Quarta-Feira, 22 de Julho de 2020 - 08:58 (Educação)

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Escolas particulares se dividem sobre o regresso às aulas presenciais a partir do dia 3 de agosto

Colégios que já bateram martelo planejam rodízios de turmas, face shield e até higienização, com troca de roupa, antes de entrar nas escolas. Mas outras unidades são contra o retorno presencial neste momento


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Na rede particular de ensino, não há consenso sobre o retorno às aulas presenciais, autorizadas nesta terça-feira pelo prefeito Marcelo Crivella para alunos da 4ª e 5ª séries e do 8º e 9º anos, a partir do dia 3 de agosto. Diante de tantas dúvidas, colégios tentam encontrar a melhor maneira de enfrentar o “novo normal”. Há escolas que já marcaram o retorno, com medição de temperatura, distância entre mesas, rodízios de turmas, face shield e até troca de roupa com higienização antes de entrar em sala. Mas outras ainda não têm previsão de quando irão receber os estudantes presencialmente.

Com 22 unidades, a rede de ensino Pensi não tem uma data para o retorno dos alunos, mas criou um comitê para monitorar os casos da doença e elaborar um calendário. O Colégio Andrews, no Humaitá, também não bateu o martelo. Mas não descarta o regresso ocorrer gradualmente em breve. Para isso, o diretor do colégio, Pedro Flexa, informou que cada família poderá definir o momento em que se sentirá segura para deixar o aluno voltar a frequentar a sala de aula.

— Mas não obrigaremos os alunos a nada, tudo será conversado e decidido antes — disse o diretor.

Com 14 unidades no Rio, a rede pH ainda avalia quando ocorrerá o retorno presencial, que será feito em rodízio.

— Os alunos vão poder optar por seguir no ensino remoto. Temos um grupo considerável de famílias que ainda não estão confortáveis com o retorno presencial. Na pesquisa que realizamos, um pouco mais da metade não pretende voltar no início — diz Vicente Delorme, diretor de planejamento do Colégio pH.

O Santo Inácio, em Botafogo, tampouco fechou uma data, mas diz que, quando o retorno ocorrer, haverá muitas mudanças. Além do protocolo de distanciamento, o recreio será dentro das salas de aula, para que se reduza a necessidade de deslocamentos dos alunos, por exemplo.

O Centro Educacional Anísio Teixeira (CEAT), em Santa Tereza, na Região Central do Rio, informou que não concorda com uma volta ao ensino presencial em agosto.

Face shield e uniforme extra na mochila

O Colégio Inovar Veiga de Almeida, que conta com 198 alunos, decidiu pelo retorno presencial em agosto, mas haverá a opção de ensino remoto também para os alunos. A direção decidiu adotar o formato de escala, ao invés de rodízio. No dia 10, regressam alunos do Ensino Fundamental I; e no dia 17, Fundamental II e Ensino Médio. Antes disso, no dia 3, a equipe pedagógica será reunida para acolhimento e orientação. Toda a comunidade escolar (de profissionais de ensino a alunos) receberá face shield, que será obrigatório, junto com a máscara comum.

O colégio também criou entradas em quatro pontos diferentes, com medição de temperatura. Os alunos serão divididos pela forma como chegam à escola. Quem for de transportes público, escolar ou de aplicativo deverá ter uniforme extra na mochila para trocar e se higienizar antes de entrar no colégio. Os alunos, no entanto, terão a opção de manter o ensino remoto.

— A gente entende que nas famílias muitos alunos moram com avós, ou são vizinhos dos avós, ou os pais podem ser do grupo de risco. Não podíamos voltar sem dar opção aos que não podem regressar — diz a diretora Experiências e Aprendizagem da escola, Diana Magaldi.

Os Colégios Maristas São José, na Tijuca e na Barra da Tijuca, Zona Norte e Zona Oeste, respectivamente, anunciaram que voltarão às aulas no próprio dia 3 de agosto conforme autorização do prefeito, mas de forma remota. O colégio está estudando internamente uma data para o retorno presencial. Além dos protocolos sanitários, como carteiras a 1,5 metro de distância e checagem de temperatura na entrada, os bebedouros das unidades estarão disponíveis apenas para reabastecimento das garrafinhas individuais, e os recreios serão intercalados.

Controle de temperatura

Já a Escola Carolina Patrício anunciou que volta com as aulas presenciais no dia 10 de agosto nas unidades Barra e Golfe, e no dia 17 no Recreio e em São Conrado. O colégio irá manter espaçamento de 4 metros nas salas de aula e em áreas compartilhadas. Mas o formato de ensino remoto também será mantido para os alunos que tem comorbidades ou familiares em grupo de risco.

— Estamos atentos às especificidades de cada família, customizando a retomada dos nossos alunos. O Plano de Retomada é vivo, ou seja, a qualquer momento as definições das fases poderão ser alteradas, inclusive abortadas, em caso de contaminação ou mudanças de Órgãos Governamentais de Saúde — afirma Noemi Simões, diretora da Escola Carolina Patrício.

