefeito municipal, Dr. Joaquim Augusto Tanajura, tenente médico baiano da Força Policial, que acompanhara como médico a Comissão Rondon de 1909.
Sexta-Feira, 11 de Julho de 2014 - 10:37

Em Santo Antônio do Madeira desde 25 de janeiro de 1873 já havia uma Mesa de Renda para cobrança de impostos e, em 7 de julho de 1891 fora estabelecida a coletoria, seguindo-se a criação e instalação da comarca, com seu primeiro Juíz de Direito, o Dr. João Chacon. Lembrando os nomes do PE.

João Sampaio, missionário jesuíta do século XVIII, de Félix de Lima, de Severino da Fonseca e outros, rasgaram-se as ruas, praças e avenidas em plena floresta. Não havia esgoto, nem água canalizada, nem iluminação de qualquer natureza, onde o gado era abatido em plena rua à carabina e as porções não aproveitadas, abandonadas no próprio local, onde monte de lixo e de todos os produtos da vida vegetativa eram atirados às vielas esburacadas ou apoiados às paredes das habitações, onde pântanos perigosos proporcionavam aluviões de anofelinos a espalhar a morte por todo o povoado.

Santo Antônio foi elevado a município em 1908, mas só em 1912 deu-se a instalação; eis que sob a liderança do primeiro prefeito municipal, Dr. Joaquim Augusto Tanajura, tenente médico baiano da Força Policial, que acompanhara como médico a Comissão Rondon de 1909. Em Santo Antônio a vida tornava-se mais humana: já havia iluminação elétrica, cogitava-se a instalação de uma biblioteca, enquanto “O Bilontra” (tipo de jornal mural) colado nos muros substituía o jornal cotidiano. Logo de início abriu-se uma escola e planejava-se importante estrada de rodagem, embora pequena. No entorno da localidade, continuava a presença dos índios. O autor de “Desbravadores” às págs. 215 e seguinte do primeiro volume, assim descreve Santo Antônio:

A região era ocupada por uma população ondulante, instável, de aventureiros aliciados para um trabalho que oferecia todas as probabilidades da desventura. Fracassados na vida, audaciosos e viciados, aumentavam ao sabor das condições econômicas. O dia escoava-se ao ritmo do trabalho; a noite, ao ritmo da algazarra, da música, dos gritos e discussões em uma dúzia de línguas nos botequins, casas de jogo e de tolerância.

Estas, eram numerosas: as francesas chegadas de Paris alinhavam-se com as brasileiras, as espanholas e bolivianas, de permeio aos homossexuais e pederastas.

Bebia-se champanhe, cerveja e aguardente. Comia-se peixes do rio Madeira e as mais finas conservas nacionais e estrangeiras. As brigas eram freqüentes, os crimes comuns, lê-se no 1° Livro de Ofícios do Arquivo do município de Santo Antônio: uma verdadeira “currutela” (pequena vila com comércio), dir-se-ia hoje em termos de garimpo.

Assim é que, não obstante a passagem benéfica de Oswaldo Cruz ( o município aduirira dez mil cápsulas de quinino), o Livro de Óbitos evidencia que era alto o índice de mortes, sobretudo crianças, causados por Beribéri e o impaludismo.

O autor de “Desbravadores” lembra ainda que, contra tantas adversidades, vingara a idéia da edificação de uma capela, “Não fora convicção, se-lo-ia ao menos para querer imitar as outras terras civilizadas”.

Em todo caso, em meio aquela multidão de homens sem nenhuma instabilidade, havia uns poucos bem intencionados. Em 1919 era Prefeito o Dr. José Adolfo de Lima, tendo como vereadores de sua Câmara Municipal, Salustiano Alves Correia (presidente), João Ranulto Brasil, João L. de Souto, Boaventura S Rolim, Manoel S. dos Santos, José F. da Conceição e Raul Arantes Meira.

Hoje, a localidade de Santo Antônio é sombra de um passado movimentado. História esquecida e abandonada por gerações, onde poucos sonhadores ainda lutam por seu resgate, revitalização e preservação do patrimônio histórico. Se no distante passado, os gestores e políticos de época buscavam solucionar os problemas da localidade com o intuito de seu desenvolvimento, hoje, a geração política nem se constrange em negar o passado, fechando os olhos para a identidade local, lugar que foi o primeiro núcleo habitacional a margem direita do Rio Madeira, marco de ocupação da região de Porto Velho, vergonhosamente abandonado no presente, foi glória no passado, talvez esquecida no futuro.

Fonte - Aleks Palitot
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