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Sexta-Feira, 04 de Dezembro de 2020

10 anos

Grupo paramilitar evangélico faz abordagem em favelas para pregar a Bíblia

Durante as abordagens, os pastores vestem uniformes pretos, usam viaturas, distintivos e rádios semelhantes aos de policiais e até mesmo coletes a prova de balas.
Quinta-Feira, 06 de Agosto de 2020 - 15:36

Pastores evangélicos se vestem de PM e usam viaturas para pregar a Bíblia em comunidades carentes e internar dependentes químicos sem consentimento em "centros de reabilitação religiosos"

Um grupo de pastores evangélicos do Distrito Federal (DF) utiliza métodos de repressões físicas e morais para internar à força dependentes químicos em centros de reabilitação religiosos.

Durante as abordagens, os pastores vestem uniformes pretos, usam viaturas, distintivos e rádios semelhantes aos de policiais e até mesmo coletes a prova de balas. As informações são do The Intercept Brasil.

Os religiosos um relato diário de suas atividades por meio de vídeos em um conta no Facebook. As atividades tiveram início em 2011. No entanto, só agora, após nove anos de práticas ilícitas, as ações foram denunciadas.

O grupo autodenominado “Patrulha da Paz” está sendo investigado pela Comissão de Direitos Humanos da Câmara de Deputados do Distrito Federal desde o dia 29 de julho.

As apurações sobre tais atividades tiveram início depois que houve denúncias de coerção em uma das abordagens feitas pelos pastores na comunidade do Sol Nascente.

Durante essa intervenção, os “agentes”, como se identificam, estavam pressionando moralmente com uso de alto falantes, feixes de luzes e pressão psicológica jovens da comunidade para que estes se juntassem aos propósitos religiosos da patrulha.

A Comissão solicitou ainda que tanto o Ministério Público do Distrito Federal, quanto a Secretaria de Segurança Pública abrissem processos de investigação com relação à atuação do grupo. No documento da denúncia na Câmara dos Deputados de Brasília, a Comissão de Direitos Humanos afirma que as denúncias e os fatos narrados pelo próprio grupo nas redes sociais evidenciam “ações de violência e coerção”.

Na justificativa da abertura do processo de investigação ainda consta ser de entendimento geral do órgão que o uso dos adereços e trajes tão similares aos das forças policiais governamentais tem o intuito de confundir e intimidar as pessoas abordadas. Além disso, todos os integrantes da patrulha realizam treinamentos de artes marciais e aprendem técnicas de imobilização e defesa pessoal.

Segundo o Intercept, a Comissão de Direitos Humanos do DF apurou que o grupo estaria realizando ações violentas contra pessoas em situação de rua, constrangendo-as e, em alguns casos, internando à força. Ações de caridade como distribuição de agasalhos, cobertores ou mesmo comida estariam sendo usadas como forma de evangelizar compulsoriamente.

O pastor Gilmar Bezerra Campos afirmou que os evangélicos de sua patrulha adotaram as vestimentas paramilitares para fornecer um “tratamento diferenciado” durante as pregações feitas sempre de madrugada.

Ele afirma que busca levar “conforto, segurança e confiança” aos atendidos, Nos vídeos das abordagens, porém, a aceitação de tal “tratamento” não agrada a todos os abordados. Um idoso chegou a chorar após ser acordado pelos pastores em uma abordagem feita no dia 19 de junho e posteriormente divulgada nas redes sociais.

Fonte - https://www.pragmatismopolitico.com.br/

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