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Sexta-Feira, 22 de Janeiro de 2021

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OFÍCIO: Ministério da Saúde pressiona Manaus por uso de medicamentos sem comprovação contra Covid-19

Em ofício, a secretária de Gestão do Trabalho e da Educação na Saúde afirma que é 'inadmissível' a não adoção da orientação da pasta de utilizar precocemente medicações antivirais.
Quarta-Feira, 13 de Janeiro de 2021 - 19:03

O Ministério da Saúde pressionou a Secretaria de Saúde de Manaus a utilizar precocemente medicações antivirais orientadas pela pasta para o tratamento da Covid-19. Em maio, uma nota do ministério informava que os medicamentos orientados pelo órgão para o tratamento precoce de pacientes com a doença eram a cloroquina e a hidroxicloroquina, além do antibiótico azitromicina. As drogas, no entanto, não têm eficácia comprovada contra a doença.

Em ofício, a secretária de Gestão do Trabalho e da Educação na Saúde, Mayra Pinheiro, afirma que é "inadmissível" a não adoção da orientação da pasta. Mayra pede ainda autorização para realizar visitas nas unidades básicas de saúde para difundir a utilização desses medicamentos no tratamento precoce contra a doença.

"Solicita autorização da Secretaria Municipal de Saúde de Manaus para que possa realizar no dia 11 de janeiro de 2021 — segunda-feira, a partir das 14h às 22h — visita às Unidades Básicas de Saúde destinadas ao atendimento preventivo à Covid-19, para que seja difundido e adotado o tratamento precoce como forma de diminuir o número de internamentos e óbitos decorrentes da doença", diz o ofício assinado no dia 7.

Embora a ineficiências dessas drogas no combate à doença já tenha sido mostrada, o documento afirma:

"Aproveitamos a oportunidade para ressaltar a comprovação científica sobre o papel das medicações antivirais orientadas pelo Ministério da Saúde, tornando, dessa forma, inadmissível, diante da gravidade da situação de saúde em Manaus a não adoção da referida orientação."

Em maio, sob críticas de especialistas na área, o Ministério da Saúde orientou a prescrição de cloroquina e hidroxicloroquina desde os sintomas iniciais da Covid-19. A insistência em emitir essas orientações por parte do presidente Jair Bolsonaro culminou na saída do então ministro da Saúde, Nelson Teich. Com isso, chegou ao comando da pasta o general Eduardo Pazuello, que teve como um de seus primeiros atos a emissão das orientações para prescrição precoce desses medicamentos, que não têm comprovação de eficácia contra a doença.

O GLOBO entrou em contato com a secretaria municipal de Manaus para perguntar sobre o tema, mas, segundo a assessoria do órgão, a pasta não vai se pronunciar, uma vez que ainda não recebeu o ofício emitido pelo ministério.

Já o Ministério da Saúde afirmou que a a visita da comitiva da pasta às Unidades Básicas de Saúde teve como objetivo conhecer a estrutura e o modelo local de assistência à saúde.  O órgão afirmou ainda que o tratamento precoce aumenta as chances de recuperação.

"Além do apoio e suporte com leitos, insumos e medicamentos, o Ministério orienta a adoção do tratamento precoce. A medida é fundamental para evitar casos graves da doença. É muito importante que, diante de qualquer sintoma, as pessoas procurem atendimento médico para receberem as orientações adequadas", disse a pasta, acrescentando que o "o protocolo está a critério dos profissionais de saúde".

Infectologista critica uso do SUS para disseminação de drogas ineficazes

Professor titular de Infectologia da UFRJ, o professor Mauro Schechter afirma que a ineficácia desses medicamentos já foi comprovada e critica as orientações do Ministério da Saúde.

  — A cloroquina é uma droga cuja ineficácia está plenamente comprovada. É por isso que nas guias e diretrizes de tratamento tanto da Sociedade Americana de Infectologia quanto dos Institutos Nacionais de Saúde dos EUA ela figura com a recomendacao de não usar, na classificação A1, a mais forte possível. Ou seja, já foram feitos todos os estudos necessários para mostrar que a cloroquina não funciona. E isso não mudará, porque não há nenhum outro estudo em andamento. No caso da cloroquina, não é que faltam evidências da eficácia, a ineficácia já está comprovada — disse.

— No caso específico desse documento, ele tem vários problemas. Ele diz que é cientificamente comprovado, o que não é. Pelo contrário. Tanto a cloroquina quanto a azitromicina são formalmente contraindicadas. E mais um absurdo: O SUS só pode distribuir drogas cujas indicações estejam de acordo com o que a Anvisa aprovou. Eles querem que o SUS use com nosso dinheiro drogas para indicações que a Anvisa não aprovou, que não constam em bula — explicou. — Só existe um antiviral aprovado no mundo para tratamento de infecção por Sars-CoV 2, que é o remdesivir e que não está aprovado no Brasil e é utilizado para tratamento tardio e não precoce.

Fonte - 20 - O Globo

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