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Domingo, 18 de Abril de 2021

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A ARTE ENGANANDO A VIDA: NO PAÍS DO OBA-OBA E DO FAZ DE CONTA, CIRCO, MÚSICA E FUTEBOL

No Estado Novo, o ditador Getúlio Vargas, que impôs a prisão política para seus opositores e controlava rigorosamente a imprensa, também era endeusado e chamado carinhosamente de pai dos pobres.
Sexta-Feira, 24 de Agosto de 2018 - 09:46

Por Paulo Ayres de Almeida

CRÔNICA – O povo ainda se contenta com pão e circo, ou falsos salvadores da pátria. Os dias passam, mas, ainda fica aquela sensação de temor, de tormenta, afinal, a tempestade ainda é efervescente e imprevisível.

Abichornado, o momento eleitoral causa seguramente certa incomodação, diante da cegueira, do desconhecimento, das manobras que se sudecem neste país do oba-oba e do faz de conta.

O Brasil certamente não aprende com seus erros. Assim sendo, entendo ser peremptório, manifestar-me, diante deste apedeutismo histórico, em que se defende a correção na política e obviamente dos governanentes, mas, se elege um expressivo contingente de elementos nocivos, defensores camuflados do cinismo ético e moral. Depois vem aquele velho discursinho, do Brasil que eu quero.

Recentemente enquanto o país bancava  obras milionárias em outros países com recursos públicos, e o crime organizado se encastelava soberanamente no poder central, se contabilizava o triste balanço da escalada assombrosa do desemprego e da insegurança pública, ao ponto do desafiar até mesmo o poderio militar. No entanto, grande parte da população aplaudia, a palhaçada das olimpíadas e seu legado de roubalheira e estelionato moral.

Como já se dizia no passado remoto, “panem et circenses”, ou seja,  oferte pão e circo e o problema do povo estará contornado. O tirano Calígula usou esta estratégia com sucesso, enquanto autorizava estupros, apropriações, e outras selvagerias e matanças, a multidão o aplaudia. Durante este período ele era endeusado pelo povo. Correu muito sangue para que os olhos pudessem finalmente enxergar.

No Estado Novo, o ditador Getúlio Vargas, que impôs a prisão política para seus opositores e controlava rigorosamente a imprensa, também era endeusado e chamado carinhosamente de pai dos pobres.  A matança de prisioneiros também acontecia, e ele acaba sendo eleito presidente, entre golpes e contra-golpes. Os incautos até hoje, elogiam a tal norma trabalhista implantada em seu governo, mas que na prática serviu para oficializar o controle governamental e o peleguismo sindical.

Feito estes registros, evidencio concisamente os fatos históricos  recentes desta Terra de Santa Cruz.

Poucos ousaram protestar e alertar à nação, que este país empobrecido, apesar dos valorosos recursos, não tinha condições de assumir uma copa do mundo. Mas o Governo do Cinismo Moral e Ético, colocou tropas militares na rua, pintou os muros, escondeu a podridão e a miséria, e o resultado foi muito mais drástico e dramático que o 7 X 1.

Enquanto a roubalheira, a sacanagem, a molecagem grassava, poderíamos muito bem, a exemplo, de um recente passado de atrocidades, se utilizar de uma  musiquinha daquela época do temido DOI-CODI e do famoso DOPS. Enquanto as atrocidades aconteciam, unhas eram arrancadas, mulheres violentadas, “coroa de cristo” trucidava a cabeça de brasileiros, e centenas desapareciam, também o povo cantava - "Pra Frente Brasil". Eis a letra:

"Noventa Milhões em Ação

Pra Frente Brasil

Do Meu Coração

Todos juntos vamos

Pra Frente Brasil

Salve a Seleção!

De repente é aquela corrente pra frente

Parece que todo Brasil deu a mão

Todos ligados na mesma emoção

Tudo é um só coração

Todos juntos vamos

Pra frente Brasil! Brasil!

Salve a seleção!"

Este é um país, que retrocede, que defende a militarização de colégios como a salvação da educação, desconhecendo assim, que estes supostos tutores, deveriam ter cumprido com seu papel constitucional de garantir a segurança, através do policiamento ostensivo, repressivo e preventivo, mas, mas, mas, falharam. É uma total inversão.

Vou agora, utilizar outra musiquinha daqueles tempos nebulosos da matança até de esperanças. É a “coisa” intitulada de Eu Te Amo Meu Brasil. Este “hino”, vem antecedido de ordem de comando: ESCOLA. MARCHA! Confira, ela pode ser perfeitamente utilizada nos dias atuais, diante da cegueira coletiva e desconhecimento histórico. Eis:

ESCOLA, MARCHA!

