5 locais para conhecer e entender a história negra no Brasil

Confira algumas sugestões de lugares para conhecer mais sobre o protagonismo dessa população na história do país.
Quarta-Feira, 25 de Agosto de 2021 - 15:46

O Brasil é reconhecidamente um país culturalmente diverso e com forte presença negra. Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) apontam 56,1% da população brasileira é negra, o que corresponde a 89,7 milhões de pessoas que se declaram pardas e 19,2 milhões que se reconhecem como negros.

Contudo, mesmo sendo a maioria da população, esse grupo ainda se encontra em nítida posição de desvantagem social. O turismo pode ser uma ferramenta importante para reconhecer o protagonismo das culturas negras brasileiras em diferentes aspectos: organização política, culinária, literatura, teatro, música, esportes, produção acadêmica, entre tantos outros.

Existem diversos lugares para conhecer que mostram o protagonismo dessa população. O turismo na Bahia é a principal referência, mas outros estados também oferecem grandes experiências para os turistas nesse sentido. Confira algumas sugestões para priorizar nas suas próximas férias!

Vale do Jequitinhonha (MG)

Nessa região, ao norte de Minas Gerais, existe a Rota dos Quilombos. Os passeios são organizados e conduzidos por guias turísticos locais, passando pelas cidades de Minas Novas, Berilo e Chapada do Norte e algumas comunidades rurais existentes entre elas.

Os turistas podem escolher dormir em pousadas na região ou na casa de alguma família dessas comunidades. No passeio, pode-se apreciar o artesanato típico da região e manifestações culturais como o congado, as cantigas de roda e a marujada.

No estado reconhecido por sua cultura gastronômica, vale se deliciar com os quitutes servidos nas casas da comunidade, devidamente acompanhadas por bom café e prosa: feijão-tropeiro, galinha caipira, molho de mamão verde com carne de sol e outras delícias feitas com ingredientes cultivados nas comunidades.

Salvador (BA)

Essa é reconhecida como a cidade mais negra fora da África, considerada a “Meca Negra” — o lugar onde todo negro deve ir pelo menos uma vez na vida. E a fama não é a toa: sendo a primeira capital do país e possuindo 8 em cada 10 moradores negros, a capital baiana é uma escola ao ar livre sobre história do Brasil, o protagonismo negro e as mazelas deixadas pelo escravismo.

Um dos lugares mais famosos é o Pelourinho, nome que se refere ao tronco de madeira em que os escravizados eram amarrados e chicoteados publicamente. Se o lugar possui uma memória de sofrimento, hoje ele reúne inúmeros espaços culturais para trabalhar a memória e sensibilizar o público para o problema do racismo — como o Museu Afro-Brasileiro, a Casa do Benin, a sede do bloco Olodum e a Igreja do Rosário dos Homens Pretos.

Ali perto do Pelourinho, existe o Forte Santo Antônio do Carmo, popularmente conhecido como Forte da Capoeira. Essa construção do século XVII serviu de prisão em momentos anteriores da história brasileira e hoje é um espaço cultural muito reconhecido para os capoeiristas, sediando oficinas e outras ações de caráter educativo para a comunidade.

Ainda em Salvador, vale a pena conhecer a tradicional Feira de São Joaquim, que reúne não só alimentos e especiarias, mas também artesanatos, roupas e artigos da cultura do candomblé.

Se você tiver um dia livre, vale a pena ir até à cidade de Cachoeira, a menos de 2 horas da capital baiana. Situada no Recôncavo Baiano, a cidade é berço do samba de roda e tem figuras históricas como Dona Dalva — compositora e integrante da Irmandade da Boa Morte.

Na cidade, existem passeios para fazer na Rota da Liberdade — turismo de base comunitária que envolve apresentações culturais, oficinas de artesanato, visitas à fabricação do dendê e caminhadas pela mata da região. Essa rota foi criada por pessoas de alguns quilombos do Recôncavo e traz roteiros para que os turistas conheçam mais sobre a cultura negra.

São Luís (MA)

Cafuá das Mercês, Museu do Negro para preservar a cultura neste estado, — costumava ser um mercado de escravos — situado em São Luís, na rua Jacinto Maia, 43, no Centro Histórico, para desfrutar de muita história da população negra no Brasil. Cafuá foi originado do dialeto banto, significa cova, caverna, lugar escuro ou isolado.

De estilo colonial, o prédio tem um aspecto sombrio, fachada uniforme com apenas uma porta principal, cercada por seteiras emolduradas por argamassas ao seu redor, sendo as únicas aberturas de luz e ventilação do prédio, indicando a perversidade da escravatura.

Para ressignificar o presente sem esquecer o passado, as principais atividades neste local incluem a exibição de vestimentas de tribos africanas, obras de arte e objetos da época da escravidão, por exemplo instrumentos de tortura. O custo da entrada é R$ 2.

União dos Palmares (AL)

Essa pequena cidade situada a 2 horas de Maceió sedia o famoso Parque Memorial Quilombo dos Palmares, na Serra da Barriga. No passado, esse lugar abrigou importantes histórias de resistência à escravidão. O quilombo dos Palmares foi reconhecido como um dos maiores e mais duradouros núcleos de resistência de negros escravizados nas Américas.

O Quilombo dos Palmares foi uma comunidade livre, formada por escravos fugitivos, além de indígenas e brancos pobres que haviam sido expulsos das fazendas. Em seu ápice, Palmares chegou a ter quase 30 mil pessoas.

Esse parque funciona como uma maquete em tamanho natural que restitui o quilombo dos Palmares, contendo inscrições em yorubá e banto (algumas das inúmeras línguas africanas trazidas pela colonização). Ainda é possível visitar os inúmeros mirantes, de onde é possível ter belas vistas da Serra da Barriga.

Fonte - Assessoria

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