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Sexta-Feira, 14 de Maio de 2021

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HISTÓRIAS DAS ENTIDADES MÉDICAS EM RONDÔNIA - POR SAMUEL CASTIEL JR

O Estado de Rondônia acabara de ser criado em 22.12.81 e Governava o Estado o saudoso Governador Jorge Teixeira, o Teixeirão.
Sabado, 17 de Novembro de 2018 - 13:16

Por Samuel Castiel Jr.

A primeira entidade médica associativa em Rondônia data de 1949, fundada com o nome de Associação Médico-Cirurgica do Guaporé, cujos fundadores foram médicos pioneiros como o Dr. Rubens Brito, Dr. Osvaldo Piana, Dr. Maurício Bustani, Dr. Renato Medeiros, Dr. Araújo Lima, Dr. Ary Pinheiro e outros, conforme Ata de Fundação transcrita a seguir:

ATA DE FUNDAÇÃO DA PRIMEIRA ASSOCIAÇÃO MÉDICO-CIRÚRGICA DO GUAPORÉ

“Aos doze dias do mês de fevereiro de 1.949, às 20 horas, no salão do Clube Internacional de Porto Velho, reunidos os médicos, dentistas, veterinários e farmacêuticos que esta assinaram como sócios fundadores e com as presenças dos Exmos. Drs. Joaquim de Arújo Lima e Moacyr de Miranda, governador  e secretário geral do Território Federal do Guaporé, respectivamente e mais senhoras e senhorinhas, fundou-se solenemente a Associação Médico-Cirúrgica  do Guaporé, procedendo-se a eleição de uma diretoria provisória que ficou assim constituída:

Presidente:...................Dr. Ernesto Laudelino de Almeida

Vice-Presidente:...........Dr. Rubens Brito

1º Secretário:...............Dr. Oswaldo Piana

2º Secretário:...............Dr. Waldemar Wanderley Braga

1º Tesoureiro:..............Dr. Antonio de Jesus Cantanhede

2º Tesoureiro:............. Dr. Jocelino Leocádio da Rosa

Orador.........................Dr. Ary Pinheiro

Conselho Fiscal – Drs. João Fernandes  de Souza, Maurício Bustani, Inácio Moura Filho, Renato Medeiros.

Usaram da palavra os senhores: Drs. Ernesto de Almeida, que salientou o papel desempenhado pelos médicos, dentistas, veterinários e farmacêuticos em Saúde Pública e da razão da fundação da associação, pedindo rito aos colegas que tomassem interesse para que a sociedade pudesse continuar sua existência para maior grandeza da Mesma. Dr. Ary Pinheiro usando da palavra, disse não esperar que fosse eleito Orador, mas que agradecia a todos os colegas a bondade de tê-lo elegido para tão honroso cargo. Em seguida o Dr. Araújo Lima, num feliz improviso teve palavras elogiosas aos profissionais que congregados fundaram a Sociedade Médico-Cirurgica do Guaporé e lembrando que o inicio de sua carreira como engenheiro, foi servindo na Bahia com o Dr. Saturnino Brito, na engenharia sanitária; desejando um êxito feliz da sociedade e que todos congregrados deveriam trabalhar para o engrandecimento do Território. Suas últimas palavras foram abafadas por uma salva de palmas. A sessão foi encerrada.”

Assinados: Joaquim de Araújo Lima, Moacyr de  Miranda, Albertino Lopes, Renato Medeiros, João Fernandes de Souza, Ednice Maria Ferreira, Maurício Bustani, Adalberto Bastos Meneses, Inácio Moura Filho, Jocelino Leocadio da Rosa, Lourenço da Veiga Lima, Reinaldo Amâncio Braga, Antônio de Jesus Cantanhede, Luis B. Cantanhede, Valdemar Vanderley Braga Florinda Leal Farias, Francisco F. de Oliveira, José Otino de Freitas, Ernesto Laudelino de Almeida, Raimundo B. Cantanhede,  Estanislau Zack, Ary Pinheiro e Oswaldo Piana.

Do livro Achegas para História de Porto Velho, de Antônio Cantanhede.

Nota do Autor:

Dos ilustres signatários desta Ata, um deles é o pai do 5º Governador do Estado de Rondônia Dr. Oswaldo Piana Filho e outro deu nome ao Hospital de Base, Dr. Ary Pinheiro.

A atual Associação Médica de Rondônia (AMR) foi fundada em 1976, cujo seu primeiro Presidente foi o ilustre Dr. Joviniano Alves de Macedo, já no então Território Federal de Rondônia e, congregando, desta vez, apenas médicos.

