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Quinta-Feira, 24 de Junho de 2021

18 anos

'Perguntei pelo meu filho e descobri que estava morto': pais descrevem o pesadelo após ataque a creche

O crime aconteceu enquanto as crianças se preparavam para almoçar.
Sexta-Feira, 07 de Maio de 2021 - 11:49

Na manhã da última terça-feira (4), o eletricista Maurício Massing, de 35 anos, mudou excepcionalmente sua rotina. Em vez de ir ao trabalho de moto, como de costume, decidiu pegar uma carona no carro de sua mulher, Kerli da Silva, 28, que em seguida deixaria no colégio o filho Murilo, de apenas 1 ano e 9 meses. Assim que chegou na sede da empresa em Saudades, no interior de Santa Catarina, por volta das 7h15, ouviu as últimas palavras de seu pequeno: "Tchau, papai!".

Murilo foi uma das três crianças vítimas de um ataque na creche Pró-Infância Aquarela no município catarinense naquele dia. Outras duas funcionárias da instituição morreram após um jovem de 18 anos entrar no local com um facão e promover uma chacina. O crime aconteceu enquanto as crianças se preparavam para almoçar.

Kerli da Silva estava no trabalho, a duas quadras da creche, quando sua irmã lhe avisou sobre o ocorrido em torno das 10h20. Ela havia deixado seu filho na porta da instituição cerca de três horas antes. Fazia dois meses que ela levava Murilo para passar as manhãs no local, depois de cuidar dele em casa durante um ano e meio. O menino passava as tardes com a avó materna.

"Ele acordou bem cedo naquele manhã. Tomou leite na cama com o irmão e, quando terminou, veio até a cozinha com as mamadeiras, dizendo "pia, pia", para que eu as colocasse na pia. Depois, fomos para a escola e, ao chegar, a professora de quem ele mais gostava estava sentada no chão. Veio uma outra mulher pegá-lo, e ele não quis. Só quando a Larissa (professora) se levantou que ele foi. No carro, já vinha falando: "issa, issa, boi". Dizia que ia à escola brincar com a Larissa e com o boi. E, então, me disse tchau. Perguntei se ele queria me entregar o bico, falou que não. E disse: "Tchau, mamãe", contou Kerli ao GLOBO.

Ao ser informada do ataque, Kerli foi levada até a creche pela gerente da loja onde trabalha. Deparou-se com pessoas correndo, uma gritaria generalizada e a rua tomada por carros, viaturas e ambulâncias. Ela ainda tentou entrar na instituição, mas foi impedida por um policial no momento em que passava pelo portão principal. Foi comunicada que as crianças estavam nas casas vizinhas e seguiu atrás de Murilo. Não o encontrava.

"Estava todo mundo muito desesperado, chorando muito, correndo de um lado pro outro. Cheguei no mesmo instante que o pai da Sarah (uma das vítimas). Fomos pelo lado de cima da creche, e ele conseguiu entrar pelos fundos, porque não tinha ninguém barrando. Quando estava indo atrás dele, uma professora gritou: 'O Murilo foi levado pro hospital'. Aí eu voltei, senão teria entrado com ele", disse a mãe.

Kerli partiu em direção ao hospital, a menos de cinco minutos dali, mas também foi vetada na entrada. Nervosa, não soube responder qual roupa seu filho estava usando. Graças à mãe de uma amiga que trabalha na unidade e a avistou, ela conseguiu ter informações sobre o Murilo. (E recebeu ali a trágica notícia:) Ele chegara já sem vida.

Fonte - 010 - oglobo

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