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Sexta-Feira, 16 de Abril de 2021

Livre

Lançamento: Levante Feminista Contra o Feminicídio

É um grito de advertência aos poderes Legislativo, Executivo e Judiciário, para que sejam tomadas medidas que interrompam a matança de mulheres no país.
Quinta-Feira, 25 de Março de 2021 - 10:08

O Levante Feminista Contra o Feminicídio lança oficialmente, nesta quinta-feira (25), a campanha "Nem Pense em Me Matar - Quem mata uma mulher mata a humanidade!”. O evento terá a participação de nomes relevantes do feminismo na América Latina, como Veronica Gago, do Ni Una Menos, na Argentina, e Sofia Garzon Valencia, de Processo de Comunidades Negras, da Colômbia, e de especialistas brasileiras, como Deborah Duprat, ex-procuradora Federal dos Direitos do Cidadão.

A live giratória, ancorada por Analba Brazão e Bárbara Heliodora, integrantes do Levante, estará ao vivo a partir das 10h (horário de Brasília), no Facebook da frente. Um dos pontos comoventes será a leitura do Manifesto que norteia a campanha. Em vídeos, brasileiras das cinco regiões destacam trechos do documento, que já conquistou 27 mil assinaturas. É um grito de advertência aos poderes Legislativo, Executivo e Judiciário, para que sejam tomadas medidas que interrompam a matança de mulheres no país. 

No evento, também haverá poesia, fala de artistas convidadas e a primeira exibição do clipe "Corpo Meu", samba composto por Cris Pereira e interpretado pela sambista Fabiana Cozza – ambas se juntaram à luta do Levante. Nasceu dessa canção, a mensagem afirmativa do movimento. A letra diz:

“Houve um dia, que eu até sentia medo

Que você chegasse cedo

Pro meu corpo machucar.

Mas eu virei o tabuleiro

Este jogo, companheiro,

Eu não vou mais aceitar.

Nem Pense Em Me Matar”

Fabiana Cozza acredita que a canção tem beleza, assertividade e traz o corpo da mulher como potência de liberdade, afetos e resistência. "Todas nós sabemos o que é isso. Temos, por compromisso, ajudar a despertar outras mulheres na direção de seus corpos, de sua integridade física, moral, psíquica, lutando contra a violência, o machismo e o feminicídio."

Entre as participações confirmadas na live, estão: Célia Xakriabá, educadora, referência do povo indígena Xakriabá; Carol Santos, do Movimento Feminista Inclusivas; Leila Linhares, da Cepia e Consórcio da Lei Maria da Penha; Joseanes Lima dos Santos, integrante da Frente de Mulheres do DF e Entorno; além das deputadas federais Maria do Rosário (PT/RS); Lídice da Matta (PSB/BA); Talíria Petrone (PSOL/RJ) e as vereadoras Carol Dartora (PT/Curitiba) e Maria Marighella (PT/Salvador).

Um tuitaço, às 14h (horário de Brasília), vai completar a jornada, espalhando a hashtag #NemPenseEmMeMatar. O objetivo é discutir a necessidade urgente de mudar a cultura patriarcal, romper com o mito de que o homem tem domínio sobre a mulher e não admite que ela diga “não” a um relacionamento abusivo.

Após o lançamento da campanha, que está em ebulição nas redes sociais, os 20 estados participantes farão ações pontuais, organizadas pelas mulheres que vivem e conhecem a realidade específica do feminicídio em cada região. Para isso, foram criados materiais de comunicação com a imagem de girassóis amarelos, símbolo do Levante, que figura como sinal de esperança e celebração da vida.

Embora o crime de feminicídio esteja no Código Penal desde 2015, o assassinato de mulheres – apenas por serem mulheres – cresce diariamente no Brasil. No primeiro semestre de 2020, com a necessidade de isolamento social, foi registrado aumento de 1,9% deste crime de ódio*. Naqueles primeiros seis meses, foram mortas 648 brasileiras, a maioria negras e vivendo em desigualdade social.

Também denuncia a negligência e inoperância do Estado Brasileiro no enfrentamento à violência contra as mulheres, e traça o perfil dos matadores: “são homens que não admitem a autonomia, a igualdade e a liberdade das mulheres. São machistas, violentos que querem a redomesticação e o afastamento das mulheres da vida pública...”; “usam a violência física, psicológica, moral, sexual e patrimonial contra mulheres e seus filhos até o extremo, que é o ato do feminicídio”.

Fonte - News Rondônia

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