A atual Associação Médica de Rondônia (AMR) foi fundada em 1976, tendo como seu primeiro Presidente o saudoso Dr. Joviniano Alves de Macedo, seguindo de outros médicos que foram se sucedendo na Presidência e diretorias, conforme galeria de fotos dos Presidentes, com seus respectivos mandatos, a seguir:

A Associação Médica de Rondônia (AMR) teve sempre um papel relevante no seio da classe médica e da comunidade em geral, promovendo o congraçamento dos médicos entre si, promovendo também a educação médica continuada através de cursos, congressos e jornadas médicas, cursos de pos-graduação, fomentando a fundação das associações de especialidades médicas, bem como lutando por melhores condições salariais e de trabalho, pois ainda não havia sido criado o Sindicato Médico. Grandiosas lutas e conquistas da AMR foram marcas indeléveis na história do movimento médico em Rondônia. Para citar apenas um desses movimentos reivindicatórios que, infelizmente, chegou a gerar um movimento paradista, ocorreu no ano de 1983. Presidia a entidade o médico Dr. Samuel Castiel Jr. O Estado de Rondônia acabara de ser criado em 22.12.81 e Governava o Estado o saudoso Governador Jorge Teixeira, o Teixeirão. A AMR teve que ir as ultimas conseqüências, ou seja, fazendo uma greve no serviço médico que estendeu-se de Vilhena a Porto Velho, com um desfecho positivo na maioria dos diversos ítens reivindicados para os profissionais médicos do Estado. Abaixo alguns cartazes da época de lutas do movimento médico encampadas pela AMR, bem como folders de cursos promovidos pela entidade:

Enfim, a Associação Médica de Rondônia - AMR, nos seus quarenta e dois  (42) anos de existência, sempre foi uma referência, atuando de forma a polarizar e fomentar os interesses médico-científico  no Estado.  

A HISTÓRIA  DA ASSOCIAÇÃO MÉDICA DE RONDÔNIA - AMR e DO SINDICATO MÉDICO DE RONDÔNIA - SIMERO

Essa primeira  Associação de Médico-Cirurgica criada em 1949, acabou desfazendo-se com o tempo e já em 1976 nascia a atual Associação Médicaque teve como seu primeiro presidente o saudoso médico Jovinino Alves de Macedo. Juntamente com o CRM constituiam as únicas entidades médicas do antigo Terr. Fed. de Rondonia. O primeiro Presidente do CRM foi o saudoso Dr. Hamilton Raulino Gondim.

A categoria médica vivia harmoniosamente naquelas épocas. Nos finais de semana, quando não estavam no Hospital São José ou na Maternidade Darcy Vargas,  reuniam-se para algumas horas de lazer. Faziam essas reuniões nas casas dos próprios médicos que se alternavam como anfitriões.

Quando eu assumi a Presidência da Associação Médica de Rondõnia, para o biênio 1983 /1985, havia uma insatisfação palpável na categoria médica:

Baixos salários, carga horária excessiva, hospitais, Pronto-Socorro e Postos de Saúde em péssimas condições. Não havia Plano de Cargos e Salários.

Governava o ex-Território o Cel. Jorge Teixeira de Oliveira. Fizemos então um apêlo ao Governo que desse um encaminhamento as propostas da categoria médica, o que sequer foi considerado. Esgotadas todas condições de diálogo, a greve parecia inevitável. Chamamos o CREMERO e as Sociedades de Especialidades que já começavam a se formar. Viajamos para o interior do Estado e conseguimos juntar todas as Associações Médicas incluindo Ariquemes, Ji-Paraná e Vilhena. Todos estavam insatisfeitos. Todos queriam a Greve, um movimento paredista que pudesse mostrar a força da categoria e pressionar o Governo Estadual a atender nossas reivindicações. E assim foi feito. Iniciamos a greve dos médicos. E, como toda greve, sabemos como começa mas não como termina!... As adesões foram crescendo durante o movimento. Juntaram-se a nós outras categorias como a Enfermagem, Técnicos de Enfermagem, Bio-médicos, etc. A greve estava ampliada, não era mais só dos médicos, mas de toda a saúde. Como não tínhamos ainda um Sindicato Médico, a Associação Médica tinha que liderar esse movimento. E não foi fácil! A Secretaria de Saúde era comandada pelo médico pediatra José Adelino da Silva e o Diretor do Hospital de Base era o ortopedista Viriato Moura. Conseguimos que esses colegas ficassem ao lado do nosso movimento, numa demonstração de compreensão ética das reivindicações de sua categoria.

