Sabado, 05 de Setembro de 2020 - 11:22 (Colaboradores)

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A Morte da Independência - Por Moisés Selva Santiago

Uma primeira curiosidade salta aos atentos olhos: acima da linha do Equador estão as nações colonizadoras do mundo; e abaixo, quase todos os colonizados.


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Por Moisés Selva Santiago

Ensinaram-nos que Dom Pedro bravamente bradou "independência ou morte". E daquele 7 de setembro de 1822, o Brasil se separava de Portugal, embora continuasse governado pela mesma família colonizadora.

Uma primeira curiosidade salta aos atentos olhos: acima da linha do Equador estão as nações colonizadoras do mundo; e abaixo, quase todos os colonizados.

Relembremos a História. No continente americano, em 1776 os ingleses são expulsos dos Estados Unidos; em 1822 foi a vez dos portugueses no Brasil. Por todo o século XIX as guerras latinas de independência levaram os espanhóis de volta à Europa. Na África, a descolonização do continente se deu no século XX, com a expulsão das poderosas nações colonizadoras: Alemanha, Bélgica, Espanha, França, Inglaterra, Itália e Portugal. Na Ásia, as batalhas fizeram sair a Inglaterra, França, Portugal, Estados Unidos, Alemanha, Japão e Holanda. E os países da Oceania tiveram processos semelhantes.

Atentemos para outra curiosidade: em quase todas essas ex-colônias perpetuou-se a economia baseada na exportação de matérias-primas para as nações ricas, e a dependência de produtos industrializados do hemisfério norte. Alguém afirmará que o progresso também chegou a esses países; porém, quando ocorreu, o custo ambiental, a quebra da soberania nacional, a instabilidade política, a internacionalização do crime e o câncer da corrupção empurrou tais nações para a falta de qualidade de vida a que todo ser humano deveria alcançar.

Agora, adicionemos o neocolonialismo e suas atuais múltiplas formas de dominação. Sem usar caravelas armadas cruzando oceanos, ele aperfeiçoou a colonização cruzando dados online, impondo câmbio, definindo regras do mercado e tornando-se onipresente no cotidiano cultural. Sabemos que, vez por outra, a sede pelo domínio continua impulsionando invasões territoriais, com mísseis "inteligentes", imbatíveis blindados, inalcançáveis jatos de guerra e ameaças nucleares – causando, outra vez, milhares de vítimas pelo mundo, sob ideologia de direita ou de esquerda. Mas, não olvidemos: a manipulação de informações nas redes sociais é bem mais dominadora que quaisquer dessas armas, principalmente em tempo de eleições.

Se é assim, concluiriam alguns, a independência de uma nação é utopia? Justificam que dominações de povos estão em todos os capítulos do nosso belo e frágil planetinha. A Bíblia e outros livros considerados sagrados tratam do tema. Responderíamos, tristemente: as nações americanas, africanas e as dos demais continentes ainda não respiram a sonhada independência que faz o povo viver dignamente com trabalho, água, comida, moradia, saneamento, saúde, educação, lazer, transporte, segurança e fé, resumidos na profunda palavra cidadania.

Voltemos ao Brasil. É evidente que somos gratos ao bravo brado no riacho. Entanto, uma nação se forja muito além de palavras.

Por isso, o valor das ações de instituições democráticas, de donas de casa, estudantes, professores, militares, profissionais da saúde, juízes, ex-combatentes, garis, agricultores, policiais, servidores públicos, sindicalistas, empresários, bons governantes, cientistas, comerciários, legisladores – pessoas que constroem diariamente o desejado estado democrático de direito Por isso, também, reafirmamos a necessidade de impor limites às ameaças à nossa independência, pois "dos filhos deste solo és mãe gentil, pátria amada, Brasil". Ou, se nada disso for verdade, humilhados constataremos diante de nossos filhos e netos a morte da independência.

Fonte: Moisés Selva Santiago

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