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Professora do Estado intensifica treinamento on-line para pré-vestibular comunitário

Quinta-Feira, 15 de Outubro de 2020 - 11:16
“A motivação, a nossa parceria e a organização são a alavanca para o sucesso do atendimento: a devolução é acompanhada de comentários, já passamos do quinto tema”, explicou Heloísa.

Uma professora da rede estadual de ensino de Rondônia, desenvolveu um projeto de curso pré-vestibular comunitário on-line para alunos que ainda não conseguiram chegar ao ensino superior. Em setembro de 2020, a Escola Estadual João Bento da Costa, em Porto Velho, aprovou 524 participantes para o Simulado Estadual de Redação Agora Vai Enem, promovido pela Secretaria Estadual de Educação (Seduc) em plena pandemia do coronavírus. Diversos alunos conseguiram notas máxima (1.000) e altas (920), pontuação também reconhecida.

O ritmo é intenso no aprendizado da Língua Portuguesa nessa escola do bairro Areal. A cada 15 ou 20 dias chegam aos computadores das professoras uma série de textos dos alunos em PDF na plataforma AgoravaiEnem (Exame Nacional do Ensino Médio), todos devidamente corrigidos.

“A motivação, a nossa parceria e a organização são a alavanca para o sucesso do atendimento: a devolução é acompanhada de comentários, já passamos do quinto tema”, explicou Heloísa.

Desde março, Heloísa se dedica diuturnamente a treinar as turmas em reconhecido esforço de aulas remotas. Diferente da presença do professor na sala de aula, a Escola João Bento recebeu com alegria a manifestação das professoras Heloísa Helena e Joana Camilo para um projeto de aperfeiçoamento de textos aos sábados, mas inicialmente isso não foi possível.

No entanto, juntas, elas prosseguem dando aulas on-line de redação, às quartas-feiras. Heloísa vive uma intensa correria, pois nesse dia da semana também trabalha no curso de Mestrado em Letras, na Universidade Federal de Rondônia (Unir).

Heloísa e a parceira Joana perceberam que esse aspecto da pandemia muito significou-lhes:

“A aula remota talvez tenha sido um legado; algumas vezes preparamos aulas de madrugada”, diz Heloísa acreditando numa ‘configuração diferente’ em 2021.

Ela acredita que o ensino on-line pode ser uma tendência do mundo atual, e nesse sentido pretende ajudar cada vez mais os alunos.

A Portaria do Ministério da Educação, publicada no Diário Oficial da União estendeu a autorização de aulas à distância em instituições federais de ensino superior até 31 de dezembro de 2020. O documento, motivado pelas medidas de contenção à pandemia de Covid-19, também flexibiliza os estágios e as práticas em laboratório, que podem ser feitos à distância nesse período, exceto nos cursos da área de saúde.

“Quem sabe, até o segundo semestre do ano que vem, possamos oferecer mais oportunidade aos meninos”, previu Heloísa Helena.

O êxito até agora alcançado pela professora Heloísa deu asas ao projeto recém-concebido na escola: ela e a colega Joana Camilo se dedicarão aos alunos que ainda não conseguiram chegar ao ensino superior, especialmente aqueles desmotivados.

“Eles poderão participar conosco do curso pré-vestibular comunitário, que terá aulas semanais, garantindo a todos a segunda oportunidade; faremos isso por eles”, disse.

Em janeiro de 2021 participarão das aulas on-line na revisão do Enem.

“A aplicação é tudo, o foco também, o caminho ainda é a educação, e a pandemia nos devolveu a confiança no saber”, acrescentou a professora.

Anteriormente, Heloísa cursou até o quarto período de Direito, mas fechou matrícula para optar por Letras.

Com o primeiro lugar no Simulado Estadual de Redação Agora Vai Enem, o aluno “nota mil”, Robson Damasceno Silva Neto, 17 anos, 3º ano do Ensino Médio, escreveu em sua redação a respeito do bullying nos estabelecimentos educacionais. Trata-se da prática sistemática e repetitiva de atos de violência física e psicológica, entre as quais, intimidação, humilhação, xingamentos e agressão física, de uma pessoa ou grupo contra um indivíduo.

O aluno quer realizar o sonho do curso do Ensino Superior. Na quarta-feira (14), ele e a professora se encontraram na biblioteca escolar para comentar a redação vencedora no simulado. O professor de Química, Roberto Amaral, elogiou Robson: “Ele também tem grande interesse em outras matérias, entre elas que eu leciono” .

A conversa se deu próximo à parede onde se destacam duas frases: “A leitura engrandece a alma” (Voltaire), e “Se encontrarmos um homem de intelecto raro, devemos perguntar-lhe quais livros lê”.

“É muito diferente não ter o professor presencialmente, por isso, as aulas remotas podem ser consideradas um mérito deles”, elogiou a professora Heloísa Helena Ramos dos Santos no interior da biblioteca lotada de livros didáticos.

Agora foi a vez de Robson devolver a gratidão à professora. Ele tem aproveitado bem as aulas on-line e anunciou sua vontade em cursar Direito.

Heloísa, paulista de Andradina, em Porto Velho desde 1985, aproveita o momento para manifestar também alegria pelo filho Flávio Júnior, 18, que fez o “Terceirão” e agora cursa computação na Unir.

Iniciado na Escola João Bento da Costa em 2019, o Projeto Terceirão possibilita aos alunos um ensino mais focado na prova do Enem e a chance de conseguirem vagas no ensino superior.

TIRANDO DÚVIDAS

“Mesmo nesse período diferente causado pela pandemia, o professor sempre disponibiliza tempo para tirar dúvidas”, reconhece. A professora sorri dizendo que a pontualidade da equipe de apenas duas (ela e Joana Camilo) é fator determinante para que “ninguém perca o entusiasmo”.

“No geral, temos bom proveito do acesso à internet, algumas matérias são melhores que as outras, enfim, aprendemos, mas o melhor mesmo é o presencial”, disse o aluno Robson.

No dia 1º de setembro deste ano, Robson escreveu sua redação a respeito do bullying. Trecho dela:

Um exemplo que torna evidente a ideia de que seja um ciclo está visível na série televisiva “Todo mundo odeia o Chris, que retrata a adolescência do personagem principal. Chris, que é um menino negro o qual enfrenta diversas situações coerentes à sua faixa etária, e uma dessas é o bullying.

 Ao desenrolar-se, a trama mostra que o real motivo pelo qual Joey Caruso (o agressor) realizava tais práticas, era porque seu pai também o agredia, e como fugia à sua realidade, Caruso descontava em Chris.

Ademais, reiterando o pensamento de Paulo Freire, é fato que a educação tem papel fundamental como transformadora da sociedade, logo, quando não há educação que modifique as atitudes e pensamentos do ser humano, a espécie perpetua hábitos vis e se torna aquiescente à improbidade da situação.

Na Redação, Robson sugere ao Conselho Nacional de Educação, órgão responsável por assegurar a participação da sociedade no desenvolvimento, aprimoramento e consolidação da educação nacional, o incentivo às escolas a buscarem parcerias com redes de psicólogos.

Segundo ele, isso se faria por meio de decretos, a fim de garantir aos alunos, tanto o agressor quanto o agredido, “assistência psicológica e sanidade mental de todas as partes”.

Fonte - 010 - SECOM - GOV/RO

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