Quinta-Feira, 09 de Julho de 2020 - 17:40 (MINHA HISTÓRIA)

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Fiscal do Rio é ameaçada por homem durante inspeção: "meu pai é procurador!"

"Foi muito constrangedor e assustador o nível de agressividade". Fiscal é ameaçada e xingada enquanto fazia o seu trabalho em bar com aglomeração na Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro. Homem disse que o pai é "procurador" e que ela perderia o emprego


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Após a repercussão do caso do casal que tentou intimidar fiscais da prefeitura do Rio de Janeiro que vistoriavam a abertura de bares no último final de semana, outro episódio veio à tona sobre as ameaças e intimidações de clientes contra os servidores públicos.

Também no sábado (4), segundo o jornal O Globo, a fiscal Jane Loureiro, 54, foi alvo de coros de xingamento e ameaças por parte de um cliente em um bar na Rua Olegário Maciel, Barra da Tijuca. Ela afirmou que coordenava uma equipe de quatro profissionais quando encontrou uma série de irregularidades no endereço, que tinha cerca de 50 pessoas, muitas sem máscara.

“Vieram pessoas se aproximando dizendo que eu era uma pessoa ruim, que eu estava tirando emprego dos garçons, comida dos filhos dos garçons, e que o que estava fazendo era maldade”.

“Fui ameaçada por um que disse que o pai era procurador, e que estava vendo meu nome no colete e ia me demitir: ‘meu pai é procurador, você vai perder esse seu empreguinho’. Depois, fizeram um coro me xingando. Fiquei muito nervosa. Imagina um grupo grande de pessoas te xingando”, disse ela.

Jane afirmou também que após detectar as irregularidades chamou o gerente, que disse que iria controlar a situação, o que acabou não ocorrendo. Os fiscais então, fecharam o bar, e foi nesse momento que os ataques se intensificaram.

“O local estava com uma ocupação maior do que preconiza, neste momento, o protocolo de prevenção. Aí, nós fomos abordar o gerente, explicamos que não podia e ele não tomou nenhuma medida. Disse que não tinha como conter, como não atender quem chegasse. Diante disso, a gente resolveu que deveria interditar o local porque, no nosso manual, caso a gente encontre local com aglomeração, aborde o comerciante e ele não tome medidas, a gente tem que partir pra interdição.”

“Quando os garçons se aproximaram das mesas informando que o bar iria fechar, eles começaram a se revoltar. Aí começou o coro ofensivo”, disse Jane Loureiro, que atua há 12 anos na Vigilância Sanitária do Rio.

Falta de educação não se justifica

Na avaliação da fiscal, nesse momento em que as restrições impostas pela pandemia estão sendo flexibilizadas, as pessoas estão mais hostis. Embora o enclausuramento possa ser um dos motivos para os ataque, Loureiro frisou que a falta de educação não se justifica pelo isolamento.

“Eu acho que a falta de educação e de respeito ao próximo não justifica. Não precisava fazer um coro xingando. Isso não tem pandemia, não tem nada. Isso é uma questão de educação. Coisa que aquelas pessoas ali não tinham. Não tinham respeito. Mas eu acho que as pessoas estão meio alucinadas e, assim, por estarem ‘presas’, eu acho que contribuiu, mas não justifica.”

“Os estabelecimentos da Zona Sul [área nobre] sempre foram mais hostis. Quando há hostilidade, sabe?, sempre foram mais arrogantes na forma de nos tratar. Isso a gente sempre sofreu.”

“É muito importante que a população entenda que a gente tá ali, fazendo o nosso trabalho, pra preservar a saúde. E que é importante que os estabelecimentos cumpram as regras pra que a gente consiga avançar as fases [de flexibilização] de uma forma tranquila.”

Fonte: pragmatismopolitico

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