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Sabado, 27 de Fevereiro de 2021

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Negociação feita por empresas para comprar 33 milhões de doses de vacina divide grandes executivos

Parte do grupo discordou da proposta de doar apenas parte do lote para o governo; divulgação de nome das companhias causa desconforto
Terça-Feira, 26 de Janeiro de 2021 - 10:56

Causou desconforto a divulgação de uma lista de 12 grandes empresas que estariam em tratativas com o Ministério da Saúde para obter o aval para negociar a compra de 33 milhões de doses da vacina de Oxford com o laboratório AstraZeneca.

A lista, que circula desde o fim de semana em grupos de Whatsapp com a participação de executivos, traz nomes de companhias que rechaçaram participar do grupo desde o início ou que desistiram de participar da negociação por discordar da premissa que teria sido elaborada pela Gerdau, que, segundo executivos ouvidos pelo GLOBO, iniciou as conversas com grandes empresários. A empresa nega ter sugerido retenção de vacinas pela iniciativa privada.

A Ambev chegou a ser procurada, mas descartou fazer parte do grupo já nas primeiras conversas, apurou o GLOBO. O Santander afirmou não fazer parte da iniciativa, bem como o Itaú e a JBS.

As conversas iniciais foram incentivadas por executivos da Gerdau e da JBS, segundo um executivo de empresa citada na lista, mas houve um racha no grupo e até mesmo o frigorífico pulou fora, como antecipou a coluna de Lauro Jardim. Uma fonte da gigante do setor de carnes disse à reportagem que a empresa teria participado de uma reunião sem capitanear tratativas, e quando já participavam das discussões iniciais outras companhias.

Segundo pessoas que participaram das negociações, uma das preocupações entre empresários era que a tentativa de criar uma campanha de vacinação própria entre os funcionários poderia gerar críticas entre os consumidores.

Um executivo de empresa que figura na lista diz que o motivo da cisão foi uma discordância sobre que destinação dar aos lotes que por ventura fossem adquiridos pelas empresas. De um lado, a Gerdau teria proposto que metade das doses fossem doadas e o restante fosse aplicado nos funcionários das companhias.

A metalúrgica nega o número, diz que nunca aventou reter 50% das doses e que as conversas com empresas e com o governo foram preliminares e não foram lideradas pela companhia.

— A Gerdau não se colocou como líder de nenhum movimento de compra de vacinas, embora faça parte de um grupo de empresas que busca uma solução para a vacinação. Essa ação (a compra dos imunizantes) só vai se concretizar se o diálogo entre as empresas e o governo for viável economicamente e acelerar a vacinação no país — diz Pedro Torres, líder corporativo de comunicação da metalúrgica.

A ideia de reter parte das vacinas esteve em discussão e, de acordo com um executivo que participou das tratativas, foram membros do governo federal que sinalizaram os 50% como um piso mínimo de lotes que deveriam ser destinados à rede pública.

A premissa de reter imunizantes teria sofrido resistência maior (mas não exclusiva) dos bancos Itaú e Santander, segundo pessoas familiarizadas com as tratativas. Itaú e Santander teriam proposto a doação de toda a compra. Ao final, sem um acordo sobre o tema, Petrobras, Vale, JBS, Bradesco, além dos dois bancos, não toparam o modelo proposto por avaliarem ser uma ideia ruim as empresas ficarem com doses para "furar a fila" da vacinação nacional em um momento de alta de casos e mortes por coronavírus.

Procurada, a Gerdau confirmou em nota que "tem dialogado com empresas e o poder público com o objetivo de buscar soluções conjuntas de combate à Covid-19 no Brasil", mas afirma que "não lidera nenhum movimento de compra de vacinas".

"Além disso, a Gerdau desconhece discordâncias sobre o direcionamento de vacinas ou recursos, o que precisa necessariamente ser feito em conjunto com o poder público para a construção de ações que possam beneficiar a população brasileira", diz o documento.

A empresa rebate a ideia de que teria proposto reter metade das doses, volume que "é muito superior ao quadro de funcionários das empresas citadas, o que demonstra que as informações circuladas não procedem."

Em nota, a Vale disse que sua política "é de doação integral de insumos que venham a ser adquiridos para apoiar os esforços oficiais de combate à Covid-19". A mineradora informou que, desde o início da pandemia, "vem oferecendo ajuda humanitária aos governos no Brasil e nos países onde está presente, doando testes rápidos, EPIs para profissionais de saúde, entre outros insumos."

Durante o encontro semana passada foi feito um painel de quais laboratórios poderiam fornecer as doses, como a AstraZeneca, Sinovac, além da Pfizer, Moderna e a indiana Bharat Biotech. Falou-se da iniciativa dos laboratórios privados, de comprar cinco milhões de doses com o laboratório indiano, que ainda não tem registro em seu próprio país.

Fontes nas empresas de telefonia, como Oi, Claro e Vivo, informaram que não participaram das reuniões durante a semana passada.

O Santander afirmou em nota que a informação de que o banco faz parte do grupo "não procede".

O Itaú Unibanco informou, também em nota, que "por meio do Todos pela Saúde, acompanha de perto as discussões sobre a compra de vacinas, que neste momento seguem sendo realizadas na esfera governamental". A instituição financeira disse que a iniciativa "já aportou R$ 100 milhões na construção das fábricas de vacinas da Fiocruz e do Instituto Butantan, além de mais de R$ 1 bi em outras ações de combate à covid-19".

A Ambev disse que "não faz parte desse grupo de empresas ou dessa iniciativa de compra de vacinas".

A Dasa, que negocia uma parceria com a americana Covaxx para ter sua própria vacina contra a Covid, negou que esteja participando da  compra de vacinas e reiterou que não está liderando, nem participando de nenhuma negociação com a AstraZeneca, nem com outros players de mercado.

"A empresa possui amplo relacionamento com diferentes fornecedores de imunizantes globais e está buscando entender a disponibilidade de comercialização por empresas privadas. A Dasa reforça a importância da ampla cobertura vacinal como a estratégia mais eficiente no enfrentamento da pandemia da Covid-19", disse a empresa em nota.

Fonte - 20 - Ivan Martinez-Vargas e Bruno Rosa / O Globo

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