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Terça-Feira, 18 de Maio de 2021

Livre

Passageiro acusa motorista de ônibus de homofobia e agressão

Secretaria da Segurança Pública declarou que foi constatado que 'agressor ofendeu a vítima usando elementos referentes à sua orientação sexual'.
Quarta-Feira, 14 de Abril de 2021 - 19:07

Um passageiro de ônibus procurou a polícia na tarde de segunda-feira (12) para acusar um motorista por homofobia e agressão na Zona Norte de São Paulo.

Um vídeo que circula nas redes sociais mostra o momento em que o condutor segura o celular do operador de teleatendimento Kevin Victor de Oliveira Silva, de 20 anos, para impedir que ele continuasse a filmá-lo.

O motorista, que aparece uniformizado, com a máscara de proteção contra a Covid-19 abaixada no queixo, ainda não havia sido identificado até a última atualização desta reportagem.

Nas imagens é possível ver quando o condutor avança sobre o aparelho de Kevin, e a gravação termina quando o rapaz diz: “Motorista tá dando um show de homofobia”.

As cenas não registraram os xingamentos nem as ofensas homofóbicas que Kevin diz ter ouvido do condutor assim que pegou o ônibus no ponto da Avenida General Edgar Facó, na Freguesia do Ó.

“Esses gays não respeitam mais ninguém. Nem no ônibus a gente tem sossego”, teria dito o motorista ao cobrador, segundo o jovem contou à Polícia Civil.

O que diz o passageiro

Em entrevista ao G1, ele falou que o condutor se incomodou com seu estilo. “Uso cabelos compridos com tranças e roupas curtas. Às vezes, uso unhas postiças coloridas”, disse Kevin.

“Então para mim ficou claro que ele estava sendo homofóbico comigo, eu estava sendo vítima de homofobia naquele momento”, alegou o rapaz.

“Falei: o senhor tem como me respeitar e parar com essa homofobia toda? Aí ele começou a gritar algo e fazer um monte de coisa. Aí nisso eu comecei a gravar”, afirmou Kevin, que contou ter sido agredido.

“Assim que ele deu o tapa no meu celular, veio para a agressão. Me empurrou o rosto contra a porta do ônibus, deu socos, chutes, puxou meus cabelos para arrancar meus apliques”, relatou o jovem. “Os outros passageiros depois apartaram e me colocaram para fora do ônibus”.

Kevin disse que desceu do coletivo perto da Ponte do Piqueri, ainda na Zona Norte. “Eu estava indo para o meu trabalho, que fica Praça Ramos de Azevedo, no Centro”.

Se sentindo desnorteado, ele então começou a gravar novamente com o celular, mostrando a boca inchada e sangrando.

“Fiquei em estado de choque. Estou com medo de voltar a andar de ônibus. Já sofri assédio [sexual], mas nunca fui agredido fisicamente, ainda mais uma agressão motivada por homofobia”, disse o rapaz. “Será que o motorista agrediria um homem de 2 metros de altura? Eu sou pequeno, franzino e gay”.

Mesmo sem saber o nome do motorista e a placa do ônibus, Kevin foi a uma delegacia e prestou queixa. “Só lembrava que a linha era 8400 e que ia do Terminal Pirituba à Praça Ramos.”

Por meio de nota, a SPTrans, que administra as linhas de ônibus na capital, informou ao G1 que repudia atos de violência no transporte público e que encaminhou o vídeo para análise da empresa que opera a linha, para que ela identifique o motorista.

"A SPTrans repudia qualquer tipo de violência no transporte público e informa que vai colaborar com as investigações policiais no caso citado, já registrado em Boletim de Ocorrência. A SPTrans também encaminhou o caso à empresa que opera a linha para que realize as apurações necessárias, identifique o motorista e tome as providências cabíveis em relação a seu funcionário", informa trecho do comunicado.

Ainda segundo a SPTrans, os passageiros podem colaborar com o trabalho de fiscalização, registrando suas denúncias no portal SP156 ou ainda por meio do telefone 156.

Injúria e lesão corporal

No 87º Distrito Policial (DP), Vila Pereira Barreto, também na Zona Norte, o caso foi registrado como injúria e lesão corporal.

O artigo 20 do Código de Processo Penal (CPP), que é usado para tipificar crimes de homofobia, não foi colocado no boletim de ocorrência.

Em nota, a Secretaria da Segurança Pública (SSP) não explicou porque o registro policial tem o artigo 140 do CPP, que é o crime de injúria, mas deixou de fora o artigo 20, que trata de homofobia. De acordo com a pasta, no entanto, "a autoridade policial constatou que o agressor ofendeu a vítima usando elementos referentes à sua orientação sexual".

Ainda segundo a SSP, a equipe do 28º DP, na Freguesia do Ó, que investigará o caso, "entrará em contato com a vítima para verificar se haverá representação criminal e, posteriormente, instaurar o inquérito policial para investigar os fatos."

Fonte - 20 - Por Kleber Tomaz, G1 SP — São Paulo

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