Policial invade festa de aniversário e mata 4 pessoas da mesma família - Vídeo

Policial estava à procura da ex-namorada e entrou em casa de vizinha, onde acontecia uma confraternização de aniversário.
Terça-Feira, 22 de Junho de 2021 - 11:55

O caso de um policial militar que invadiu uma festa de aniversário às 5h da manhã e acabou matando 4 pessoas em Porto Alegre (RS) mobiliza advogados de ambas as partes envolvidas. As vítimas são os irmãos Cristian e Cristiano Lucena, o primo deles Alisson Lucena e o sobrinho Alexsander Moraes. O nome do PM é Andersen Zanuni dos Santos.

A festa acontecia na casa da mãe de Cristian. Eliane Coimbra, viúva dele, conta que o PM invadiu a residência da sogra e agrediu com um tapa uma das mulheres que estava no local. O policial estaria alterado e procurava a ex-namorada que mora na região.

“A gente estava tomando nossa cerveja, escutando música, quando tu olha pra porta tem uma pessoa estranha que tu nunca viu na sua casa. A gente nunca viu ele”, lembra a mulher.

Os homens que estavam na confraternização foram tirar satisfação com Andersen Zanuni, que se afastou e correu até uma pizzaria que ainda funcionava naquele horário. Imagens de câmeras de segurança mostram o policial encurralado pelos homens nos fundos do estabelecimento. Após alguns segundos, ele saca a arma e mata todos eles. A defesa do PM alega ‘legítima defesa’.

“Espero que a Justiça não deixe impune. Meu marido era trabalhador, deixa dois filhos. Jamais a gente iria matar uma pessoa. Eles [vítimas] nunca tiveram problema com a polícia. A gente jamais iria fazer o que ele fez, que foi matar a sangue frio”, desabafa a viúva de Cristian.

“Quando ele atirou no primeiro, que foi o sobrinho do meu esposo, o meu esposo pediu pra ele se acalmar, que não precisava daquilo. E ele a sangue frio apontou a arma e atirou no meu esposo e meu esposo caiu no chão”, descreve.

Ismal Schmitt, advogado das vítimas, lembra que Cristian tentou frear o ímpeto dos outros três, impedindo que eles tentassem entrar no banheiro onde estava o PM. Um dos homens avançou, relatou o advogado, e abriu a porta do banheiro, sendo baleado.

“Este que tentou barrar os outros pede para que o policial militar lhe deixe socorrer o parente, mas são desferidos mais tiros”, observou. “O agressor de forma contínua desferiu disparos fatais na cabeça das vítimas, em uma verdadeira execução”, continuou o advogado.

A versão do policial

O policial militar concedeu entrevista ao portal Gaúcha ZH. Ele explicou que estava em uma outra festa e decidiu procurar a ex-namorada para tentar ‘reatar’ o relacionamento. Confira os principais trechos da versão apresentada pelo PM:

O que você fez naquela noite?

Curtimos a festa, eu e mais dois amigos. Chegou determinado horário, acabando a festa, chamei eles para irem embora. E disse que queria falar com a minha ex. Passei na casa dela, não estava em casa. Pensei que pudesse estar com a amiga, estão sempre juntas. Fui até onde mais ou menos imaginei que a amiga dela morasse. Não sabia ao certo a casa, mas passando em frente eu lembraria.

Já tinha entrado naquela rua?

Sim. A amiga dela mora por ali, mas faz bastante tempo. Disse pra meus amigos me deixarem, que não entra carro na rua, combinei para eles me encontrarem em outro ponto que dava saída para a Avenida Manoel Elias. Se eu não achasse ela, eu pegaria o carro e voltaria para casa. Andei pela rua para ver se eu achava a casa, vi que estava tendo uma festa e, pensei, ‘se são vizinhos, eles podem conhecê-la ou elas estão por ali.’ Tinha um pessoal no pátio. O portão estava aberto. Desci as escadas e entrei. Olhei, vi se conhecia alguém. Não reconheci ninguém.

O que te disseram?

Um dos homens perguntou o que eu estava fazendo ali, quem era eu, disse que eu estava invadindo. Disse que só estava procurando alguém. Eu disse que era vizinho, que morava umas ruas acima, para ver se eles me largavam de mão, e pedi para baixarem o volume, porque estava tentando dormir e amanhã eu trabalho. Ele disse que eu estava invadindo, veio mais gente para volta. Eu fui saindo de ré, subi de novo as escadas. E na rua começaram a me provocar. Eu disse que não queria briga. Que só tinha vindo por causa do som, disse que era PM e que estava indo embora. Quando eu vi que eles iam tomar minhas costas, peguei e saí correndo. Subi a lomba até a Manoel Elias. Pensei que iria encontrar meus amigos e ir embora. Não tinha achado a minha ex.

