Marcos Rogério diz que colapso da saúde pública no Amazonas foi agravada devido à falta de planejamento do governo estadual

De acordo com o depoimento de Campêlo à CPI, o estado só solicitou novo aditivo com a empresa White Martins, responsável por fornecer oxigênio para todo o Amazonas, em novembro de 2020, ou seja, oito meses depois do início da pandemia.
Terça-Feira, 15 de Junho de 2021 - 15:58

O colapso da saúde pública no Amazonas ocasionado pelo grande número de infectados por Covid-19, em janeiro de 2021, poderia ter sido evitado se o governo estadual tivesse cumprido seu papel de planejar, organizar e agir com eficiência para evitar a crise que provocou a morte de quase 14 mil pessoas no estado. A declaração é do vice-líder do Governo no Congresso, senador Marcos Rogério (DEM-RO), nesta terça-feira (15), durante a oitiva do ex-secretário de Saúde do Amazonas, Marcellus Campêlo, na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Pandemia.

"O número de casos de Covid-19 no Amazonas cresceu de forma gradativa, ou seja, era possível um acompanhamento planejado: por que, então, não houve a compra do oxigênio, à medida que a pandemia avançava? O estado deixou passar praticamente o ano inteiro de 2020 para comprar novos cilindros para atender o aumento da demanda", criticou o parlamentar.

De acordo com o depoimento de Campêlo à CPI, o estado só solicitou novo aditivo com a empresa White Martins, responsável por fornecer oxigênio para todo o Amazonas, em novembro de 2020, ou seja, oito meses depois do início da pandemia. "O governo do Amazonas deveria ter feito antes um aditivo, no seu limite máximo, por precaução e como medida de planejamento. Houve absoluta falta de previsibilidade. Escolheu expor a população do Amazonas ao risco de morte. E foi isso que aconteceu por irresponsabilidade administrativa", acrescentou Marcos Rogério.

Além da falta de previsibilidade sobre a demanda de oxigênio, o vice-líder do Governo, lembrou que, muito antes da pandemia, o sistema de saúde pública do Amazonas já era considerado precário, mas que a crise certamente foi agravada com os escândalos de corrupção no estado. "Historicamente, dentro do quadro nacional Manaus e o Amazonas já amargavam as piores proporções de leitos de UTI por 100 mil habitantes. Em agosto de 2019, antes da pandemia, a saúde pública amazonense já estava em crise, sofrendo com a falta de infraestrutura e pessoal. Faço essas observações justamente porque considero que o problema da saúde do Amazonas não pode ser considerado apenas levando-se em consideração o início do ano de 2021, como se costuma fazer. No entanto, não podemos deixar de lembrar dos escândalos de corrupção, envolvendo o governador, Wilson Lima, investigado pela Polícia Federal, em junho de 2020, que também contribuíram fortemente para o agravamento da crise no estado", ressaltou Marcos Rogério.

Ajuda do Governo Federal para suprir a falta de oxigênio no Amazonas

Questionado pelo senador Marcos Rogério sobre a solicitação de ajuda ao Governo Federal para envio de oxigênio para o Amazonas, o ex-secretário de Saúde do estado, Marcellus Campêlo explicou que, no dia 7 de janeiro de 2021, a Secretaria de Saúde entrou em contato com o Ministério da Saúde, solicitando ajuda na logística para a vinda de oxigênio de Belém para Manaus. Segundo o próprio ex-chefe da pasta, o Executivo Federal enviou auxílio no dia seguinte, em 8 de janeiro.

"Ou seja, o Governo federal foi hábil e rápido, dando o apoio logístico solicitado por vossa senhoria um dia depois do seu contato. Estou reiterando isso porque a narrativa aqui é que parece que há uma eternidade entre o contato e a resposta do Ministro e, quando a gente está diante dos fatos, verifica que não é bem assim", frisou Marcos Rogério.

Fonte - Assessoria

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