Fazendeiro pode ter sido mandante de chacina cometida por Lázaro, indicam mensagens

O avançar das investigações começa a revelar, porém, que Lázaro era um jagunço que atuava a mando de fazendeiros ricos, empresários e até de políticos.
Terça-Feira, 06 de Julho de 2021 - 15:49

Parte da imprensa brasileira, sobretudo os programas sensacionalistas policialescos, espalhou em rede nacional a tese de que Lázaro Barbosa, 32, era um ‘satanista’ que agia movido por forças ocultas.

Durante as buscas pelo criminoso, essa versão também foi reforçada por autoridades policiais. “Se ele é satânico, forças policiais são anjos”, disse um major da PM durante as buscas pelo criminoso.

O avançar das investigações começa a revelar, porém, que Lázaro era um jagunço que atuava a mando de fazendeiros ricos, empresários e até de políticos.

A Polícia Civil apurou que Lázaro fazia parte de uma organização criminosa. “Nessa organização criminosa, a gente já levantou que pessoas importantes participam dela. Nós temos empresários, fazendeiros, políticos…”, conta a delegada Rafaela Azzi.

Um dos suspeitos é o fazendeiro Elmi C. que, de acordo com as investigações, escondeu Lázaro em uma de suas propriedades. A polícia encontrou uma mensagem de voz no celular do fazendeiro que indica que o criminoso usava a fazenda como esconderijo. “Ele está dormindo lá naquele barraco onde a mãe dele morava”, dizia Elmi na gravação. Elmi C. foi patrão de Eva Maria de Sousa, mãe de Lázaro.

Segundo as investigações, Elmi C. pode ser o mandante de uma chacina cometida por Lázaro, em Ceilândia, no Distrito Federal. O fazendeiro Cláudio Vidal e os dois filhos, Gustavo e Carlos Eduardo, foram assassinados nas terras da família, no dia 9 de junho. A mulher de Cláudio, a empresária Cleonice Marques de Andrade, foi feita refém e levada para um córrego, onde foi estuprada e encontrada morta, no dia 12 de junho. Foi esse o crime que motivou a caçada a Lázaro que mobilizou 270 policiais e custou milhões de Reais aos cofres públicos.

“Considerando que havia um laço anterior, que o Lázaro já era conhecido do proprietário e que na entrevista o proprietário fala que aquela família devia um dinheiro a ele, nós não descartamos a hipótese de que ele tenha realmente usado Lázaro para cobrar a dívida, e em não recebendo, matar aquelas pessoas”, explica Rafaela Azzi.

‘Queima de arquivo’

Mesmo contando com mais de 270 policiais, drones com visão térmica, dezenas de veículos e cães farejadores, causou estranheza o fato de a força-tarefa não ter conseguido capturar Lázaro vivo. Desde os primeiros dias da operação, especialistas em segurança pública apontaram uma série de erros e a desorganização nas buscas.

“É uma região de fronteira agrícola. Terras que são disputadíssimas por quem cultiva soja, cana, celulose e também pecuária. Mesmo que Lázaro se entregasse, iam dar um ‘jeitinho’. Afinal, o que ele tinha a revelar não era interessante para as autoridades. Para as forças policiais, é muito mais cômodo fazer valer a versão do ‘psicopata satanista’. E o curioso é que muitos agentes da operação realmente acreditavam que estavam em busca de um ‘adorador do diabo’ que precisava ser abatido”.

 

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Fonte - pragmatismopolitico

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