Quinta-Feira, 15 de Março de 2018 - 10:59 (Cultura)

L
LIVRE

VEJA COMO SURGIRAM OS BAIRROS DO CAIARI, ARIGOLÂNDIA, MOCAMBO E AREAL

Historiador Anísio Gorayeb conta ao News Rondônia como surgiram quatro bairros conhecidos do Centro de Porto Velho.


Imprimir página

Por Felipe Corona
da redação do NewsRondônia

O News Rondônia mais uma vez encontrou o historiador Anísio Gorayeb para contar um pouco da história de Porto Velho. Hoje, ele vai expor os detalhes de como surgiram quatro bairros do Centro da Capital de Rondônia: Caiari, Arigolândia, Mocambo e Areal.

O bairro Caiari foi o primeiro conjunto habitacional do Brasil, construído no início dos anos 1940, que era um bairro considerado de elite.

“Não tínhamos edificações consideradas de alto padrão de luxo e de alvenaria. Então, Aluízio Ferreira, diretor da Estrada de Ferro Madeira Mamoré, recebeu recursos do Governo Federal, já que Porto Velho era município do Amazonas e território federal, logo, era a União que fazia essas obras. Esse nome era em homenagem ao Rio Madeira, já que na língua indígena Cai é Madeira e Ari é Rio, então Rio da Madeira. Nessas casas padronizadas morariam os diretores e engenheiros da Madeira Mamoré, como o avô do saudoso Chiquilito Erse e do setor administrativo”.

Anísio também apontou que quem ocupava cargos menos importantes, também recebeu edificações mais “modestas”, ali perto. “Foi construída a Vila Erse, que era em homenagem ao engenheiro Francisco Erse, avô do Chiquilito. Aí morava o pessoal da oficina mecânica, serviços gerais, o pessoal que pegava na massa, não graduado. Também era chamada de Vila Operária. Essa vila foi demolida em 1984 para dar espaço onde hoje é a Casa de Cultura Ivan Marrocos”.

O historiador destacou que há muitos anos já existe uma área de lazer para atender especificamente aquela região: a hoje Praça Aluízio Ferreira. “O próprio Aluízio tinha muita preocupação em criar esse espaço. Então, construiu aquela praça para atender os moradores do Bairro Caiari e o mais importante: foi inaugurada por Getúlio Vargas, em 11 de outubro de 1940, onde há alguns registros dele caminhando por ali”.

Durante a Segunda Guerra Mundial, o Governo Americano precisava de borracha para utilizar em combate. Então, financiou a vinda de 60 mil nordestinos para a região para extrair látex. Naquela época, 95% da borracha consumida no mundo era produzida na Amazônia, sendo os principais produtores Pará, Amazonas e Acre.

“Porto Velho ainda pertencia ao Amazonas, então, os nordestinos vieram para cá trabalhar nessa área, nos anos de 1941 e 1942. Eles ficaram conhecidos como Arigós e se concentraram na região próxima ao Bairro Caiari, onde fizeram suas casas, muito humildes, todas de madeira, onde surgiu a nomenclatura Arigolândia, porquê era onde moravam os arigós”.

O Bairro do Areal virou um “filhote” do Mocambo, já que o segundo era mais antigo e surgiu no entorno do Cemitério dos Inocentes, onde o Cemitério da Candelária atendia os funcionários e parentes dos empregados da Estrada de Ferro Madeira Mamoré e dos Inocentes, quem morava em Porto Velho. “Muita gente acha que Mocambo tem a ver com macumba. Não é isso. Seria algo ligado à favela, muquifo, local onde moravam pessoas de poucas posses. Mas, se tornou o bairro da boemia, grandes músicos, intelectuais e poetas. Tanto que ali surgiram Antônio Violão, Jorge Andrade e outros”.

Aquela região ficou bastante movimentada, pois ali era retirada a areia para as grandes obras na década de 1940, como o Porto Velho Hotel (atual prédio da UNIR Centro) e do Palácio Presidente Vargas. “Tinha um areal próximo ao Bairro do Mocambo e começaram a ser construídas algumas casas ali, então o Mocambo ficou dentro do Areal. Tanto que no mapa, esse é um pedacinho pequeno. O Areal foi crescendo e fica no Centro da cidade, que tem os igarapés de Santa Bárbara e Grande”.

Fonte: NewsRondônia

Noticias relacionadas

Comentários

Veja também

Outras notícias + mais notícias