Casal adota 5 irmãos para não separá-los. ‘Amor é um ato de coragem’

Com a chegada da pandemia, as visitas foram cortadas por causa das políticas de isolamento.
Terça-Feira, 01 de Fevereiro de 2022 - 17:33

Foi a empatia que fez um casal adotar cinco irmãos que viviam em um abrigo em Rio Claro, interior de São Paulo, para não separá-los.

Jhonatan Wiliantan da Silva, de 28 anos é casado com o enfermeiro Daniel Rocha Braz, de 28 anos. Ele conta que não pensava em ser pai antes da união. Com o relacionamento, veio a vontade de ter os próprios filhos e foi quando ele conheceu as crianças: João Miguel, de 1 ano e 6 meses, Iara, de 3 anos, Harry, de 4 anos, Wendel, de 6 anos e Douglas, de 11 anos.

Hoje, Jhonatan e Daniel têm uma família repleta de amor e se orgulham muito disso. “O amor também é um ato de coragem”, disse o pai em entrevista ao Só Notícia Boa.

Paternidade

Antes de conhecer as crianças, Jhonatan e Daniel consideraram a barriga de aluguel para realizar o desejo da paternidade. Uma tia de Jhonatan se voluntariou, mas acabou que o processo foi interrompido.

Foi quando ele conheceu Douglas, Wendel, Harry e Iara, que viviam em um abrigo da cidade. O jovem então entendeu que a paternidade poderia acontecer de outras formas.

“Eu vi que tinham muitas crianças que podiam precisar de mim”, explica. “Eu sempre gostei de cuidar”.

Jhonatan então apadrinhou os irmãos e mantinha as visitas frequentes. “Eu tinha um carro. Então eu pegava [as crianças] e levava para tomar sorvete, fazer as unhas, essas coisas”, lembra.

Com a chegada da pandemia, as visitas foram cortadas por causa das políticas de isolamento.

Como o apego já era grande, Jhonatan então passou a fazer vídeos e mandar para que as crianças se sentissem mais próximas dele. “Lá [no abrigo] falta o amor, o calor, o carinho que a gente tem na nossa casa”.

Guarda das crianças

Entendendo que os meninos já eram parte da família, Jhonatan então decidiu partir para a adoção. Só que o processo veio com alguns obstáculos.

Ele lembra que foi muito taxado por ser homossexual, principalmente por parte da família das crianças. “As pessoas que me taxavam geralmente eram as mesmas que não queriam cuidar das crianças quando a mãe perdeu a guarda”, lembra.

Além do preconceito, veio a dificuldade financeira e a insegurança de cuidar de quatro crianças pequenas. “Mas eu queria tanto, que não tinha medo de nada”.

Com a entrada do pedido de adoção, Jhonatan soube que a mãe das crianças estava novamente grávida e que o bebê também iria para o abrigo.

Ele conta que chegou a conversar com a família e a tia paterna dos meninos disse que cuidaria do mais novo. Só que após pouco tempo, ela o entregou para a casa de acolhimento.

Jhonatan então passou a ir novamente até o abrigo, mas dessa vez para cuidar de João. Quando saiu a guarda, em dezembro de 2020 e ele decidiu que também levaria o bebê para casa.

Presente de Natal

Jhonatan lembra do Natal de 2020 com muita emoção. Ele conta que os quatro irmãos mais velhos já moravam com o casal na época e só faltava João.

“Eu levei ele na noite de Natal. Deixei ele perto da árvore, chamei as crianças e perguntei: o que vocês gostariam de ganhar de presente?”.

Sorrindo, o pai disse que os meninos falaram vários brinquedos. Então ele anunciou a surpresa. “O Papai Noel mandou outro presente e disse que era para cuidar com muito amor”. Então ele mostrou o bebê e todos se emocionaram muito. “Foi uma noite muito especial e inesquecível”.

Rede de apoio

Para cuidar das crianças, o casal conta com uma rede de apoio linda de amigos. Daniel é enfermeiro e Jhonatan trabalha em uma empresa multinacional. Só que a renda é bastante apertada e hoje eles recebem leite, fralda e outras ajudas para que não falte nada para a família.

“Eu recebo ajuda de leite, brinquedos e muito mais. As pessoas apadrinharam meus filhos”, explica emocionado. “Sem eu saber, as pessoas fizeram uma vaquinha para fraldas quando o João veio para cá”.

Eles também ganharam uma treliche de uma amiga e uma cama para a Iara. Outro momento emocionante, segundo o pai, foi no dia que precisou comprar o berço para João. Quando uma pessoa da loja soube da história deles, fez questão de doar a cama para o bebê.

Mas o pai reforça que não depende das doações. Hoje, Jhonatan trabalha para que durante o dia ele possa cuidar das crianças enquanto Daniel vai para o hospital.

Ele ainda ressalta que prefere muito mais que as pessoas ajudem com coisas do que com dinheiro. “Eu tenho medo das pessoas acharam que estou usando meus filhos”, explica.

Futuro

Sobre o futuro, Jhonatan e Daniel pensam em dar o melhor para as crianças. Hoje, o medo e a insegurança diminuíram, mas eles lembram que passaram por momentos bem complicados.

“Foi difícil? Sim. Pensei em desistir? Nunca”, reforça. “Eu não nasci pai. Eu aprendi a ser um”.

E mesmo com algumas dificuldades, eles buscam sempre dar o melhor para as crianças. No ano passado, Jhonatan e Daniel levaram os cinco irmãos para ver o mar pela primeira vez.

“Eu sinto que eles sempre foram meus filhos. Eu só precisei que outra mãe os gerassem”, finaliza.

Parabéns pela família, meninos! Vocês são um grande exemplo!

Fonte - 025-sonoticiaboa

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