News Rondônia Notícias de Rondônia, Brasil e o Mundo
Terça-Feira, 24 de Novembro de 2020

OS SEGREDOS DE NASCA, POR ALEKS PALITOT

Os Nazcas foram mais uma dessas civilizações dominada pelos Incas e assim, parte da sua cultura foi sendo abandonada.
Segunda-Feira, 20 de Janeiro de 2014 - 11:05

Von Däniken apresentou como provas ligações entre as colossais pirâmides egípcias e os incas, as quilométricas linhas de Nasca e os monumentos da Ilha de Páscoa.

Pude ver de perto a monumental região de Nasca, e constatei a beleza sem igual de um deserto exuberante, de uma cultura milenar e de uma intrigante história da Civilização Nazca.

Mas, os Andes, são marcados pela presença de muitas outras civilizações, que ao longo do tempo e da história foram conquistadas pelo Império Inca, e sendo incorporadas aos costumes e hábitos dos “Filhos do Sol”. Os Nazcas foram mais uma dessas civilizações dominada pelos Incas e assim, parte da sua cultura foi sendo abandonada.

Mas, como dizia um general romano: “O que fazemos em vida, ecoa na eternidade, e assim, as grandes obras e monumentos da civilização Nazca permanece preservada, graças ao empenho desse povo no passado, e atualmente, devido as políticas de preservação do patrimônio histórico pelo governo peruano.

São mais de 150 geoglifos, desenhados em um deserto de pedras e areia, que mesmo com as tempestades de areia que a população local denomina “Paracas”, chuva de areia, os desenhos resistem, como tatuagens do tempo, feitos para durar, para reverenciar os deuses. Além dos desenhos em forma de macaco, colibri, condor, baleia e outros mais, existem cerca de mais de 7 mil linhas, que seguem pelo deserto, em um caminho que parece não ter fim.

Existem muitas versões, e é isso que alimenta ainda mais o indecifrável enigma de Nazca. A versão mais considerada é a da pesquisadora alemã Maria Raiche, que teve boa parte de sua vida, dedicada aos estudos das linhas de Nazca, e sua conclusão é que o conjunto de desenhos e figuras, trata-se de um enorme calendário astronômico dedicado aos deuses.

Em Nasca você pode conhecer o Cemitério de Chauchila, e entender através das múmias daquele lugar, um pouco da cultura, vida e cotidiano de um povo. Formas semelhantes dos egípcios no processo de mumificação, a crença na vida após a morte e os túmulos recheados com jóias em prata e ouro, cerâmicas e jarros com pinturas perfeitas, que infelizmente muitas das quais foram roubadas por ladrões de túmulos ou huaqueiros, como são chamados os caçadores de tesouros no Peru.

E como sobreviver sem água no deserto? Os Nazcas, fizeram canais subterrâneos de água com conexão a trechos de rios que estavam a 300 quilômetros de distância, ou até mesmo buscavam recursos hídricos nos Andes nevados as 500 quilômetros, e por esses canais e aquedutos como são denominados pelos peruanos, irrigavam suas plantações e tornava possível a vida em meio a um deserto.

O mais impressionante, foi visitar a pirâmide de Cauachi, o maior centro cerimonial da América com 24 quilômetros quadrados de sítio de histórico. Uma grande pirâmide feita de tijolos no meio do deserto, que está sendo recuperada graças ao trabalho de arqueólogos italianos e o empenho do governo peruano. No passado, acredita-se que em Cacuachi, eram realizadas cerimônias de sacrifícios humanos para garantir boas colheitas e vitórias em caso de guerra. A comprovação dessa versão se deu por causa das descobertas com as escavações. Jarros antigos com resíduos de sangue e cabeças encontradas sem o corpo, em recintos restritos aos xamãs, confirmam essa hipótese.

Uma paisagem formada também por seus sons, suas texturas e cores. Além disso, paisagens que receberam valorações, simbologias, significações na estruturação das relações humanas, carregando conjuntos de mentalidades, mitologias. As paisagens são bens de valor inestimável aos povos por estarem na base de suas vidas.

Nazca é um exemplo de sustentabilidade, de turismo histórico e de preservação patrimonial. Mais do que apenas lembranças do passado, o patrimônio cultural é o elemento central que garante a manutenção das comunidades ao longo do tempo, transmitindo, de geração em geração, os princípios fundamentais de sua cultura. É o que nos ajuda a aprender quem somos, como nos tornamos e para onde vamos.                    

Aleks Palitot
Historiador reconhecido pelo MEC pela portaria n° 387/87
Diploma n° 483/2007, Livro 001, Folha 098

Fonte - Aleks Palitot
Comentarios

News Polícia

Editoria de Cultura

Editoria Geral

Siga-nos:

POLÍTICA PRIVACIDADE

Todos os direitos reservados. © News Rondônia - 2020.