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Quarta-Feira, 12 de Maio de 2021

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Em conversa gravada, Bolsonaro disse que teria que 'sair na porrada' com Randolfe por conta de CPI

Kajuru afirmou que que não publicou originalmente trecho de diálogo para 'proteger' presidente
Terça-Feira, 13 de Abril de 2021 - 09:43

BRASÍLIA — O presidente Jair Bolsonaro afirmou, em conversa gravada com o senador Jorge Kajuru (Cidadania-GO), que teria que "sair na porrada" com o senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP), autor do requerimento de abertura da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) destinada a apurar omissões do governo federal na pandemia de Covid-19.

A declaração ocorreu em conversa entre os dois no sábado. Kajuru já havia publicado no domingo a maior parte do diálogo, que trata da ampliação do escopo da CPI, mas divulgou o novo trecho nesta segunda-feira, em entrevista à Rádio Bandeirantes.

— Se você não participa (da CPI), daí a canalhada lá do Randolfe Rodrigues vai participar. E vai começar a encher o saco. Daí, vou ter que sair na porrada com um bosta desse — diz Bolsonaro, na gravação apresentada por Kajuru durante a entrevista.

Ao GLOBO, Kajuru disse que havia optado por não publicar esse trecho para proteger tanto Randolfe quanto Bolsonaro. Ele mudou de ideia, no entanto, após Bolsonaro defender a divulgação da íntegra:

— Eu resolvi tirá-la, não coloquei no ar, por dois motivos. Primeiro, não queria ver o meu colega, meu amigo, Randolfe Rodrigues, que é o criador da CPI, desrespeitado pelo presidente. Segundo, para o presidente seria ruim porque outros senadores evidentemente seriam solidários ao Randolfe.

Mais cedo, em conversa com apoiadores no Palácio da Alvorada, o presidente criticou Kajuru por ter gravado a conversa. Ele defendeu, contudo, a divulgação da íntegra.

— Não é vazar. É te gravar. Gravação só com autorização judicial. Gravar o presidente e divulgar...E outra, só para controle, falei mais coisa naquela conversa. Pode divulgar tudo, da minha parte.

Apesar da reclamação de Bolsonaro, Kajuru afirmou que avisou ao presidente que iria divulgar a conversa entre os dois e que ele não se opôs, e disse que já havia feito isso antes.

— Eu coloquei no ar 13h. 12h40 eu liguei para dar duas notícias para ele. A primeira, que o senador Alessandro Vieira tinha feito um requerimento para a CPI investigar governadores e prefeitos, que era desejo dele. Falei para ele: "daqui a pouco vou colocar nosso papo no ar". Despedi dele, coloquei no ar. Já fiz várias vezes conversas por telefone com ele e coloquei no ar. Quando interessava para ele, ele não reclamava.

O senador relatou que não avisou Bolsonaro que estava gravando a conversa no momento do diálogo, mas disse que o motivo é que naquele momento não sabia se iria publicar.

— Não (avisei). Porque eu não sabia se colocar no ar. Simplesmente gravei para ter. Eu gravo todo mundo que conversa comigo. É um direito meu.

Apesar de Bolsonaro afirmar que a gravação só poderia ter ocorrido com uma autorização judicial, a legislação não proíbe gravações telefônicas realizadas por uma das partes da conversa. A interceptação telefônica, quando a conversa é gravada por um terceiro não envolvido no diálogo, é que exige autorização judicial.

Após a divulgação da fala, Randolfe afirmou, em sua conta no Twitter, que "a violência costuma ser uma saída para os covardes que têm muito a esconder".

Fonte - 010 - oglobo

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