Vinham colegas de todos os municípios para nossas assembleias. Os ônibus chegavam lotados. Essas assembleias geralmente eram realizadas no Cine Lacerda,pois requeriam grandes espaços. A situação começava a fugir ao controle das autoridades da saúde. Sentiam-se encurralados pelos médicos, enfermeiros e técnicos de saúde. Os hospitais parados em todos os municípios, ou melhor só atendendo as emergências. Havia uma comissão de triagem postada na recepção do Hospital de Base Ary Pinheiro. Ali era o front da nossa greve. Era o corpo a corpo da greve com a população. Ali vi uma das cenas mais chocantes do movimento: um pai chegou com o filho nos braços e a comissão de triagem julgou seu caso como sem configurar emergência e não lhe permitiram acesso ao atendimento. O pai então, transtornado, gritando impropérios, atirou-se várias vezes contra a parede do hospital, até cair sangrando e ser recolhido por médicos e seguranças. Aí perguntava a todos se agora o seu estado configurava uma emergência. Uma cena trágica que ilustra bem quanto é difícil conduzir uma greve nos setores ditos essenciais, principalmente na saúde.

No auge da greve o então Governador Jorge Teixeira avisou a noite ao Secretário de Saúde José Adelino que iria mandar prender-me no dia seguinte, o que só não aconteceu pela interferência do Diretor do Hospital de Base, Dr.Viriato Moura, que acabou aderindo a greve dos médicos.

Quando nosso Comando de Greve sentiu que estávamos chegando ao esgotamento do movimento, pois nossas  reivindicações  diluíam-se nas esferas municipal, estadual e federal, não podendo ser resolvidas pelo município ou estado, partimos para Brasília. Tínhamos como nossos aliados o Senador Claudionor Roriz e o Deputado Federal Chiquilito Erse. Marcamos audiência e fomos recebidos pelos Ministros da Saúde e do Trabalho. Muitas promessas nos foram feitas, porém o resultado foi pífio.

Enquanto isso, a greve começou a desmoronar, com nomeação para cargos comissionados de alguns colegas líderes do movimento. Renunciei a Presidência da Associação Médica e, desencantado, abandonei o movimento grevista. Assumiu a Presidência em meu lugar o colega Victor Sadeck Filho. A Greve aos poucos desfez-se.

Começavamos uma outra luta classista, que era a criação do Sindicato Médico. Empunhei essa bandeira e junto a alguns outros colegas, fundamos a Associação Profissional dos Médicos de Rondônia, o embrião do Sindicato médico.

A política partidária estava no auge e tínhamos alguns médicos disputando vagas para a Assembleia Legislatíva, dentre os quais o médico Oswaldo Piana. Atendendo um chamado do colega Piana, fui a uma reunião que tratava do pedido de apoio do candidato Piana a classe médica. Expliquei que a entidade não poderia dar apoio explícito a nenhum candidato médico, uma vez que tínhamos vários colegas na disputa. Aconteceu então o que eu já previra: um “racha” na classe médica. E, assim, numa composição de chapas, o médico José Adelino da Silva assume a Presidência da Associação Profissional dos Médicos de Rondônia, tendo como vice-Presidente o médico Ronaldo Lanes Lima. Na sequência, o Presidente José Adelino renuncia para assumir a Secretaria Estadual de Saúde. O seu Vice-Presidente também não conseguiu evoluir com  nenhum projeto. Assumi então a Associação Profissional e, após um trabalho árduo, contando com a ajuda indispensável do saudoso amigo Rubens Cândido,Superintendente da Delegacia Regional do Trabalho, conseguimos eleger a primeira Diretoria do Sindicato Médico de Rondônia (SIMERO) agora autorizado a funcionar pela CARTA PATENTE, assinada pelo então Ministro do Trabalho Almir Pazzianoto, após 2 anos de funcionamento regular e initerrupto da  Associação Profissional. O primeiro Presidente do Sindicato foi o médico Dr. Orlando Teodoro Ramalho.

Hoje, o SIMERO encontra-se bastante estruturado, com sede própria (onde funcionou o CREMERO e a Associação Médica de Rondônia - AMR) no tradicional bairro Caiari, e vem atuando com bastante desenvoltura nas questões trabalhistas da categoria médica.

Seu atual Presidente para o triiênio 2016-2019 é o médico Dr. Carlos Roberto Maiorquim.

Acho que cumprimos nossa missão classista! O Sindicato Médico de Rondônia (SIMERO) hoje é uma  realidade! Parabéns a toda a sua Diretoria e a todos os colegas que nos ajudaram nessa conquista!

Fonte - Samuel Castiel Jr. - NewsRondônia

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