Imaginários da Madeira-Mamoré – parte I

Eu vi um homem com o pensamento entrelaçado a natureza amazônica e a natureza de sua terra natal.
Segunda-Feira, 08 de Novembro de 2021 - 18:26

Eu vi um homem absorto pela natureza e abnegado pelo tempo, revivendo o imaginário de onde viera; internalizando a astúcia de imensuráveis corredeiras, driblando gigantescas e opulentas pedras, seguindo impostergável viagem, sem abdicar da brandura às suas inefáveis margens dos palcos florestais.

Eu vi um intrépido homem, estático e obsoleto, diante da magnitude, fascínio e grandeza da verde mata, espalhando as suas raízes, tais como, os indeléveis cabelos da mãe-d’água, sendo cotidianamente penteados pela magia exuberante de suas mãos divinais e pelo som encantador e sedutor de canto eloquente.

Eu vi um homem com o pensamento entrelaçado a natureza amazônica e a natureza de sua terra natal. O seu imaginário fervia sob o sol causticante e pelas complexidades existenciais que a vida trouxera ao seu longínquo lar, talvez sabendo, ou sem saber, que estava sendo apropriado por um novo lugar, e que talvez ainda, este novo espaço vivido, o acolhesse eternamente e divinamente ao colo mãe desta inebriante terra virgem.

Eu vi um homem plangente dialogando com Deus, e o criador na sua mais imaculada benignidade e subserviência espiritual, ouvia com paciência e generosidade, as comiseradas súplicas de uma peculiar língua, que na piedosa solidão, buscava entendimento, luz e misericórdia, numa espacialidade dadivosa, e ao mesmo tempo, inóspita e hostil.

Eu vi um universo sócio-linguístico-cultural, de maneira tenaz e complacente, promover o egrégio e enigmático advento dos engalanados trilhos que vestiam e enfeitavam o corpo da histórica e instigante Madeira-Mamoré.

Marquelino Santana é doutor em geografia, pesquisador do Grupo de Estudos e Pesquisas, Modos de Vida e Culturas Amazônicas – Gepcultura/Unir e pesquisador do grupo de pesquisa Percival Farquhar o maior empresário do Brasil: Territórios, Redes e Conflitos na Implantação da Estrada de Ferro Madeira-Mamoré (EFMM-RO) e na Estrada de Ferro São Paulo-Rio Grande (EFSPRG-PR/SC), da Universidade Estadual de Londrina e do grupo de pesquisa Geografia Política, Território, Poder e Conflito, também da Universidade Estadual de Londrina. 

Fonte - News Rondônia

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