Quinta-Feira, 08 de Março de 2018 - 09:55 (Geral)

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CONHEÇA UM POUCO DA HISTÓRIA DOS NOMES DAS PRINCIPAIS RUAS DE PORTO VELHO

Historiador Anísio Gorayeb conta quem foram as principais personalidades e personagens que dão nomes às principais vias da Capital de Rondônia.


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Por Felipe Corona
da redação do NewsRondônia

Em um bate papo descontraído, o historiador Anísio Gorayeb, membro de uma das famílias mais tradicionais da cidade, contou à reportagem do News Rondônia a história por trás dos nomes das principais vias de Porto Velho. Algumas são conhecidas do grande público. Existe também uma lenda bem humorada.

Avenida Amazonas – “Porto Velho já pertenceu ao estado do Amazonas. Ao ser criada em 1914, pelo decreto 757, aprovada pela Assembleia Legislativa e sancionada pelo governador da época, Jonathas Pedrosa. Ficamos nessa condição até 1943 até a criação do Território Federal do Guaporé. Uma curiosidade: Porto Velho era o último município ao sul do Amazonas e a Vila de Santo Antônio (onde tem a igrejinha) era Mato Grosso”.

Avenida Calama – “Homenagem ao distrito do baixo Rio Madeira, de onde surgiu a expressão beiradeiro. Isso porquê você está na beira de um rio, de um beiradão. Antigamente, muitos se ofendiam. Hoje, é um orgulho. Ali temos Calama, São Carlos, Terra Caída, Nazaré”.

Avenida Campos Sales – “Um nome que existe em todo país. Um grande escritor brasileiro, como também existem ruas Barão do Rio Branco, Rui Barbosa, Presidente Dutra”.

Avenida Carlos Gomes – “Grande músico e poeta brasileiro, que por sinal, está sepultado em Belém (PA). Uma avenida importantíssima em Porto Velho, que tem maior fluxo no sentido bairro – Centro. Por muito tempo, antes de haver o shopping, era a via que tinha as lojas mais refinadas da cidade, entre a Rua Salgado Filho e a Getúlio Vargas, com galerias, como a famosa Bia Calçados, Exótica Jóias, a galeria Castelinho. Uma área nobre”.

Avenida Farqhuar – “Muitas pessoas chegam a Porto Velho e não sabem quem foi Percival Farqhuar. Aliás, os próprios habitantes não conhecem. Dia desses fui dar uma palestra aos alunos do Terceiro Ano do Ensino Médio da escola Carmela Dutra e ninguém sabia. E olha que fica em frente ao prédio! Ele foi o principal idealizador da Estrada de Ferro Madeira Mamoré, onde de 1907 a 1915, foi entusiasta da ideia. Era um grande industrial americano, que investiu muito no Brasil, e tinha muito prestígio do presidente da República, Rodrigues Alves. Amigo do Hermes da Fonseca”.

Avenida Governador Jorge Teixeira (BR-319) – “Era Rua John Kennedy, quando começou, uma grande cascalheira. Muita gente achava uma loucura fazer uma rua tão longe da cidade, na década dos anos 1970. Hoje, ela é uma referência e divide o Centro dos bairros. Com a morte do primeiro governador do estado, passou-se a chamar assim. A gente fala muito dele, mas além do primeiro governador do estado, ainda foi prefeito de Manaus, um dos melhores que aquela cidade já teve. Tanto que tem um bairro com esse nome lá. Ainda foi diretor do colégio militar. Esteve na transição de território para estado. Foi o último governador do Território e o primeiro do estado”.

Avenida Sete de Setembro – “Essa existe em todo o lugar do Brasil, sempre no Centro, em homenagem ao centenário da Independência. Poucas pessoas sabem, mas temos um monumento que homenageia o Centenário da Independência, na Praça Getúlio Vargas, um obelisco, que é inaugurado em datas comemorativas. Foi inaugurado no dia 07 de setembro de 1922, em frente ao Mercado Cultural. É um monumento vermelho”.

