Webinar da Seduc expõe interferências negativas que o álcool e as drogas geram na vida pessoal e profissional

Conforme explicou o médico Nestor Ângelo D’Andrea, uma pessoa não precisa ser dependente para fazer o consumo nocivo ou tóxico destas substâncias.
Quinta-Feira, 24 de Junho de 2021 - 16:58

Transmitido pelo Canal da Mediação Tecnológica no Youtube, o webinar realizado pelo Governo de Rondônia na manhã desta quinta-feira (24) reuniu profissionais da Educação e de diversas áreas de atuação de todo o Estado. Organizado pela Secretaria de Estado da Educação (Seduc), o evento teve como foco as interferências negativas que, tanto o álcool como qualquer outra droga, traz para a vida pessoal e profissional dos consumidores, especialmente neste período de pandemia.

O webinar foi mediado pela psicóloga Clícia Henrique de Souza e contou com a participação do médico do trabalho e especialista em psiquiatria Nestor Ângelo D’Andrea e de um membro do grupo de autoajuda Alcoólicos Anônimos (AA) de Porto Velho, chamado ao longo da live pelas iniciais C.A.

“Sábado (26) é o Dia Mundial de Combate às Drogas e ao longo da semana diversas ações estão sendo realizadas  pelo Governo do Estado para aumentar o debate e a conscientização sobre o uso excessivo de álcool e o consumo de outras drogas. Nossa proposta, ao longo deste webinar, é levar informação ao público em relação aos problemas causados pelo álcool e drogas”, destacou Clícia no início do evento on-line.

Conforme explicou o médico Nestor Ângelo D’Andrea, uma pessoa não precisa ser dependente para fazer o consumo nocivo ou tóxico destas substâncias. “Muitos não são dependentes do álcool, mas ao beber em maior quantidade, causam problemas, tanto acidentes, como violência, desentendimentos. Isso acontece porque consomem grande quantidade em pouco tempo”, relata.

Ao longo do período de pandemia ocasionada pelo novo coronavírus e as restrições impostas, o médico destaca que foi possível notar um grande aumento no consumo de álcool e drogas. “Com o advento do home office e das restrições, muitos não se adaptaram e buscaram o álcool, para tentar reduzir a ansiedade e a carga de estresse, tentando aliviar a tensão e a preocupação”, ressalta D’Andrea.

Em Rondônia, após o início da pandemia, mais pessoas começaram inclusive a buscar ajuda nos grupos de Alcóolicos Anônimos, complementa C.A. “Hoje, a maioria dos membros são homens, mas ao longo da pandemia, muitas mulheres também começaram a procurar o Alcoólicos Anônimos (AA). Houve um aumento significativo no número de pessoas que buscaram ajuda”, ressalta.

Em relação ao mercado de trabalho, o consumo de álcool e outras drogas tem contribuído inclusive para o aumento dos índices de desemprego. “A pessoa perde o controle, começa a faltar no serviço, registra queda na sua produtividade, não consegue se concentrar no trabalho e muitas vezes, até mesmo, torna-se mais agressiva. Tudo isso culmina para uma demissão”, detalha a psicóloga Clícia Henrique de Souza. “Ou seja, o consumo acarreta tanto problemas de saúde, como problemas sociais e econômicos”, completa.

 

C.A. começou a beber aos 12 anos de idade. Aos 16 também passou a fazer uso de cocaína

 

 

HISTÓRIA DE VIDA

Ao longo do webinar, C.A. fez questão de falar um pouco sobre a sua trajetória e de como o apoio de outras pessoas fez a diferença em sua vida. “Eu comecei a usar álcool aos 12 anos de idade, eu era uma criança. Meu pai achava bonito dar vinho pra gente e ver embriagado. Depois disso, aos 16, comecei a usar cocaína. Chegou numa fase que eu bebia álcool e depois corria pra cocaína. A dependência não atinge só você, mas a sua família”, lembra.

Adulto, C.A. perdeu muitas oportunidades profissionais em sua vida por ser dependente. “Eu fui para as fileiras do exército, fiquei lá cinco anos, cheguei a me destacar, mas fui convidado a sair por conta da dependência. Depois vim do Amazonas para Rondônia, passei no concurso do judiciário, mas também perdi essa oportunidade por causa das drogas e do álcool”.

Mas hoje, um dos principais arrependimentos de C.A. não são aos oportunidades profissionais que foram perdidas, é não ter acompanhado a infância do seu filho. “Eu simplesmente não quis saber dele. “Eu não tenho uma foto sequer com meu filho pequeno. Só depois que ele tinha uns sete anos, quando eu entrei no AA, que eu fui buscar contato com ele. A partir daí, o dinheiro que eu gastaria com álcool e drogas eu passei a reverter em prol dele. Hoje somos amigos, meu filho cursa engenharia”, orgulha-se.

Recuperado e profissional autônomo, C.A revela: “Hoje eu não sofro mais com o meu passado, mas eu também não me esqueço dele. São 16 anos que eu ando de cabeça erguida pelas ruas”.

FERRAMENTA DE RECUPERAÇÃO

Sobre a importância do A.A. em sua vida, C.A. define os Alcoólicos Anônimos como uma ferramenta de recuperação. “É uma irmandade de homens e mulheres que compartilham experiências a fim de resolver um problema comum. Para se tornar membro, a única exigência é ter o desejo de querer parar”, relata.

Segundo ele, em todo o estado existem vários grupos de A.A. Estima-se, que mais de dois mil rondonienses são membros do Alcoólicos Anônimos, que não exige pagamento de qualquer taxa ou mensalidade.

Para aqueles que quiserem mais informações, em Porto Velho o escritório do A.A. pode prestar atendimento inclusive para pessoas de outros municípios que queiram mais informações sobre os grupos no Estado. Localizado na Travessa Cabixi, no bairro Nossa Senhora das Graças, o atendimento pode ser presencial ou por meio do telefone (69) 3221 7243 e e-mail esl@area23ro.aa.org.br

REDE DE APOIO E TRATAMENTO

Em Rondônia, conforme explicou o médico do trabalho e especialista em psiquiatria, D’Andrea, existe uma rede de tratamento psicossocial e medicamentosa para os dependentes químicos. “Na rede pública, há equipes multidisciplinares preparadas para o atendimento, composta por médicos, assistentes sociais, psicólogos, terapeutas ocupacionais e outros profissionais”, reforça.

Já no âmbito da Secretaria de Estado da Educação (Seduc) existe ainda o Núcleo de Saúde Ocupacional focada na promoção da saúde e do bem estar dos servidores da Educação. O Núcleo conta com psicólogos, assistentes sociais, educadores físicos e toda uma equipe preparada para atender os servidores da Seduc. O contato pode ser feito pelo telefone (69) 98423-4083, pelo e-mail saudeocupacional@seduc.ro.gov.br e também pela página do Núcleo no Instagram @saudeseduc.ro.

De Cacoal, o coordenador regional de Educação da rede estadual, professor Severino Bertino Neto, acompanhou o Webinar e elogiou a iniciativa do Governo de Rondônia e da Seduc. “É muito importante falar deste tema junto aos profissionais da Educação. Na área educacional, muitas vezes temos que lidar com situações que precisam de um preparo maior. Então essa abordagem em relação ao uso de álcool e drogas é extremamente necessária e pertinente. É preciso falar sobre”, destacou.

Fonte - 010 - SECOM - GOV/RO

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