DA DECEPÇÃO À DETERMINAÇÃO POR MOISÉS SELVA SANTIAGO

Com um poder incrível, a decepção se infiltra nas amizades, nos relacionamentos amorosos e no cotidiano de uma nação.
Domingo, 17 de Maio de 2020 - 10:55

Eu sei, eu sei que a decepção anda de mãos dadas com a surpresa, tristeza e dor. Ela chega sem avisar, fecha a cortina da esperança e adoece a força para prosseguir. Decepções são como pedras no caminhar da vida, espinhos que ferem quem deseja a rosa colher, amargas lições para os que desejam melhor viver.

Com um poder incrível, a decepção se infiltra nas amizades, nos relacionamentos amorosos e no cotidiano de uma nação. Dizem até que onde há duas pessoas juntas, lá está ela sendo incubada. Se é assim, imagine onde há dezenas, centenas, milhões de pessoas no mesmo ambiente. O estrago que ela faz é imenso! Pensando no Brasil, me vem à mente a decepção pós-eleições que tem se tornado um fenômeno repetitivo, indesejado e perverso.

É que o coração do brasileiro é uma gigantesca incubadora da decepção: nós acreditamos na política partidária para reger nossa vida. Acreditamos nos governos, partidos e nos pseudo-salvadores da pátria. Colocamos nossa fé em candidatos travestidos de boa gente, quando na verdade eles são bons na prática do roubo – não só de dinheiro, mas sobretudo são peritos no roubo do estado democrático de direito que produz bem-estar social, enquanto menosprezam a agonia do povo.

O nosso coração precisa ser medicado. A atual pandemia também nos faz refletir sobre a decepção da fragilidade da vida e o terrível desrespeito aos milhões de enlutados. Diante da decepção, uns paralisam o vigor por novas lutas. Há os que resolvem nunca mais acreditar no outro, nem no amor, nem mesmo em Deus. A decepção os transforma em zumbis sem bússola, sem destino, atônitos na família, no trabalho, nos estudos, no exercício da fé... Ficam zanzando por aí. Sentem-se desprovidos de planos porque deixam a decepção dominar a mente, a força e as reações de sobrevivência.

Mas (e como é bom quando temos um mas!) a decepção pode nos levar à determinação. Determinar significa marcar os limites. Tem a ver com analisar e tomar uma definição. Isto é, leva a pessoa a uma nova proposta. A determinação surge quando o viajante vê as pedras do caminho e decide seguir em frente, mesmo assim. Quando o apaixonado se alegra com a rosa em suas mãos, mesmo com um curativo no ferimento que o espinho da roseira lhe fez. Quando eu e você tomamos todos os cuidados essenciais à nossa saúde e à saúde de quem nos cerca, mesmo diante do inimigo invisível da pandemia.

A determinação acontece quando o eleitor, obrigado a votar, não dá seu voto a nenhum candidato por não encontrar quem mereça ser eleito. Quando eu e você resolvemos marcar o limite de nossa honra e não permitimos que seja ultrapassado por pessoas ou instituições. A determinação é construída quando, depois de analisarmos a situação que nos cerca – seja ela em época de saúde ou pandemia – nos redefinimos como cidadãos que amam a si mesmos, à família, ao próximo, à pátria e a Deus, e decidimos não sermos massa de manobra, inocentes úteis, gado eleitoral, analfabetos políticos, influenciados pela mídia, desprovidos do uso da razão, alienados religiosos, seguidores de redes sociais e controlados por quem se alimenta do poder que vem da morte dos direitos humanos.

Eu sei, eu sei que a decepção continuará vindo. Árvores, pássaros, gatinhos, insetos e qualquer outro ser vivo do planeta nunca se decepcionam. Nem as pedras ou as rosas. Decepção é coisa de humanos. Porém, determinação também é coisa nossa! Todo o restante da Natureza sabe exatamente como viver – e morrer. A capacidade de escolher foi dada somente aos homens e mulheres. Então, diante da decepção, escolhamos a determinação de construirmos um mundo melhor para nós e para as gerações que herdarão esse amado Brasil, essa bela e frágil Terra.

Fonte - Moisés Selva Santiago

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