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Sabado, 15 de Maio de 2021

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Estudo do Butantan sugere que proteção da coronavac pode ser maior com ampliação do intervalo entre primeira e segunda dose

Publicação enviada para a revista médica "The Lancet" aponta que eficácia pode chegar a 62,3% quando período entre vacinas é igual ou superior a 21 dias; estudo avaliou 12,4 mil voluntários em 16 centros de pesquisa no país
Segunda-Feira, 12 de Abril de 2021 - 10:01

Artigo científico do Instituto Butantan que ainda precisa ser avaliado por especialistas da área aponta que a vacina Coronavac é segura e tem eficácia de 50,7% para quem recebe duas doses no intervalo de 14 dias. O  percentual é levemente superior aos 50,38% informados em análise anterior. Contra casos moderados, o imunizante tem eficácia de 83,7%, número maior que os 78% divulgados antes.

Outra novidade do artigo é a indicação de que a proteção pode chegar a 62,3% nos casos em que o período entre a primeira e a segunda vacina seja igual ou superior a 21 dias. A recomendação médica é que a segunda dose de Coronavac seja aplicada em algum momento entre o décimo quarto dia e o vigésimo oitavo dia após a primeira dose. A aplicação a partir do 21º já é defendida pelo Butantan desde janeiro.A publicação foi enviada neste domingo para revisão e divulgação na revista médica "The Lancet".

Entre 21 de julho e 16 de dezembro do ano passado, 12.396 funcionários de 16 centros de saúde no Brasil participaram da fase três dos testes. Os voluntários foram divididos em diferentes grupos. Parte recebeu uma dose, uma outra placebo e uma terceira recebeu duas doses. Entre os que receberam duas vacinas, um pequeno grupo recebeu a segunda dose depois de três semanas ou mais.

O Butantan afirma que o estudo mostra que a Coronavac se revelou eficaz na proteção contra as variantes P1 e P2 do vírus Sars-Cov-2, por se tratar de uma vacina feita a partir do vírus inativado.

“Esse estudo corrobora o que já havíamos anunciado há cerca de três meses e nos dão ainda mais segurança sobre a efetiva proteção que a vacina do Butantan proporciona. Não resta nenhuma sombra de dúvida sobre a qualidade do imunizante”, afirma por meio de nota Dimas Covas, que é presidente do Instituto Butantan.

Desde 17 de janeiro o governo de São Paulo já distribuiu 38,2 milhões de doses da vacina. Até 30 de agosto, o volume prometido é de 100 milhões de vacinas.

O artigo ainda não é oficial, já que está em fase de pré-prints, e será revisado antes da publicação. O imunizante foi desenvolvido pelo laboratório chinês Sinovac e produzido no Brasil pelo Instituto Butantan.Os dados são do ensaio clínico de fase 3 da vacina Coronavac e foram divulgados na tarde deste domingo, quando coincidentemente o governo paulista e o Butantan aplicaram a última dose que marcou o encerraramento da vacinação em massa  na cidade de Serrana, no interior de São Paulo.

O município sedia desde fevereiro um projeto pioneiro do Instituto Butantan para testar os efeitos da imunização em massa na população com mais de 18 anos. O chamado Projeto S foi concluído e 27.160 receberam as duas doses da CoronaVac e terminou com aproxidamente 98% do público-alvo imunizado.

De acordo com o Butantan, entre os 30 mil moradores aptos para serem imunizados, 28.380  se cadastraram, o equivalente a 62,18% dos 45.644 habitantes de Serrana. Considerando as abstenções, a vacinação em massa imunizou 59,51% dos moradores.

A cidade já vive uma onda de esperança por ver seu sistema de saúde menos pressionado nas últimas semanas, embora os pesquisadores do Butantan adotem cautela sobre o impacto da vacinação nas internações.

De acordo com os dados apresentados pelo Butantan, de 54.872 pessoas vacinadas na cidade, houve seis óbitos pela Covid-19. No entanto, cinco pessoas tomaram apenas uma única dose. Houve apenas um caso de uma pessoa que recebeu a segunda dose. Ainda assim, o óbito ocorreu dois dias depois da segunda dose.

Em solenidade neste domingo no município, Ricardo Palácios, diretor de ensaios clínicos do Butantan, ressaltou que o imunizante não apresenta resultados relevantes em quem tomar apenas a primeira dose. Ele lembrou ainda que a imunidade coletiva é esperada 2 semanas após a última vacina aplicada.

-Não se pode abaixar a guarda por completo por estar vacinado. Embora a vacina tenha eficácia para casos mais graves, não é absoluta, mas para quem tomar as duas doses. Não apresenta eficácia relevante na primeira dose - afirma Palácios.

O cientista também avalia que o estudo de Serrana será importante para observar a proteção da vacina para a cepa P1, com procedência de Manaus, e que já responde por mais de 60% dos casos de infecções na capital paulista.

"O estudo coincide com a aparição da variante P.1, que é a causadora da explosão de casos no país. O estudo vai conseguir avaliar como a vacina responde na vida real em relação à variante. Serrana vai ser a prova de fogo para sabermos se conseguimos controlar estes casos", diz Palácios.

Fonte - 20 - Gustavo Schmitt / O globo

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