Em Brasília, Txai Suruí cobra a responsabilização do governo federal acerca dos crimes ambientais, nos territórios indígenas

'Até quando esse governo vai ter sangue indígena nas mãos'.
Quinta-Feira, 10 de Março de 2022 - 10:46

De Rondônia, a ativista indígena do Povo Paiter Suruí, da terra Sete de Setembro, Txai Suruí (Walelasoetxeige) procurou fazer do seu discurso um desabafo.

“Esse ato é mais que um ato pela terra, é um ato pelas nossas vidas. A vida dos povos indígenas que diariamente são ameaçados, que diariamente tem os seus territórios invadidos, destruídos, que tem a sua segurança alimentar afetada”, declara.

Txai discursou durante Audiência Pública para debater as medidas preventivas com foco em evitar o aumento do desmatamento e queimadas na Amazônia, Pantanal, Cerrado e Mata Atlântica, nesta quarta-feira (09), em Brasília.

Para Txai, existe uma guerra dentro dos territórios indígenas que estaria sendo proclamada como aval do próprio governo federal. O conflito também contaria com vários agentes, diz a ativista. “Seriam os 20 mil garimpeiros que atuam ilegalmente nas terras indígenas dos Yanomamis, em Roraima”.  

Txai aproveitou o momento para denunciar o cenário crítico de Rondônia, inclusive questionando com prazos, a realização de ações de combate dentro das terras indígenas, com vista na retirada de grileiros pelo governo. “Quando vão tirar as 6 mil cabeças de gado que estão dentro das terras indígenas dos índios Uru Eu-Wau-Wau? Quando vão tirar os garimpeiros de dentro da minha terra, a Sete de Setembro? Até quando esse governo terá sangue indígena nas mãos? Até quando teremos que lutar contra projetos de leis que atacam diretamente as nossas vidas? E quando falo “vidas”, não é somente a dos povos indígenas, mas a vida de todos. Amazônia é fundamental para a vida no planeta”, reitera. Txaí acrescentou. “Fundamental para que a gente tenha um lugar que possamos chamar de casa ou de mãe terra”.

O discurso de Txai para senadores, dentre eles Confúcio Moura e ativistas ambientais revelou um posicionamento particularmente necessário, principalmente em tempos onde os políticos brasileiros buscam resolver problemas de cunho pessoal partidário. E quem, segundo a ativista estaria ganhando? “As pessoas que se dizem que são povo, não são. Eu vejo o povo todo o dia. Eu digo que o povo está sofrendo, o povo está sendo envenenado por mercúrio, o povo tem que lidar todos os dias com as ameaças de morte por defender a coisa que o Brasil tem de mais de valor, a nossa floresta. Vimos nos últimos tempos um aumento do desmatamento dentro das terras indígenas, isso é uma luta real que estávamos travando todos os dias pelas nossas vidas e pelos nossos territórios”, denuncia.

Na reunião, o vice-presidente do Conselho Diretor do Instituto de Democracia e Sustentabilidade fez uma critica a respeito do Cadastro Ambiental Rural (CAR). Além da morosidade na implantação do programa, o CAR estaria recepcionado o registro de “propriedades” ilegais. Quase 30% dos imóveis foi registrado ilegalmente, segundo João Paulo Ribeiro Capobianco como imóvel rural. “Florestas públicas não destinadas que não poderiam jamais ser aceitas no sistema como propriedade “privada” estão sendo registradas pelo CAR”, afirma.

“Na Terra Indígena Uru-EU-Wau-Wau tem mais de mil cadastros ambientais rurais ilegais. Temos projetos de leis que buscam legalizar isso, beneficiar os verdadeiros criminosos”, alerta.

Dentre diversos convidados, como a classe artística, o presidente da Comissão de Meio Ambiente, o senador Jaques Wagner (PT-BA) buscou fazer uma reflexão sobre o discurso de Txai Suruí, ao afirmar que o “depoimento da ativista de Rondônia seria o mais dramático por vivenciar o cerne do problema”, analisa.

Fonte - ƒ News Rondônia

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