"As praias do brasil ensolaradas

Lá lá lá lá

O chão onde país se elevou

Lá lá lá lá

A mão de Deus abençoou

Mulher que nasce aqui

Tem muito mais amor

O Céu do meu Brasil tem mais estrelas

Lá lá lá lá

O sol do meu país, mais esplendor

Lá lá lá lá

A mão de Deus abençoou

Em terras brasileiras vou plantar amor

Eu te amo, meu Brasil, eu te amo

Meu coração é verde, amarelo, branco, azul-anil

Eu te amo, meu Brasil, eu te amo

Ninguém segura a juventude do Brasil

As tardes do Brasil são mais douradas

Lá lá lá lá

Mulatas brotam cheias de calor

La lá lá lá

A mão de Deus abençoou

Eu vou ficar aqui, porque existe amor

No carnaval, os gringos querem vê-las

Lá lá lá lá

Num colossal desfile multicor

Lá lá lá lá

A mão de Deus abençoou

Em terras brasileiras vou plantar amor

Eu te amo meu Brasil, eu te amo!

Meu coração é verde, amarelo, branco, azul-anil

Eu te amo meu Brasil, eu te amo!

Ninguém segura a juventude do Brasil!

Adoro meu Brasil de madrugada, lá, lá, lá, lá

Nas horas que eu estou com meu amor, lá, lá, lá, lá

A mão de Deus abençoou

A minha amada vai comigo aonde eu for

As noites do Brasil tem mais beleza, lá, lá, lá, lá

A hora chora de tristeza e dor, lá, lá, lá, lá

Porque a natureza sopra e ela vai-se embora enquanto eu planto amor

Eu te amo meu Brasil, eu te amo

Meu coração é verde, amarelo, branco, azul anil

Eu te amo meu Brasil, eu te amo

Ninguém segura a juventude do Brasil."

“Panem et circenses”, pão e circo, ou atualizando, promova a enganação e terá o povo ao seu lado. A barganha dos recursos públicos para manter sob controle até as manifestações culturais, é uma realidade. Pareceres e discursos são logo arranjados. As entidades culturais, também sucumbem. Grande parte da imprensa se rende as bondosas verbas públicas de publicidade. Perdem graciosamente a independência.

Então, nos bancos escolares, a criançada e a juventude se lapidam em leitores de quinta categoria, que não entendem, que não compreendem, que não sabem interpretar. Vai se formatando um contingente de brasileiros conspiradores de botequim, que pregam e cobram, mas que se possível, são adeptos do jeitinho brasileiro. Se enfurecem mais com a derrota do time na partida de futebol do que com a selvageria dos hospitais públicos.

Este é o Brasil, dos escândalos, da falência do SUS, da entrega de suas riquezas, onde tem general afirmando que o negro é malandro e o índio preguiçoso. O país das desigualdades e dos privilégios, das universidades de costas para sua população, e que ainda tem brasileiro pagando R$ 300,00 para assistir o Mengão.

Então, meus caros, é hora de uma outra musiquinha, que contrasta com o triste enredo do relatório da Comissão Nacional da Verdade. O tema da fatídica musiquinha é “Este É Um País Que Vai Pra Frente”. Confira, é atual:

“Este é um país que vai pra frente

O o o o o

De uma gente amiga e tão contente

O o o o o

Este é um país que vai pra frente

De um povo unido de grande valor

É um país que canta trabalha e se agiganta

É o Brasil do nosso amor”

A arte enganando a vida, enquanto o povo cantava, muita gente sofria e morria. A história vem se repetindo, e o brasileiro insiste em não aprender.

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AUTOR: PAULO AYRES

Mensagem: “Trilhei por caminhos estreitos, como o fio de uma navalha, mas mantive a correção dos meus atos. Combati o bom combate. Paguei caro, mas não desviei do caminho.”

Atuação profissional: Jornalista, Radialista, Técnico Legislativo, Professor, Analista em RH, Tecnólogo em Gestão de  RH,  Consultor em Gestão de RH, Consultor em Ouvidoria na Administração Pública e Consultor em Gestão Ética na Administração Pública.

Funções exercidas: Presidente do Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Estado de Rondônia; Presidente do Lions Club Porto Velho Centro; Presidente da Associação dos Tecnólogos em Gestão de Recursos Humanos do Estado de Rondônia; e Diretor de Comunicação Social da Assembleia Legislativa do Estado de Rondônia.

Fonte - PAULO AYRES -News Rondônia

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