Nas unidades da Eleva, em Botafogo e na Barra, haverá controle de acesso, com medição de temperatura. O almoço será dentro das salas de aula. Já a Escola Americana, na Barra e na Gávea, criou uma espécie de manual para a retomada das aulas. Haverá também um sistema de rodízio de aulas presenciais e virtuais, e as atividades físicas seguirão várias normas, incluindo o uso de máscaras.

O Sindicato dos Professores do Município do Rio e Regiões (Sinpro Rio) voltou a negar que tenha entrado em acordo com a prefeitura sobre o retorno das atividades in loco. Durante a coletiva de imprensa, onde apresentou oficialmente o planejamento, Crivella afirmou que, em encontro, a classe concordou com a ideia.

— Depois de muitas reuniões, houve consenso entre os sindicatos dos professores e das escolas. Os representantes dos professores resistiam, por achar que haveria constrangimento para que todos os professores retornassem —  disse o prefeito.

Procurado pelo GLOBO nesta terça, o vice-presidente do Sinpro Rio, o professor Afonso Celso Teixeira afirmou que a classe apenas ouviu a proposta, mas que iria debatê-la em assembleia prevista para o dia primeiro.

— Isso não procede. Em nenhum momento nós dissemos que concordamos. Inclusive, falamos para eles que nós teríamos uma assembleia no dia 1º de agosto e que iríamos conversar com a diretoria e demais profissionais. Nós marcamos antes, também, uma reunião para amanhã, porque estávamos só eu e o presidente e nós não decidiríamos ali. Nós só ouvimos a proposta, que é a de retorno de 4º, 5º, 8º e 9º ano num primeiro momento. Ouvimos, dissemos que iríamos levar à diretoria e à assembleia. Ouvimos, mas não concordamos com nada — disse Afonso.

O Sindicato dos Professores do Rio também se manifestou em nota:

"Após o anúncio feito pela prefeitura no dia de ontem que as escolas particulares  poderiam retornar às aulas no dia 3 de agosto, de maneira "VOLUNTÁRIA ", como se os patrões fossem seguir essa regra, O SINPRO Rio foi convocado pela prefeitura para uma reunião no dia de hoje. Ouvimos da equipe da Vigilância Sanitária que o retorno seria, num primeiro momento, do 4°, 5°, 8° e 9° anos. O Sinpro-Rio ouviu a proposta, questionou sobre testagem da comunidade escolar e sobre o caráter do retorno facultativo para professores. Em nenhum momento, dissemos estar de acordo com ela.

Entendemos não ser hora de qualquer retorno, principalmente baseado nas pesquisas científicas da Fiocruz,  em anexo, e outros órgãos de saúde. Continuamos com as aulas remotas , mais trabalhosas e estafantes que as presenciais,  para não arriscar as vidas de crianças,  adolescentes e jovens , além das nossas próprias e as das famílias da comunidade escolar. A greve pela vida continua até nossa próxima assembleia dia 01 de agosto,  onde decidiremos os rumos do movimento de defesa da saúde e da vida. A economia se recupera , a vida não!".

Procurada, a prefeitura do Rio respondeu em nota, esclarecendo que a proposta foi apresentada ao Sinpro Rio, que concordou em levar à apreciação da categoria em assembleia, diferentemente da proposta anterior, logo recusada.

"Vale resssaltar que a proposta foi reajustada com base em reuniões com representantes dos professores e de pais de alunos, com critérios conservadores, que agradaram a todos na reunião realizada na manhã desta terça, 21/07. Na readequação, as atividades foram reduzidas ainda mais, com medidas para impedir a lotação das escolas. Um exemplo é a restrição de aulas presenciais apenas para os dois últimos anos do Ensino Fundamental I (4º e 5º ano) e do Ensino Fundamental II (8º e 9º ano). Neste primeiro momento, o foco é também trabalhar a conscientização dos alunos dessas turmas para que reforcem em seu círculo familiar as medidas fundamentais de prevenção, como o uso da máscara, o distanciamento de dois metros entre as pessoas e a importância da higienização frequente das mãos", conclui o texto.

Sindicato das escolas é a favor da volta opcional e se diz preparado

Também sobre a reunião, o Sindicato dos Estabelecimentos de Educação Básica do Rio (Sinepe-RJ), que responde pelas escolas particulares, se manifestou através de seu presidente, José Carlos Portugal. Ele acredita que a rede privada está preparada.

— A Rede Privada de Ensino está preparada para a volta às aulas de forma segura e gradual, na medida em que as autoridades assim o permitam. As escolas seguirão os cuidados necessários, previstos no protocolo básico aprovado pelas autoridades sanitárias: distanciamento necessário, higienização permanente dos ambientes, regras de entrada e saída, ambientes abertos e arejados, termômetro na porta e tapete de entrada com substância apropriada, uso de máscara, além de subdivisão de turmas.

Portugal afirma também respeitar que cada instituição siga seu próprio modelo nesta retomada.

— Não haverá modelo único para a volta às aulas. Cada instituição terá respeitada a sua autonomia e zelará para trazer segurança a seus alunos, professores e demais colaboradores, adequando-se às normas sanitárias básicas. Além disso, respeitará a decisão de cada família, que discernirá o momento em que se sentirá confortável  em levar o seu filho para participar das atividades presenciais.

Fonte: Gilberto Porcidonio e Marcelo Antonio Ferreira* /

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