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Sexta-Feira, 16 de Abril de 2021

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A GEOPOLÍTICA E O PROCESSO HISTÓRICO - CULTURAL E ECONÔMICO-SOCIAL DE RONDÔNIA

As informações confidenciais e as ações estratégicas típicos de governos totalitários só se conheciam os resultados.
Terça-Feira, 02 de Outubro de 2018 - 19:02

Parte I (antropização)

O Estado de Rondônia em sua saga de migração e colonização dos últimos 60 anos é atípica, sem desconsiderar os notáveis impactos históricos de momentos anteriores, pra contextualizar partimos do governo do presidente Garrastazu Médici 1969-1974 por ocasião do lançamento do II plano nacional de desenvolvimento - PND (programa nacional de expansão da fronteira oeste).

A partir daí as últimas seis décadas agiram como uma força centrifuga avassaladora no grande mosaico que era o tecido social anteriormente constituído no extinto território federal de Rondônia com grupos e perfis distintos. Ex: ferroviários, soldados da borracha, seringalistas, extrativistas e populações tradicionais; quilombolas, indígenas e ribeirinhos.

As pesquisas, os livros didáticos e as teses acadêmicas até os dias de hoje sempre se limitaram a apresentar a versão oficial dos militares para a ocupação da Amazônia tendo sempre como base propagandas, lançamento de projetos e programas como os de reforma agrária PIC (projeto integrado de colonização) e o PAD (projeto de assentamento dirigido).

As informações confidenciais e as ações estratégicas típicos de governos totalitários só se conheciam os resultados. Hoje somente com uma análise mais global e isenta seria possível entender o que os militares brasileiros queriam evitar, e onde almejavam chegar. Na América latina somente o Chile e a Argentina teve o desenvolvimento social e o crescimento econômico que o Brasil teve neste período e como Nicolau Maquiavel (1469-1527), “Os fins justificam os meios”, então vamos a conjuntura: Apesar de as forças militares estarem presentes na fronteira preocupados com a invasão espanhola desde as missões jesuítas e a construção de fortes a partir do século XVII eram aparente a inquietação da defesa especialmente no período do pós - guerra onde à bipolarização entre o bloco capitalista liderado pelos Estados Unidos da América (EUA) e o bloco socialista comandado pela ex - União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS). 

Eles disputavam palmo a palmo territórios estrangeiros trazendo muita insegurança e incertezas as nações, essa política foi à bancarrota com a queda do muro de Berlim na Alemanha em 1989 e a Perestróica movimento reformista na Rússia em igual período, acabando a guerra fria e dando início a nova ordem mundial.

Apesar de alinhados com a orientação político - ideológico Americano, os militares brasileiros não confiavam plenamente, apesar de aceitar seus dólares emprestados para aplicar no plano de reestruturação do País para investimento principalmente em estradas e matriz energética e não dispensaram o apoio Ianque de órgãos de inteligência para combater com forte repressão política os opositores do regime.

Os militares brasileiros percebiam que as tecnologias desenvolvidas pelos Americanos para uso bélico estavam sendo transformado em instrumento de interesse econômico expansionista, foi então que ouviram de pesquisadores brasileiros os riscos de os americanos estarem rastreando jazidas minerais na Amazônia importante para a economia e soberania do País. Hoje elas estão sob domínio do estado brasileiro sendo exploradas por empresas privadas, estatais e multinacionais, todas elas só operam com licença da União regidas por lei federal.

A época os militares tinham dificuldades em vigiar uma fronteira continental de uma região inóspita como eram estas paragens, não conseguiam arregimentar uma infantaria por razões orçamentais num país de 120 milhões de pessoas uma grande parcela da população na extrema pobreza e analfabetas as taxas de mortalidade infantil pareciam genocídio principalmente nos estados mais pobres do nordeste, ainda assim nessas mesmas proporções os reservistas na sua maioria foram apresentados a escova de dente e as refeições diárias pela primeira vez aos 18 anos de idade ao ingressarem nas forças armadas. 

