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Quinta-Feira, 22 de Abril de 2021

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Alta da Selic: o que muda no seu dia a dia com os juros a 2,75%?

Banco Central iniciou ciclo de altas da taxa básica de juros depois de seis anos. Isso gera impacto na inflação, no custo de financiamentos e na rentabilidade de investimentos.
Quinta-Feira, 18 de Março de 2021 - 15:46

Após seis anos, o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central elevou na quarta-feira (17) a taxa básica de juros da economia em 0,75 ponto percentual. Com o aumento da Selic, o BC espera que a inflação termine 2021 dentro da meta, de 3,75%.

Os efeitos da alta dos juros, no entanto, vão além do alívio na pressão inflacionária. Para os brasileiros, a elevação do índice também gera impactos diretos em questões como no valor do crédito, no consumo da população, nos investimentos e em financiamentos imobiliários.

Como fica mais caro investir, uma alta de juros impacta também a geração de empregos, de renda, além de uma elevação nas contas públicas, com multiplicador maior na dívida do país.

Confira os principais efeitos abaixo:

Inflação

O primeiro objetivo do BC ao aumentar os juros é tentar conter o avanço da inflação. Em geral, quando sobem os juros, é reduzido o estímulo à economia. Isso acontece porque financiamentos ficam mais caros e investimentos financeiros passam a render mais, por exemplo. Passa a ser mais vantajoso guardar do que rodar o dinheiro – e com menos demanda, os preços dos produtos tendem a cair, reduzindo a inflação.

Durante a pandemia, uma porção de estímulos monetários foi concedida ao redor do mundo. Esse dinheiro despejado incentiva a população a gastar mais, gerando pressão natural na inflação pelo lado da demanda. No Brasil, isso ocorreu em parte com o Auxílio Emergencial, que estimulou o consumo internamente.

Dólar

O que causou, de fato, uma pressão na inflação brasileira foi a desvalorização do real. Com a moeda mais fraca, produtos nacionais comercializados em dólar ficaram mais atrativos no mercado global, gerando desabastecimento interno. Os preços no Brasil, principalmente no atacado, subiram.

Com a alta nos juros, o BC tenta atrair investimentos externos que fugiram do país e colocar o câmbio de volta em patamares mais comportados.

O Brasil, como país emergente e com riscos fiscais no horizonte, com uma taxa de juro de 2% é pouco atrativo comparado a mercados mais seguros. Assim, os analistas esperam uma queda do dólar no curto prazo, mas sem efeitos duradouros.

Investimentos

A taxa Selic é usada como referencial de rentabilidade nos investimentos. Quem possui títulos de renda fixa – como poupança, CDBs, LCIs LCAs e Tesouro Selic –, deve ter maiores ganhos com a alta da Selic. No caso da poupança, o rendimento mensal sobe de 0,12% para 0,16%, e a caderneta continua perdendo para a inflação.

Em geral, aplicações em renda variável – caso de ações e fundos imobiliários – teriam efeito contrário e perderiam atratividade em tempos de alta de juros. Acontece que a Selic, mesmo a 2,75%, permanece em patamares muito baixos para o histórico brasileiro.

Com a inflação em 12 meses acumulada em 5,20%, não há ganho real nas aplicações financeiras que paguem taxas próximas à Selic. Isso mantém o interesse em investimentos mais arriscados e diminui a saída da bolsa de valores e de fundos de investimento.

Mesmo levando isso em consideração, especialistas continuam indicando os títulos do Tesouro Selic e os fundos DI, que acompanham a taxa básica de juros, como veículos de reserva financeira. Também são aconselhados os CDBs de liquidez diária, que rendem próximo ao CDI. Todos possibilitam retirada a qualquer momento e sem grande perda pela flutuação do título.

Financiamentos e empréstimos

Sempre que há aumento da taxa Selic, acontece também um reajuste completo nos juros cobradas em financiamentos e empréstimos. Mas, novamente: como o patamar de 2,75% ainda é considerado baixo pelo mercado, as flutuações não devem ser tão grandes.

Em entrevista ao G1, a presidente da Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança (Abecip), Cristiane Portella, diz que o aumento não deve fazer com que os brasileiros desistam dos planos de comprar imóveis. Os financiamentos imobiliários chegaram a R$ 123,9 bilhões em 2020, um aumento de 58% em relação a 2019.

"Em 2017, as taxas [cobradas em financiamentos imobiliários] eram de 11%. Hoje, estamos em 6,8%. Há um intervalo enorme", afirma Cristiane.

O caso dos imóveis é particular, contudo. Além de quem viu oportunidade de juros baixos para comprar a casa própria, as vendas foram também muito estimuladas pela transferência de aplicações financeiras para investimento em imóveis, já que a rentabilidade dos títulos baixou bastante.

Hoje, mais do que a variação dos juros, o que pode reverter os números de bens financiados é a própria crise econômica. O fim do Auxílio Emergencial e a taxa de desemprego, ainda atingindo 13,9 milhões de brasileiros, reduzem a renda disponível e a confiança para dívidas longas. Resultado que já se mostrava, por exemplo, na venda de veículos novos, que caíram 26,16% em 2020.

Cheque especial e cartão de crédito

Os juros de empréstimos pessoais não mudam apenas quando o BC decide fazer ajustes na taxa Selic. Quem concede as linhas de crédito trabalha com expectativas. Dessa forma, as taxas vinham subindo nos últimos meses, apenas pela percepção do mercado de que a Selic subiria.

No início de março, a Associação Nacional dos Executivos de Finanças Administração e Contabilidade (Anefac) registrou a terceira alta seguida das taxas de empréstimos pessoais, após oito meses de queda até novembro de 2020.

Todas as seis linhas de crédito para pessoas físicas pesquisadas aumentaram as taxas de juros no mês (cartão de crédito, cheque especial, juros do comércio, financiamento de veículos, empréstimo pessoal em bancos e financeiras).

A maior foi a do cartão de crédito: houve uma elevação de 1,34%, passando a taxa de 11,19% ao mês (257,10% ao ano) em janeiro para 11,34% ao mês (262,92% ao ano) em fevereiro – a maior desde março de 2020 (11,36% ao mês – 263,71% ao ano). Veja mais aqui.

Emprego e renda

A alta dos juros tende a ter efeito negativo sobre a geração de empregos. Isso porque o crédito mais caro 'esfria' a economia: além de influenciar uma redução no consumo, também encarece o investimento das empresas. Se as vendas e a produção não crescem, as empresas, em geral, reduzem suas contratações.

O mesmo acontece com a renda: menos dinheiro girando é menos dinheiro no bolso do trabalhador.

Fonte - 20 - Por G1

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