Domingo, 06 de Setembro de 2020 - 14:21 (Colaboradores)

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Etnocídio e resistência da nação indígena kamentsa

O originário povo Kamentsa apesar da histórica dominação sofrida pelos Incas, no início do século XVI, finalmente conseguiu vencer os dominadores, mas na sequência foram novamente dominados pelos espanhóis.


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Putumayo é um importante Departamento amazônico, localizado no Sudoeste colombiano, possui uma área de 24.885 Km² e uma população estimada em 348.182 habitantes, sendo a cidade de Mocoa, a sua capital. Putumayo é homônimo de um inebriante rio afluente do Amazonas.

É no Departamento de Putumayo que vive o povo indígena Kamentsa, habitantes do vale de Sibudoy, um importante município colombiano que fica localizado na encosta oriental da cordilheira dos andes, à cerca de 80 Km da capital Mocoa e com uma altura média de 2.100 metros acima do nível do mar.

O originário povo Kamentsa apesar da histórica dominação sofrida pelos Incas, no início do século XVI, finalmente conseguiu vencer os dominadores, mas na sequência foram novamente dominados pelos espanhóis.

O originário povo Kamentsa possui uma imbricada relação com a natureza e uma verdadeira devoção pelos espíritos da floresta do vale do rio Putumayo. Esta devoção é muito bem representada através de esculturas espíritas esculpidas em madeira, principalmente pelos homens Kamentsa.

As mulheres Kamentsa são consideradas exímias tecelãs e herdaram dos seus ancestrais, seculares características socioculturais andinas, originalmente representadas através de suas simbologias e representações cosmogônicas. A tecelagem Kamentsa é reconhecida nacionalmente pelos valores históricos de suas tradições pré-colombianas das cordilheiras dos andes.

As mulheres e suas singulares produções artesanais foram suficientemente fortes e resistentes para superarem os mais diversos tipos de atrocidades cometidas contra seus antepassados. Elas continuam resistindo e cotidianamente buscam sair da invisibilidade política e social a que foram submetidas durante toda uma história horripilante de exclusão sociopolítico e linguístico-cultural de seus povos.

Os conhecimentos ancestrais do povo Kamentsa resistiu fortemente aos poderosos laboratórios biotecnológicos e grandes indústrias farmacêuticas que de forma avassaladora dominam a produção e o uso indiscriminado de produtos industrializados.

Carlos Juagibioy é um renomado conhecedor Kamentsa do campo etnofarmacológico colombiano que utiliza uma rica diversidade de espécies vegetais tradicionais para o tratamento natural de inúmeras doenças do mundo contemporâneo.

Este riquíssimo e vasto campo de valores etnobotânicos de originárias plantas medicinais da Amazônia andina Kamentsa é uma peculiar demonstração de uma herança ancestral ritualística e cosmogônica que resistiu no espaço e tempo como provas incontestáveis de um xamanismo milenar que continua tradicionalmente impregnado a uma espiritualidade florestal divinizante da natureza.    

Marquelino Santana é doutor em geografia, líder do Grupo de Estudos e Pesquisas, Modos de Vida e Culturas Amazônicas – Gepcultura/Unir e pesquisador do grupo de pesquisa Percival Farquhar o maior empresário do Brasil: Territórios, Redes e Conflitos na Implantação da Estrada de Ferro Madeira-Mamoré (EFMM-RO) e na Estrada de Ferro São Paulo-Rio Grande (EFSPRG-PR/SC), da Universidade Estadual de Londrina e do grupo de pesquisa Geografia Política, Território, Poder e Conflito, também da Universidade Estadual de Londrina. 

Fonte: Marquelino Santana

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