Militares nas eleições

A iniciativa foi do então presidente do TSE, Luís Roberto Barroso
Sábado, 07 de Maio de 2022 - 11:04

Autor: Júlio Cardoso

O senador Renan Calheiros (MDB-AL) verbaliza preocupação de diversas lideranças políticas que até agora estava restrita a conversas de bastidores: a de que o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) pode ter se equivocado ao convidar as Forças Armadas para integrarem uma comissão de transparência das eleições.

Foto: Coter/Exército Brasileiro

A iniciativa foi do então presidente do TSE, Luís Roberto Barroso. "O presidente Jair Bolsonaro e setores militares do Ministério da Defesa acabaram assaltando e aparelhando a sua participação nessa comissão", diz Renan Calheiros. "Se aproveitaram da boa vontade do ministro Barroso", segue ele.

Renan diz que os militares já fizeram mais de "setenta questionamentos", e até exigiram a publicação de todos eles.

"De boa-fé, o tribunal acabou sendo ingênuo e abriu um precedente para legitimar essas ações que vêm de fora. Bolsonaro e setores da Defesa se aproveitam disso", diz ainda o senador.

Diante do comportamento dos militares indicados pelo Ministério da Defesa para a comissão, o senador diz ser forçoso reconhecer "a veracidade" da frase de Barroso sobre a participação deles no processo.

Na semana passada, o ministro afirmou que, "gentilmente convidadas para participar do processo, [as Forças Armadas] estão sendo orientadas para atacar o processo e tentar desacreditá-lo".

O magistrado afirmou que, apesar disso, "o profissionalismo e o respeito à Constituição têm prevalecido" nas Forças.

CONSIDERAÇÕES:

O senador Renan Calheiros, independentemente de sua trajetória política, está coberto de razão. O TSE não tem de se submeter aos caprichos de Jair Bolsonaro para que o Exército fiscalize as eleições. A psicopatia do presidente da República não tem limite, beira a sandice e o ridículo.

A normalidade do Estado Democrático de Direito não pode ser interrompida para atender às desconfianças mórbidas do presidente da República.

Lamenta-se que o Parlamento não interceda para barrar as atitudes descabidas do presidente da República em relação à lisura das urnas eletrônicas. 

Fonte - 030 - FOLHAPRESS/ Júlio Cardoso

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