Por que se escondeu na pizzaria?

Cheguei na avenida, olhei para os dois lados e não vi o carro (dos amigos). Vi o clarão da pizzaria e pensei: é lá. Cheguei lá correndo, disse que era polícia e tinha um pessoal correndo atrás de mim. Perguntei se podia me esconder nos fundos. Ele deixou e fui para o banheiro. Fiquei um tempo no banheiro, uns cinco minutos. Pensei: “ah, eles estão em festa, de repente já voltaram.” Saí do banheiro, voltei para frente da pizzaria, olhei para o outro lado da rua, eles me viram. E aí vieram. E voltei para o banheiro. Deixei a porta entreaberta para continuar falando com eles. E eles vindo. Eu disse: afasta, afasta, não quero bolo, sou polícia.

Naquela noite tu pretendias reatar com a tua ex?

Sim. Nos separamos no final de abril.

Tendo em vista que tu entraste em uma casa 5h sem se apresentar, esperava ser bem recebido?

Nesse contexto, não. Eu esperava eles perguntar quem eu era. Eu diria que estava procurando alguém.

Em que momento tu pedes para baixar o som?

Quando eles não acreditaram que eu estava procurando alguém. Eu pensei: se eu disser que sou vizinho, eles vão me deixar em paz. E vida que segue. Mas não sou vizinho deles. Não conheço eles. Eu disse que era vizinho, para baixar o som e que estava tentando dormir.

Por que a pizzaria pareceu um bom local para se esconder?

Porque tinha gente ali, estava aberto. Tinha telefone. Eu estava sem telefone no bolso, acabei deixando no carro.

Por que não ligou para o 190 ao chegar na pizzaria?

Não deu tempo de ligar antes. Liguei depois, para informar o que aconteceu.

Quando estava dentro do banheiro, em algum momento pensou em dar tiro para cima. Algum disparo de contenção que não fosse atingir os quatro?

Não. Isso não existe. Não tem disparo de advertência. Apontei e disse: afasta, afasta.

Naquela situação, atirar para qualquer outro lugar, que não nas vítimas, não era uma opção?

Não tinha como. Até pelo espaço. Estava encurralado.

Quando deu o primeiro disparo, avaliou que apenas um tiro não bastaria? Por que deu os demais disparos?

Dei o primeiro e eles continuaram vindo. Eles não pararam de vir. Parece que eles não tinham escutado.

Os quatro estavam desarmados.

Se eu tivesse desarmado, teria sido espancado.

A família alega que os tiros foram nos rostos e nas mãos dos quatro homens. Você atirou para matar?

Atirei para me defender. Nenhum momento mirei.

A família disse que foi atrás para tirar satisfações da tua conduta por ter invadido a casa.

Daquela forma ninguém tira satisfação com ninguém. Do jeito que eles vieram.

Repercussão

A entrevista do policial repercutiu nas redes. “Essa é a nossa Polícia Militar. Por dor de corno invade casa alheia atrás da ex-namorada às 5h da manhã e mata 4 pessoas (um a um) e, segundo ele, por legítima defesa, pois as vítimas ou eram surdas por não escutarem as balas ou acreditavam ter peitos de aço”, observou um internauta.

“Invadiu às 5 horas da manhã uma casa de estranhos sem mandado, procurando a ex-namorada onde nem se encontrava no local. E se fosse a casa dele? Deixaria os invasores saírem de boa? Disse que ‘não existe tiro de advertência’, sendo que muitas vezes um tiro de advertência poupa vidas. Mostrou a arma somente quando estava dentro do banheiro já efetuando os disparos letais sem dar tempo das vítimas correrem. Para mim péssima conduta policial, antiética”, comentou outro.

“Esse policial devia ser contratado para escrever histórias, nem ele acredita no que fala. Algum motivo teria para os 4 chegarem até onde chegaram, não iriam ‘de graça’, ainda mais sabendo ele ser PM. Mas o mais tragicômico de tudo isso é que o atirador está solto”, ponderou mais um.

Investigação

A Brigada Militar instaurou um procedimento interno para apurar o caso e determinou que o policial fique afastado de suas funções durante a investigação.

Após os disparos, o policial militar se apresentou à polícia, assumiu o crime e entregou a arma. Segundo a Polícia Civil, por ter se apresentado espontaneamente e devido à versão de legítima defesa, ele não foi autuado em flagrante.

Fonte - 010 - pragmatismopolitico

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