Tinha ainda excedente populacional nas grandes cidades, problemas demográficos nas regiões mais desenvolvidas, êxodo rural, em função da concentração de terra nas mãos de privilegiados ao sul do país, e "cumpadres coronéis" do Nordeste este cenário preocupava o governo que acabara de anunciar o "milagre econômico". 

Neste tempo o regime socialista soviéticos que nesta parte ocidental já apadrinhava a ilha de Cuba, no Caribe de mesmo regime financiava também agitações nas grandes capitais do País este auto intitulados revolucionário, chamados  pelos militares de traidores da pátria eram grupos formados basicamente por sindicalistas, profissionais liberais, artistas, intelectuais e uma grande massa de jovens do movimento estudantil secundarista e universitário, ao final da década de 60 vários deles saíram das cidades e formaram grupos de resistência armadas chamadas guerrilha do Araguaia no coração da Amazônia região conhecida como Bico do Papagaio nas fronteiras do estado do Pará, Maranhão e Goiás onde hoje é parte do estado do Tocantins.


A única foto conhecida de Antônio Conselheiro, místico rebelde e líder espiritual do arraial de Canudos (1893-1897), Bahia, Brasil. Foto tirada duas semanas após sua morte, pelo fotógrafo Flávio de Barros, a serviço do Exército.

Nesse momento o governo militar lança duas ações estratégicas: debelar a insurreição dos guerrilheiros que desmoralizavam o governo como fez o beato Antônio Conselheiro (1830-1897) em Canutos no interior baiano, que com exército de miseráveis resistiram décadas a investidas de tropas federais no final do século XIX. Então mandaram militares descaracterizados financiados e bem armados para a região o que resultou nos massacres e torturas inclusive de civis camponeses estes não tinham lado só queriam plantar e criar para alimentar seus filhos até porque quase a totalidade eram analfabetos e a única noção de obrigação civil que eles tinham era de proteger a família da insegurança alimentar e reconhecer que, toda autoridade era constituída por Deus ensinamentos que com certeza não adquiriram na escola.

Medidas urgentes foram todas relacionadas a antropização da área são elas: construção da Hidrelétrica de Tucuruí no rio Tocantins no estado do Pará; a pavimentação da BR-364 ligando o Mato Groso ao Acre, recuperação da BR-010, Belém - Brasileira, abertura da BR-319 ligando Manaus no Amazonas à Porto Velho Rondônia. E a construção da BR-230 transamazônica com mais de 4.000 mil quilômetros originada em Cabedelo na Paraíba indo até Lábrea no Amazonas "ligando o nada a lugar nenhum". Apesar da entrega em tempo hábil das monumentais hidrelétricas de Tucuruí e a binacional Itaipu. Muitas obras inauguradas no período não foram concluídas até os dias de hoje, A rodovia Belém-Brasília é alvo de constantes protestos de caminhoneiros contra as péssimas condições da estrada, a BR-319 tem um trecho de 200 quilômetros ligando Porto Velho á Humaitá no Amazonas e a manutenção feita pelo exército os outros mais de 500 quilômetros até chegar em Manaus é um trajeto inviável, em período chuvoso.

A BR-230, contribui com trechos trafegáveis em áreas urbanas nos estados do Nordeste Paraíba e Ceará, mais não opera na totalidade em regiões de floretas. A BR-364 que tem como patrono um também militar e sertanista Marechal Candido Rondon que no início do século passado se aventurou em traçar uma picada na floreta o que deu origem a essa tão estratégica e necessária via, somente em 1984 foi inaugurada o trecho até a cidade de Porto Velho hoje tem uma grande importância para o desenvolvimento regional e foi primordial para o crescimento do nosso querido e hospitaleiro estado de Rondônia.

Fonte - Professor Adailton Noleto - NewsRondônia

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