Sexta-Feira, 02 de Março de 2018 - 18:39 (Geral)

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PESQUISA APONTA IMPACTOS NEGATIVOS DE PEQUENAS BARRAGENS DE PISCICULTURA EM IGARAPÉS DA AMAZÔNIA

O trabalho apresenta os resultados obtidos em pesquisa realizada no âmbito do Programa Institucional de Bolsas e Trabalho Voluntário de Iniciação Científica (PIBIC-UNIR), nos períodos de 2014-2015 e 2015-2016.


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O artigo “As pequenas barragens de piscicultura impactam negativamente a diversidade de peixes dos igarapés da Amazônia” (Small dams for aquaculture negatively impact fish diversity in Amazonian streams) foi escrito por pesquisadores do curso de Engenharia de Pesca da Fundação Universidade Federal de Rondônia (UNIR)Campus de Presidente Médici, em parceria com pesquisadores da Universidade Federal do Amazonas (UFAM) e da Washington and Lee University/Estados Unidos e aborda os impactos causados por pequenas barragens ou represas construídas em igarapés da Amazônia para criação de peixes.

Os autores do estudo, publicado recentemente na revista internacional Aquaculture Environment Interactions, com fator de impacto 2.90 (Qualis A2), são o professor doutor Raniere Garcez Costa Sousa (Departamento de Engenharia de Pesca/UNIR), o engenheiro de pesca, egresso da UNIR e ex-aluno do PIBIC, Marcos de Almeida Mereles, e os professores doutores Flávia Kelly Siqueira-Souza, Carlos Edwar de Carvalho Freitas (ambos da UFAM) e Lawrence Edward Hurd  (Washington and Lee University/Estados Unidos).

Sobre a pesquisa

O trabalho apresenta os resultados obtidos em pesquisa realizada no âmbito do Programa Institucional de Bolsas e Trabalho Voluntário de Iniciação Científica (PIBIC-UNIR), nos períodos de 2014-2015 e 2015-2016. A área de realização do estudo compreende a Bacia do rio Machado, nos municípios de Presidente Médici e Ji-Paraná.

De acordo com os autores, há muitos trabalhos sobre os impactos negativos decorrentes das grandes barragens hidroelétricas sobre a diversidade de peixes em rios da bacia amazônica. No entanto, pouco se sabe sobre os impactos causados pelas pequenas barragens de igarapés que são construídas para a criação de peixes.

“Nossa pesquisa aborda as assembléias de peixes existentes nas regiões a montante (acima) e a jusante (abaixo) das barragens de pisciculturas, dos igarapés em Rondônia, e evidencia que estas barragens atuam como uma barreira física impedindo os movimentos dos peixes”, afirmou o professor Raniere Sousa.

Conforme o pesquisador, os resultados mostram a existência de baixos valores de diversidade para as populações dos indivíduos que vivem nas áreas acima dessas barragens, e baixos valores para aqueles residentes na região abaixo dos represamentos.

Os principais impactos identificados durante o estudo foram a ocorrência do impedimento dos movimentos de um grande número de grupos de peixes para as regiões acima das barragens, o isolamento e o desaparecimento de espécies raras de peixes que vivem nas cabeceiras desses rios.

As espécies mais afetadas, segundo a pesquisa, foram aquelas de hábitos alimentares relacionados aos grupos que se alimentam principalmente de frutas (frugívoros), vegetais (herbívoros) ou restos orgânicos (detritívoros) e que estão associados às espécies migradoras e formadoras de cardumes (espécies Potamodromous). No entanto, os impactos também foram evidentes para os peixes que se alimentam de outros peixes (piscívoros), comumente encontrados em ambientes lênticos (águas paradas).

Dessa forma, os pesquisadores presumem que as pequenas barragens em igarapés possam causar um efeito de grande dimensão, proporcional ou maior aos que ocorrem nas barragens de hidroelétricas, principalmente, quando somados aos impactos dessas pequenas barragens de piscicultura, cujos registros apontam mais de 8.000 instalações no estado de Rondônia.

Por fim, para que sejam minimizados os impactos causados pelas barragens de piscicultura, os pesquisadores apontam duas propostas. A primeira consiste na elaboração de sistemas eficientes para a passagem dos peixes no entorno dos empreendimentos, a fim de diminuir os impactos sobre a diversidade das assembléias de peixes e a segunda opção propõe proibir, definitivamente, o bloqueio dos canais de igarapés quando da instalação, produção ou manutenção dos empreendimentos piscícolas na região.

O artigo, na íntegra, pode ser acessado nos seguintes endereços eletrônicos: http://www.int-res.com/articles/aei2018/10/q010p089.pdf e https://doi.org/10.3354/aei00253.

Fonte: 010 - Ascom UNIR

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