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Quarta-Feira, 05 de Maio de 2021

Livre

O que resta do sul do AM em pessoas com fome e na miséria extrema frutos de exclusão e chacinas de povos tradicionais

É o que conta a Assistente Social, Francisca Souza da Silva, a partir das comunidades ao Sul de Canutama, Lábrea, Humaitá, Manicoré e Apui.
Segunda-Feira, 12 de Abril de 2021 - 11:08

Humaitá, AMAZONAS - Ao menos 50 mil amazonenses foram obrigados a deixar ar região Sul e Sudoeste do Estado em busca de melhor qualidade de vida no lado rondoniense e acreano por falta de oportunidade de emprego e sobrevivência própria. Principalmente por causa dos conflitos agrários, e de políticas públicas de inclusão social no âmbito de governo.  

Esse número é resultado de estudo – ainda de caráter parcial - feito por acadêmicos tirados a partir de colônias entre migrantes e retirantes amazonenses nos três lados da divisa entre o Acre, Amazonas e Rondônia, sendo esse Estado o que mais recebeu gente nas últimas três décadas, cujos números fugiriam ao conhecimento do Governo deste Estado amazônico.  

Segundo ela, ‘amazonenses continua fugindo do estado de suposto abandono em que se encontram os povos tradicionais dessas regiões com divisas com o Acre, Rondônia e Mato Grosso’. Muitos deles, tem os filhos obrigados a se prostituírem em troca de cesta de alimentos e/ou mulheres aceitas em bordéis e malocas de bandidos e garimpeiros devido a predominância de impunidade ‘.  

Porém, o grande pico das migrações dos povos amazonenses para os três lados da divisa com o Acre, Rondônia e Mato Grosso ‘é a questão agrária seguida da perda das propriedades dos pais e avós’ para migrantes ilegais que se apossam, usurpadamente, das terras, madeiras, minérios, castanhas, borracha e essências naturais (Copaíba, Andiroba, Pau-Rosa e outros).  

Corrobando com essas mazelas ainda não combatidas pelo Governo do Estado, dos municípios e da União Federal, figuram os incêndios de propriedades rurais (Castanhais, seringais e potencial madeireiro) usurpadas após invasões do território amazonense por madeireiros, grileiros e fazendeiros que se aproveitam da dimensão continental dos municípios de Lábrea, Canutama, Humaitá, Manicoré, Novo Aripuanã e Apui.  

Francisca da Silva – única Assistente Social no lado rondoniense a se manifestar sobre o assunto -, diz que ‘o governo do Amazonas, desde a era Gilberto Mestrinho o interior deste Estado nunca havia testemunhado tantas migrações rumo ao Acre, Rondônia e Mato Grosso’.  Ela aponta um dos motivos: ‘falta de emprego, assistência  em saúde, escolas e garantia de melhor qualidade de vida no Estado natal’.  

De opinião semelhante, cinco ex-prefeitos dessas regiões – que pediram que suas identidades não fossem reveladas - atribuíram ‘essas fugas imensuráveis à falta de vontade política dos governos centrais em desenvolver os municípios do Sul do Amazonas’. Segundo eles, ‘nossos povos não têm tradição agrícola e os governantes que passam à cada quatro anos, deixam nossos povos passarem no tempo’.  

‘Isto quer dizer que nada, ou quase nada, nas últimas duas décadas foi destinado à implementação de políticas públicas de inclusão afirmativa para pôr fim à exclusão de pessoas em situação de vulnerabilidade social e pessoal dos amazonenses do Sul do Amazonas’, assinalou Francisca da Silva.  

TRISTE HISTÓRICO – Um dos maiores focos desse quadro de exclusão por força do continuísmo das invasões do território amazonense, diz ainda o estudo seguido por vários acadêmicos dos três lados da tríplice divisa do Acre, Rondônia e Amazonas, ‘são os assassinatos de lideranças campesinas, indígenas, ativistas agrários e ambientais no Sul do Amazonas’.


imagem ilustrativa

A autoria entre incêndios de barracos, casebres e choupanas de agricultores e de povos indígenas, apesar da fragilidade dos órgãos de segurança do lado amazonense dessa divisa, ‘se dá por autoria desconhecida’, segundo policiais civis e militares destacados às supostas investigações sob a responsabilidade da Secretaria de Estado da Segurança Pública (SSP-AM), Ministério Público Federal (MPF), como no caso da chacina da Fazenda Shalom (hoje, Fazenda Rondônia, já vendida por a um médico cirurgião de Ariquemes (RO), a 200 quilômetros da Capital rondoniense – apesar das terras pertencerem à União.  

Além da  ex-fazenda Rondônia – que no passado recente serviu para pouso noturno de helicóptero), como resultado das ‘expulsões forçadas’ por grupos de migrantes vindos do Sudeste, de Rondônia, Acre, Mato Grosso (Norte e Sul) e do Meio Oeste  do Paraná e Sul do Rio Grande do Sul, ‘até a data de hoje autoridades amazonenses elucidaram quase nenhum crime de mando na região Sul do Estado’, aduziu um ex-coronel de posição legalista que mantém uma grande faixa de terras na Linha C-10 e C-1, no sul de Canutama.  

Segundo esse ex-militar a rondoniense, ‘cheguei aqui, como qualquer outro que encontra essa gente pacata, medrosa e sem oportunidade que é o povo amazonense’. Ele aponta que sua ocupação ocorreu por venda de herdeiros de antigos seringais e castanhais além dos rios Azul, Mucuim, Arara e Ipixuna, este já no lado da divisa de Lábrea com a Humaitá.  

Diferentemente de outros maus migrantes que apelariam para a má prática de grilos, usurpação de propriedades ocupadas por povos tradicionais, extração ilegal de madeira das reservas Mapinguari, Campos Amazônicos e do bioma Cuniã, o militar rondoniense sugeriu que o ‘Governo do Amazonas, com a deflagração da Operação Integração Tamoiotá com sedes em Humaitá e Apui, adentre todas as fazendas e áreas invadidas apreendam maquinários pesados, serrarias Tico-Tico e Pica-Pau  escondidas sob as copas das árvores’.  

 -- A novidade será, de verdade, um grande baque no falso agronegócio bovino, sojicultor e madeireiro, que invade terras públicas para extrair madeiras e depois vendê-las como pastos prontos a bois piratas, desabafou a fonte deste site de notícias.

Fonte - News Rondônia

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