Concessões de empréstimos bancários e juros médios recuam em maio, revela Banco Central

Taxas de juros médias do cheque especial e do cartão de crédito rotativo, das pessoas físicas, caíram no mês passado. Os números foram divulgados pelo Banco Central.
Segunda-Feira, 28 de Junho de 2021 - 09:20

O volume total do crédito bancário em mercado registrou crescimento em maio, mas as concessões de novos empréstimos caíram, segundo números divulgados pelo Banco Central nesta segunda-feira (28).

Ao mesmo tempo, a taxa média de juros cobrada pelas instituições financeiras também recuou no período, na contramão da alta do juro básico da economia, a Selic.

Segundo a instituição, o volume total do crédito ofertado pelos bancos subiu 1,2% no mês passado, para R$ 4,177 trilhões, na comparação com R$ 4,126 trilhões em abril.

Houve expansão de 0,7% na carteira de pessoas jurídicas (com saldo de R$ 1,816 trilhão) e alta de 1,7% na de pessoas físicas (para R$ 2,361 trilhões).

A taxa de inadimplência média registrada pelos bancos nas operações de crédito registrou pequeno aumento em maio, para 2,3%, na comparação com 2,2% em abril.

Nas operações com pessoas físicas, a inadimplência avançou de 2,9% para 3% no mês passado e, no caso das empresas, subiu de 1,3% para 1,5%.

Concessões em queda

Apesar do crescimento do crédito total, segundo o BC, houve recuo de 1,86% nas novas concessões de empréstimos no mês passado, período em que somaram R$ 386,054 bilhões. Em abril, haviam totalizado R$ 393,363 bilhões.

Segundo o BC, houve uma alta de 0,9% nas concessões para empresas e um recuo de 2,1% em pessoas físicas.

Essa foi a primeira queda das concessões neste ano. O último recuo havia sido registrado em dezembro do ano passado.

O cálculo foi feito após ajuste sazonal (uma espécie de "compensação" para comparar períodos diferentes).

Em doze meses até maio, o volume de crédito bancário registrou aumento de 16,1%, o que representa aceleração no ritmo de crescimento. Em doze meses até abril, a alta registrada foi de 15,1% no estoque dos empréstimos bancários.

Para todo este ano, o Banco Central estima uma expansão de 11,1% no crédito bancário. Em 2020, impulsionado por linhas emergenciais de crédito para o combate aos efeitos da pandemia, o crédito bancário teve alta de 15,5%.

A alta menor prevista pelo BC para o crédito neste ano acontece em um cenário de expressiva redução de linhas de crédito extraordinário para o combate aos efeitos da Covid-19.

No ano passado, o governo aportou R$ 58 bilhões em cotas de fundos garantidores dos empréstimos. Para este ano, estão previstos, até o momento, somente R$ 5 bilhões para o Pronampe (programa de crédito para micro e pequenas empresas). Outras despesas relacionadas com a pandemia também recuaram fortemente em 2021.

Juros bancários

Os juros bancários médios com recursos livres (sem contar habitacional, rural e BNDES) de pessoas físicas e empresas, recuaram de 29% ao ano, em abril, para 28,5% ao ano no mês passado - uma queda de 0,5 ponto percentual. No crédito livre, a instituição financeira tem mais liberdade para fixar a taxa de juro.

A queda dos juros bancários médios aconteceu em um momento de aumento da taxa básica de juros da economia. A taxa Selic começou a subir somente em março deste ano, quando avançou para 2,75% ao ano e, no início de maio, foi elevada para 3,5% ao ano. Em junho, subiu para 4,25% ao ano.

Nas operações para pessoas físicas, a o juro médio passou de 41,1% ao ano, em abril, para para 38,9% ao ano em maio;

Considerando só as empresas, a taxa média de juros bancários passou de 14,7% ao ano em abril para 14,6% ao ano em maio;

No cheque especial das pessoas físicas, a taxa recuou de 124,3% ao ano em abril para 122,1% ao ano em maio. Nessa linha de crédito, o BC adotou um teto para os juros;

Nas operações com cartão de crédito rotativo de pessoas físicas, os juros bancários cobrados das pessoas físicas caíram de 336,1% ao ano, em abril, para 329,6% ao ano em maio. Com isso, a taxa segue em patamar proibitivo.

O crédito rotativo do cartão de crédito pode ser acionado por quem não pode pagar o valor total da fatura na data do vencimento, mas não quer ficar inadimplente. Essa é uma das linhas de crédito mais caras do mercado e, segundo analistas, deve ser evitada. A recomendação é que os clientes bancários paguem todo o valor da fatura mensalmente.

De acordo com o BC, o chamado spread bancário médio com recursos livres passou de 22,4 pontos percentuais, em abril, para 21,7 pontos percentuais em maio. O spread é a diferença entre quanto os bancos pagam pelos recursos e quanto cobram dos clientes.

O spread bancário composto pelo lucro dos bancos, pela taxa de inadimplência, por custos administrativos, pelos depósitos compulsórios (que são mantidos no Banco Central) e pelos tributos cobrados pelo governo federal, entre outros.

Nas operações com pessoas físicas, o spread caiu de 34,1 pontos em abril para 32,7 pontos em maio. Desta forma, ainda segue em patamar elevado para padrões internacionais.

Fonte - 20 - Por Alexandro Martello, G1 — Brasília

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