Rua Daniela – “Existe uma lenda sobre essas ruas, assim como a Andréia, a Giovana, a Adriana, a Fábia, mas não sei se é verdade. Não tem sobrenome e ninguém sabe quem colocou, mas a lenda diz que no auge do garimpo do Rio Madeira, tinha um garimpeiro que era proprietário de toda aquela região, que ele chegou a um prostíbulo muito famoso, ali pelo bairro Lagoa, chamado de Flávia. Então ele dizia que iria colocar os nomes das ruas em homenagem as meninas que faziam programas lá”.

Anísio Gorayeb, além de contar as histórias sobre as ruas portovelhenses, ainda fez um protesto sobre as ruas que têm nomes de celebridades, mas onde os políticos esqueceram de homenagear pessoas importantes para a cidade. “Tem a Rua Ibrahim Sued, tem a Rua Lauro Corona, Rua Clara Nunes. Não tenho nada contra essas pessoas tão conhecidas no país, mas eu já pedi diversas vezes na Câmara de Vereadores para colocarem o nome de uma rua para o senhor Oscar Depeiza Maloney, pai da professora Úrsula Maloney. Ele abastecia e dava manutenção nas Três Caixas D’Água. Era o primeiro bombeiro hidráulico da cidade. Chegou aqui em 1908 e até hoje não tem homenagem”.

Abnatal Bentes de Lima – “É pai do professor Abnael Bentes de Lima, que foi meu professor. Ele tem uma filha chamada Abnatália, em homenagem a mãe. O professor Abnael se formou na primeira turma de alunos da escola Carmela Dutra, em 1940, com Lourival Chagas e tantos outros. É o pai de um grande pioneiro da cidade, que recentemente, passou por problemas de saúde, mas está aí, firme e forte”.

Rogério Weber – “É o quarto nome dessa rua. Ali era o famoso curral das éguas, onde eram guardados os animais que chegavam da antiga Estrada de Ferro Madeira Mamoré, ali em cima, na Duque de Caxias, antes de chegar na Pinheiro Machado. Já chamou-se Major Guapindaia, que foi um dos primeiros prefeitos de Porto Velho. Com a chegada do 5º BEC, em 1966, foi construída uma rua para ligar o quartel ao restante da cidade, que foi chamada de Norte-Sul. Um ano e meio depois, faleceu o filho de 19 anos do primeiro comandante do BEC, Carlos Aluísio Weber. O rapaz era Rogério Weber e morreu em um acidente de moto”.

José Vieira Caúla – “É da mesma família que tem o Carlinhos, o Edson, dona Iolanda, daquele reduto de onde saía o Galo da Meia Noite. Era um vendedor de lojas que trabalhava na Casa Saudade, que também virou Pernambucanas. Gente que era muito conhecida, era homenageada. Na época dele, não existia máquina de calcular. Então, esse pessoal que era muito bom de matemática, ia trabalhar no comércio. Ele era genial na matemática. Ficou muito conhecido por essa habilidade”.

João Pedro da Rocha – “Poucas pessoas não conhecem, mas ele foi uma das pessoas mais famosas e conhecidas, como João Barril. Era imenso. A imagem que eu tenho dele era morando na Rua Presidente Dutra, entre Carlos Gomes e Dom Pedro II, em uma casa de dois pavimentos, que virou acesso para Caixa Econômica. Não vou dizer que ele era agiota, mas a primeira ‘financeira’ da cidade. As pessoas quando estavam apertadas, iam lá com ele, faziam uma promissória com 10% em cima e foi muita gente que ajudou muita gente”.

“Assim como o João Barril, tem o Bola Sete. Uma figura popular na nossa cidade, mas que ninguém sabia o nome dele: Eliézer Santos. Assim como colocar uma rua chamada Valdemir Pinheiro. Ninguém vai saber, mas é o Bainha. Então, temos que usar o nome e o apelido junto. Então, pedi isso à Câmara para fazer isso”, encerrou Anísio.

Fonte: NewsRondônia

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