Apesar de resistência do governo, CPI da Covid deve ser prorrogada por mais 90 dias

Senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP) já reuniu as 27 assinaturas necessárias para a iniciativa; Planalto vê 'prolongamento do desgaste'
Terça-Feira, 29 de Junho de 2021 - 09:23

O vice-presidente da CPI da Covid, Randolfe Rodrigues (Rede-AP), reuniu assinaturas suficientes para prorrogar os trabalhos do colegiado por mais três meses. Com prazo inicial de 90 dias, a comissão tem previsão de terminar em 7 de agosto, caso não seja estendida. Os governistas não apoiam a iniciativa de ampliar o prazo.

Entre as 27 assinaturas, número mínimo para a aprovação do requerimento, estão membros da CPI, como o presidente da comissão, Omar Aziz (PSD-AM), o relator, Renan Calheiros (MDB-AL), e integrantes do grupo apelidado de 'G7', formado por oposicionistas e independentes, como Otto Alencar (PSD-BA), Humberto Costa (PT-PE) e Tasso Jereissati (PSDB-CE).

O único nome do G7 a não assinar a lista foi o senador Eduardo Braga (MDB-AM), que tem demonstrado divergência em relação a algumas ações do grupo.

De acordo com parlamentares do bloco, apesar de o requerimento prever a ampliação das atividades por mais 90 dias, é possível que o prazo adicional seja reduzido para 60 ou até 30 dias se as investigações avançarem com celeridade. O objetivo é esgotar temas centrais como possíveis irregularidades na negociação da vacina indiana Covaxin. Além disso, técnicos do Tribunal de Contas da União (TCU) e da Polícia Federal ainda analisam documentos como quebras de sigilo fiscal e telefônico de investigados.

"O Senado Federal deve, ao povo brasileiro, que todos os responsáveis sejam identificados e condenados. Diante da vasta documentação recebida e dos inúmeros fatos levantados que demandam um aprofundamento das investigações, torna-se imperativo prorrogar o prazo de duração desta Comissão Parlamentar de Inquérito. Dessa forma, considerando a insuficiência do prazo previsto para encerramento desta CPI (07/08/2021), solicito o apoio dos pares a esse requerimento para prorrogar por mais 90 (noventa) dias a duração da Comissão Parlamentar de Inquérito", escreveu Randolfe na justificativa.

Segundo o GLOBO apurou, o governo trabalhava para evitar prorrogação da CPI, mas mesmo antes da coleta das assinaturas já previa a tarefa como 'praticamente impossível'. Para integrantes do governo, haverá 'prolongamento do desgaste' na imagem de Bolsonaro devido à continuação dos trabalhos da CPI.

Na avaliação de aliados de Bolsonaro, quanto mais longe da eleição a comissão encerrar os trabalhos, melhor. Interlocutores do Planalto como os senadores Ciro Nogueira (PP-PI), Fernando Bezerra (MDB-PE) e Eduardo Gomes (MDB-TO) buscam atuar para demover senadores ditos "independentes" de assinarem a proposta de prorrogação da CPI.

Fonte - 20 - Julia Lindner e Paulo Cappelli

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