A triste infância de um grande escritor (1ª parte)

Confira.
Domingo, 18 de Julho de 2021 - 17:50

Era uma terça-feira do mês de Junho (18,) do ano de 1861, quando o Sr. João recebeu, no estabelecimento, a irmã Jacinta.

Em alvoroço, exclamou eufórica:

- "Parabéns, João, tens mais um filho!..."

- "Olha, que grande coisa!..."– contrapôs, este, serenamente.

Casara na cidade do Porto. Tinha duas meninas e um rapaz. Trindade Coelho, era o quarto.

O Sr. João fazia-se insensível, mas no íntimo, era homem bom: Gostava de auxiliar, mas receando que viessem a saber, dissimulava, para não o julgarem: "mole".

A esposa, perfeita dona de casa, cuidava com esmero, do maneio da casa, e aplicava, muitas horas na costura e a passajar.

Fazia o conserto da roupa, numa salinha, com janela para o Convento de S. Francisco, onde se prendia a corda, que accionava o sino, da torre.

Trindade Coelho, muitas vezes, tocava as "Avé-Marias", da janela. Ajudava à missa, com perfeição. Gostava de "celebrar" e"pregar". Por brincadeira, chamavam-no: "O Sr. Padre José".

Certa ocasião, bebeu trago de vinho, das galhetas. Descoberto, foi severamente repreendido e castigado: tinha que pedir perdão, ao Sr. Abade.

Lá foi o rapazinho, de cabeça baixa, a tremer, muito enfiado, a casa do Prior. Este, sorrindo, desculpou-o, e em "recompensa" deu-lhe punhado de cerejas.

Em dia frio de rigoroso Inverno, chegou a casa sem camisa. A mãe interrogou-o asperamente. Em prantos, contou, que a dera a menino pobre, que tinha muito frio.

Foi castigado; mas a mãe, enquanto lhe batia, ria-se de alegria, por dentro.

Aos domingos, ia à casa do oleiro, vê-lo a fazer louça. Levantava-se muito cedo, quase de madrugada, para observar o Sr. Domingos, girar a roda, e o barro ganhar a forma de utensílios.

Frequentava, com algum gosto, a escola, mas tinha também, professor particular.

Em suma: era feliz, até ao momento, que o pai resolveu levá-lo, com o irmão, à aldeia de Travanca, no intento dos filhos prosseguirem os estudos.

Ficaram hospedados na casa do professor, que ficou na incumbência de os educar.

 

(Continua)

Fonte - Humberto Pinho da Silva

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