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Bares e restaurantes do Rio apelam para leilões na hora de fechar de vez a conta por causa da pandemia

Casas que sucumbiram à crise vendem de fogões a uniforme do maître. Sindicato estima que 1.500 dos dez mil estabelecimentos do setor deixaram de funcionar
Sabado, 25 de Julho de 2020 - 09:43

O drinque preferido e o prato que dava água na boca vão virar parte da memória afetiva, mas ainda é possível ter por perto outras lembranças do bar ou restaurante que fechou as portas por causa da pandemia. Casas que anunciaram a saideira recentemente estão leiloando seus acervos. A oferta é de todo tipo de item: entraram na roda desde móveis e fogões até a roupa do maître.

Um dos primeiros a vender toda a sua história foi o cinquentenário Navegador, no Clube Naval. Através de um pregão virtual, foram oferecidos 450 lotes. Não escaparam nem os móveis. Um canapé de madeira foi arrematado, diz a dona do restaurante, a chef Teresa Corção, por mil reais. Uma chapeleira em madeira com espelho trocou de mãos por R$ 300.

— Em dois dias, o leilão foi um sucesso, vendi tudo. Ou quase tudo. Tem umas quatro coisinhas que ainda não, paletó de maître, por exemplo — contou Teresa.

Rio perde 1.500 casas

Segundo o Sindicato dos Bares e Restaurantes do Rio (SindRio), 1.500 dos dez mil estabelecimentos de alimentação da cidade já fecharam as portas por causa da pandemia. Um dos ícones do Rio, o La Fiorentina é um dos que têm destino indefinido. A casa não reabriu ainda, apesar da prefeitura já ter autorizado bares e restaurantes a voltarem às atividades. O dono do espaço no Leme, o empresário Omar Peres, resolveu abrir primeiro o Bar Lagoa, também de sua propriedade, para ver como seria o retorno dos clientes.

O Fellini, quilo que fez sucesso por décadas no Leblon, não esperou a reação do público. A casa, que ja tinha planos para fechar antes mesmo da pandemia, optou por se desfazer de tudo o que tinha. Não escapou nada: até luminárias, quadros e vinhos integraram os 400 lotes. O preço dos itens variou entre R$ 10 a R$ 790. Noventa por cento das peças foram passadas adiante. O restante foi doado para antigos funcionários que pretendem abrir um negócio próprio, diz Nelson Laskowsky, que tocou o empreendimento por mais de 30 anos.

O Angu do Gomes, em Botafogo, também vê no leilão uma última alternativa. Rigo Duarte, neto do fundador da marca, está disposto a se desfazer da casa por um terço do que ela vale. Se não der certo, vai pedir para que batam o martelo.

—Estamos vendendo com tudo dentro. O ponto vale uns R$ 600 mil e estamos passando por R$ 200 mil. Se não conseguirmos, vamos leiloar todos os equipamentos — diz.

O Comuna, casa que movimentava a Rua Sorocaba, em Botafogo, também sucumbiu à crise. Busca uma vaquinha virtual para arrecadar R$ 200 mil e honrar a rescisão dos 15 funcionários. O Baródromo, que fechou as portas na Rua do Lavradio, tenta outra solução. Seu acervo, composto por fantasias e alegorias de carnaval, vai ficar guardado à espera de ventos melhores e , quem sabe, uma reabertura.

Fonte - Gustavo Goulart e Marcelo Antônio Ferreira / O Glo

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