Política & Murupi: o limite do PIX

É uma tacada de mestre: o bandido vai avaliar se vale a pena o risco do sequestro de uma pessoa com todos os agravantes, para obter apenas mil reais.
Quarta-Feira, 06 de Outubro de 2021 - 11:11

O limite de transferência via PIX de R$ 1 mil, entre 20 horas e as 6 horas da manhã pegou muita gente de surpresa. Quem não mora em locais violentos e perigosos com São Paulo e Rio não se deu conta da importância da medida, mas a verdade é simples: bandidos estão sequestrando pessoas e obrigando que elas abram seus aplicativos e transfiram dinheiro vivo para membros das suas quadrilhas a toda hora. No Brasil o criminoso trava a ordem e impede que a tecnologia facilite a vida do cidadão de bem, mas a mesma tecnologia beneficia o bandido e explico: o golpe do PIX só ocorre porque bandidos, traficantes, celerados, ladrões e todos os outros tipos de criminosos podem abrir contas nos bancos, seja com documentos falsos ou usando laranjas que é gente da mesma espécie e disponibilizam as suas contas para receberem o dinheiro do espertalhão, ganhando uma comissão e depois sacam o restante nos caixas eletrônicos. E o que fazer com bandidos e laranjas, já que todos são iguais perante a lei?

Ora, o estado pode fazer algo muito simples: se comprovado que o titular da conta corrente permite que a sua conta e seus documentos sejam usados para crimes, o Banco Central registra os dados daquela pessoa inclusive o seu CPF numa lista negra e partir daí nenhuma instituição financeira abrirá uma conta em seu nome novamente e ele responderá ainda solidariamente e mais, pelo crime de falsidade ideológica. Para fazer esse “algo simples”, porém será preciso fazer o que é quase impossível: convencer o Congresso – tisconjuro – a dar legalidade ao “algo simples através de um projeto. É difícil, principalmente levando-se em conta a vida pregressa de muitos dos nossos congressistas com suas capivaras policiais. Repito, é muito difícil.

Mas o que muda no PIX? O Banco Central propõe o bloqueio de crédito que acaba de ser feito em contas suspeitas por até 72 horas, o compartilhamento de informações entre os bancos, de contas com problemas para assim possibilitar a limitação de valor de transferência em qualquer horário. É uma tacada de mestre: o bandido vai avaliar se vale a pena o risco do sequestro de uma pessoa com todos os agravantes, para obter apenas mil reais. É avaliação do retorno.

Mas e os outros crimes? No Brasil o estelionato é quase que um crime menor. Se alguém lhe passa a perna e por sorte você descobrem quem foi o autor, nada praticamente acontece com ele. Se o golpe foi via WhatsApp e você perdeu dinheiro, nem o banco, nem a justiça vão dar seguimento a uma investigação que possibilite identificar e punir o bandido. Estelionato no Brasil é sinônimo de impunidade e é exatamente por este motivo que pirâmides financeiras proliferam.

A indústria da aposta oficial e agora da aposta legal ou mesmo da velha agiotagem que infelicitam tantas famílias de adictos sem controle, têm no PIX – que é uma ótima ferramenta para o cidadão de bem – o caminho para a picaretagem e a bandidagem em larga escala.

O PIX nasceu seguro e continuará sendo seguro. Quem não é seguro é o nosso país.

Fonte - News Rondônia

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