Feiras como espaço de valorização da produção local e proximidade com o consumidor

A relação de seu Francisco com essa forma de comércio é de família e vem desde a infância. Aos 10 anos de idade, acompanhava a avó.
Quarta-Feira, 25 de Agosto de 2021 - 16:28

Ponto de encontro da cultura, economia e sociedade, as feiras livres são espaços presentes em grande parte dos municípios brasileiros. Elas possibilitam a população o acesso a alimentos frescos, saudáveis e vindos diretamente de quem produz. Neste 25 de agosto, data em que se celebra o Dia do Feirante, contamos a história de dois personagens que reforçam a importância desses espaços para a economia local, para a agricultura familiar e para o planeta.

Segundo dados do IBGE, a agricultura familiar é responsável pela produção de 70% dos alimentos presentes na mesa dos brasileiros e as feiras livres são o principal meio de contato entre o produtor e o consumidor e, sobretudo, de fortalecimento econômico e social. 

Para o agricultor familiar agroecológico e feirante Francisco Rodrigues de Oliveira, de Rolim de Moura, Rondônia, essa proximidade proporcionada pelo espaço das feiras é benéfica para quem produz e para quem consome: "é muito gostoso conversar com o consumidor, porque ele fica sabendo como é o trabalho, vê o produto ali, sabe da origem. Depois eles voltam e já procuram a gente na feira", conta.

A relação de seu Francisco com essa forma de comércio é de família e vem desde a infância. Aos 10 anos de idade, acompanhava a avó. "Ela vendia direto ao consumidor, nas feiras, e também entregava nas residências. O meu pai também já tinha uma chácara ao lado e já fazia o mesmo. Os consumidores eram sempre aqueles mesmos, nas feiras eles já vinham direto", lembra ele. 

Assim como seu Francisco, a dona Cleide Passos, agricultora agroecológica e feirante de Porto Velho, a proximidade com o consumidor é uma das partes mais importantes do trabalho. "A feira pra mim é uma terapia. É importante para mim conversar com meus fregueses, para que saibam da alimentação que eles estão comprando e que eles vão consumir, que é uma verdura saudável, uma alimentação saudável que nós levamos diretamente da roça, produção nossa, para mesa das pessoas. Isso é uma alegria muito grande", reforça ela.

E não são só os feirantes que valorizam o contato direto com o consumidor. Por outro lado, quem compra também reforça a importância da relação de confiança que se estabelece e, sobretudo, da valorização da produção local. "Dessa forma, a gente ajuda quem está na terra, fazendo esse trabalho tão necessário. E o principal é essa relação de confiança que se estabelece e até facilita a compra. Há também uma humanização dessas relações, acaba por a gente entender como a mudança do clima afeta a terra e enxerga um outro valor no produto", conta o engenheiro e professor Marcelo Barroso, que é cliente fiel de dona Cleide.

Valorizar esses espaços proporciona benefícios a saúde e soberania alimentar, fortalece economia rural e comércio local. "A feira contribui com o desenvolvimento da propriedade de quem se dedica a cultivar, produzir e vender. Você faz a venda direta ao consumidor, que consome um alimento mais saudável e fresquinho", diz seu Francisco.

O planeta também agradece! Ao fazer a feira, o consumidor, além de conhecer de perto a origem de cada produto, pode consumir uma diversidade de alimentos da estação que, além de serem mais suculentos, saborosos e ricos, reduz a possibilidade e necessidade de uso de produtos químicos no processo, respeitando a capacidade da natureza, fortalece a economia local e contribui com a redução das emissões de gases de efeito estufa com o transporte. 

E é justamente a qualidade dos produtos encontrados na feira que chama atenção de Marcelo. Segundo ele, são bem mais naturais, os frutos são geralmente regionais, uma diferença que ele observa com relação aos supermercados, por exemplo, com uma diversidade de frutos de fora. "São questões que, para quem é da região, faz a diferença", reforça.

"Ser feirante não é fácil! A gente está ali na feira, debaixo da chuva e sol, mas nós fazemos uma grande diferença no município. Toda economia que retemos ali é investida no próprio município. E a feira é um ponto de encontro dos amigos, de turismo, ali a gente encontra os compadres, os amigos. É uma satisfação muito grande", finaliza seu Francisco.

Apoio e Fortalecimento

Para Marcelo Ferronato, coordenador do Projeto Viveiro Cidadão, realizado pela Ecoporé com patrocínio da Petrobras através do programa Petrobras Sustentável, que apoia a agricultura familiar em 10 municípios rondonienses para o desenvolvimento produtivo sustentável, as feiras são locais de diversidade. São elas que promovem o verdadeiro encontro entre o campo e a cidade. "Quando passeamos pela feira, é possível notar a diversidade de alimentos, a arte, o conhecimento tradicional, sabores da região, costumes locais e o mais importante, as pessoas que fazem tudo isso acontecer".

Fonte - 025-InfoEcoporé

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