Sexta-Feira, 21 de Agosto de 2020 - 09:31 (Polícia)

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Conselho de Medicina investiga médicos por constrangimento a menina de 10 anos

Criança acusa tio, que está preso, de estupro, e fez aborto em centro de referência no Recife; processo sobre profissionais de saúde corre em sigilo


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O Conselho Regional de Medicina de Pernambuco (Cremepe) anunciou nesta quinta-feira que irá investigar a conduta de médicos que teriam entrado no Centro Integrado de Saúde Amaury de Medeiros (Cisam), no Recife, para constranger a menina de 10 anos que realizou um aborto no local, após ter sido estuprada pelo tio. O processo corre em sigilo.

Segundo a assessoria do Cremepe, a investigação foi aberta após informações divulgadas pela imprensa. A nota oficial diz que o conselho vai "apurar as informações referentes aos profissionais médicos que teriam acessado o quarto em que estava a criança de 10 anos vitima de estupro, antes da interrupção da gravidez, no Centro Integrado de Saúde Amaury de Medeiros (CISAM). O expediente corre em sigilo processual para não comprometer a investigação. Os expedientes são regidos pelo Código de Processo Ético - Profissional (CPEP) estabelecidos pela Resolução CFM Nº 2.145/2016".

A criança passou pelo procedimento, autorizado pela Justiça e previsto na Constituição, no último dia 17. Segundo relatos à reportagem, pelo menos um profissional médico teria conseguido acessar o quarto da menina na noite anterior para pressioná-la, mostrando detalhes gráficos do procedimento e questionando a decisão dela e da avó.

A criança, que morava em São Mateus, no Espírito Santo, não conseguiu realizar o aborto no estado natal porque o hospital referência de Vitória alegou "questões técnicas" para tanto. Para conseguir entrar no Cisam, cercado por manifestantes contrários ao aborto, a criança precisou entrar no porta-malas de uma minivan Doblò para despistá-los. O caso ganhou repercussão nacional.

Fonte: Carolina Mazzi / O Globo

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