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Domingo, 13 de Junho de 2021

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Jorge López, astro de 'Elite', fala sobre nova série com Giovanna Lancellotti e medo de gravar no Brasil na pandemia

López passou cinco meses em São Paulo para gravar 'Temporada de Verão', da Netflix. Ator contou trajetória no Chile, Argentina e Espanha e falou sobre fim de seu personagem Valério.
Segunda-Feira, 24 de Maio de 2021 - 10:13

Jorge López pode ser conhecido pelos fãs brasileiros como o meio-irmão em uma relação incestuosa com Danna Paola na série “Elite”, hit espanhol da Netflix. Em apenas duas temporadas, seu personagem Valério deu o que falar e saiu de cena de modo controverso para alguns.

Já o ator diz que se encheu de coragem para deixar uma série consolidada entre a audiência e se jogar no desconhecido: sem falar português, topou o convite e morou por cinco meses no Brasil para gravar "Temporada de verão" em meio à maior pandemia da história recente. Ele estrela a produção jovem com Giovanna Lancellotti, ainda sem data para estrear.

Mas López não é um ator novato. Aos 29 anos, o chileno acumula 10 de carreira e outro sucesso internacional: "Soy Luna", série musical do Disney Channel. A série argentina levou López a se apresentar por 42 países em três anos, aprender a dançar, sapatear, cantar e contornar qualquer sufoco em nome da carreira.

O ator conversou com o G1 por telefone e contou sobre seu "intercâmbio" no Brasil, "Elite", o medo e o desgosto com a América Latina durante a pandemia.

Brasil: amor e medo

Quando recebeu o roteiro da Netflix Brasil, adorou o personagem. "Aceitei pela história e pelo desafio. Porque eu não falava português e pensei ‘vou fazer algo que me desafie, conhecer outra cultura, aprender um idioma, conhecer outro país'. Não conheci muito por causa da pandemia, mas meus amigos me mostraram muita música, pagode, funk. Todos me trataram muito bem aqui”, diz.

Mesmo com a quarentena, eles conseguiram filmar 80% da série, com locações em São Paulo e Ilhabela, litoral do estado. "Foi um processo muito difícil porque os protocolos são muito complexos. Mas foi bom, com uma equipe maravilhosa, fiz muitos amigos aí e aprendi muito. Agora você não percebe porque estou falando em espanhol, mas aprendi português", ele conta, empolgado.

Seu personagem é Diego, um "gringo" que se muda para Florianópolis e carrega um trauma do passado. "A série é sobre um grupo de jovens que trabalham em um hotel, moram aí e levam a convivência ao limite, porque não se conhecem tão bem assim."

"Me parece uma série muito bonita porque tem valores como a amizade, o choque cultural e a aceitação", diz.

"É um pouco como aconteceu comigo durante a minha vida, mas Diego é um menino mais tímido, ele tem um conflito com o passado... eu não posso falar muito sobre isso porque é a raiz do meu personagem, mas ele também se apaixona, acontecem umas brigas. É divertida, alegre e otimista."

O ator passou cinco meses morando nos Jardins, bairro nobre de São Paulo, e riu quando contou isso ao telefone. Ele entende da geografia e da política do país. López conta que foi até reconhecido nas ruas e se sentiu muito acolhido no Brasil. O único ponto negativo é a resposta política à pandemia.

"Isso é o que me deixa bastante triste, como o exemplo da pandemia. Nossos líderes na América Latina em geral… cada país agiu diferente frente à pandemia, isso me parece super negligente e ruim porque deveria ter um modelo. Isso me faz desconfiar de nossos líderes, me faz me sentir inseguro. Estive no Brasil e aí tinham umas políticas particulares com respeito ao vírus.”

"Cheguei ao Chile e são outras medidas e modelos de gestão. Então, como eu não entendo, não sei qual país tem o modelo verdadeiro, quem está realmente cuidando de nós, que classe de líderes temos. E isso me assusta, dá medo, angústia e pena porque, no fim, não sabemos em quem confiar.”

"Sem dúvida, o Brasil foi uma das mais belas experiências que tive. Mas cada vivência tem suas nuances e essa foi a complicação e o desafio que tive que passar: estar em uma pandemia em um país que está extremamente prejudicado por essa gestão."

O ator viveu um ano de extremos. No começo da pandemia, estava em Madri, uma das regiões mais afetadas na Europa durante a primeira onda. Com o "lockdown" decretado pelo governo espanhol, ele passou meses sem sair de casa. "Em Madri, vivi o apocalipse. Fiquei um par de meses sem ver a luz do dia, trancado em casa."

'Elite' e aceitação latina

Antes do caos, a Espanha foi um renascimento para ele. "Foi como voltar à origem. Eu não conhecia a Europa, conheci pela Disney. Ter que viver em Madri foi... eu sentia como se tivesse algo meu ali, é muito louco. Foi muito bonito poder trabalhar lá e ter portas abertas como latino, porque a Europa e cada mercado eram super fechados em si."

"E agora está ocorrendo um fenômeno cosmopolita muito interessante que tem a ver com o intercâmbio cultural. E eu sou dessa geração e me sinto um pouco responsável. Sou um dos primeiros a viver isso. Graças a isso, há mais movimento entre atores de distintos lugares porque o mundo é assim, cosmopolita, as pessoas têm que respeitar e aceitar”, diz.

Seu personagem, Valério, chegou em "Elite" na segunda temporada, em 2019, e saiu na terceira, em 2020. Em apenas dois anos, se tornou queridinho do público, que reclamou de seu final aberto na série.

O ator já disse, em outras entrevistas, que sentiu que seu personagem ficou pelo "meio do caminho" e que gostaria de ter um desenvolvimento "um pouco mais claro". Agora, ele diz que continuar seria um risco. "Gostei tanto de fazer o Valério que seria um crime queimá-lo em muitas temporadas. Eu senti que cumpri um ciclo e me despedi no alto."

Começo difícil

López nasceu em uma cidadezinha ao norte de Santiago e se mudou para a capital na adolescência. Crítico ao modelo educacional do país, que considera caro e deslocado da realidade da atuação, ele decidiu não fazer faculdade.

"Sou contra o modelo de negócio educacional das artes. E, naquele tempo, não tinha dinheiro para pagar uma universidade porque aqui no Chile é muito caro. Depois, ia me formando com os professores que eu queria, e aí sim eu investia", conta.

López custou a ter oportunidades no país. "As minhas primeiras oportunidades demoraram anos para chegar. Eu fiz muitas coisas que não foram tão boas, coisas menores."

Foi só na Argentina que ele conseguiu um papel relevante, na série "Soy Luna", em 2016.

"O mercado audiovisual no Chile é muito difícil. Pelo menos para mim, trabalhei aqui por muito tempo antes de ir embora do país. Já vivo fora há 7 anos, trabalhei 4 anos aqui em Santiago e, claro, é uma indústria muito pequena, que produz pouco e faz muita novela, é o que eles mais fazem."

"O cinema é muito bom, sempre vai a festivais internacionais, tem boa crítica. Eu gostaria muito de trabalhar aqui, mas agora estou no apogeu de uma carreira internacional. Trabalhei na Argentina por 4 anos, 2 anos na Espanha, 5 meses no Brasil e o mais provável é que eu volte", conta.

O ator também revela que tem muitos textos escritos que podem se tornar letras de música. "Em algum momento antes de morrer, quero fazer música e lançar um disco. Mas agora, tenho foco na atuação."

Fonte - 20 - Por Thaís Matos, G1

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